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“Uma mulher inteligente e bem preparada pode chegar a primeiro-ministro”
Teresa Ferreira

“Uma mulher inteligente e bem preparada pode chegar a primeiro-ministro”

Teresa Ferreira - directora executiva da empresa “Águas de Santarém”. Tem uma visão positiva da sociedade portuguesa em termos de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Diz até que é mais fácil a uma mulher optar por educar os filhos em vez de seguir uma carreira profissional do que a um homem. Considera positivo ter um dia-a-dia super-preenchido com solicitações profissionais e familiares.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Os homens, de uma maneira geral, não são capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo, como as mulheres. A opinião é de Teresa Ferreira, directora executiva da Águas de Santarém que ilustra o que quer dizer com um caso prático do dia a dia. “Por exemplo, nós, no mesmo momento, podemos estar a controlar o banho de uma criança, os TPC’s (Trabalhos Para Casa) da outra, ter o jantar ao lume e ainda responder a um ou dois e-mails. E normalmente corre bem!!! Acho muito difícil os homens conseguirem este feito…. Pelo menos sem nenhum resultado desastroso pelo caminho…”.
Aquela vantagem não é no entanto a mais importante. Há uma outra bem mais importante, segundo ela, que é a maternidade. “Não subvalorizo a importância do pai e o amor que estes têm pelos filhos mas ser mãe é único e a maternidade um laço incomparável”, afirma.
Sobre o desaparecimento das desigualdades entre homens e mulheres mostra-se optimista. “Foi feito um longo caminho que não está acabado, é certo, mas evoluiu-se muitíssimo nesse sentido. Não sinto que hoje, em sociedades ocidentais como a nossa, persistam diferenças significativas nos direitos e oportunidades. O estigma e preconceitos sobre as mulheres em lugar de topo, se ainda existem, estão a desvanecer-se”, defende.
Teresa Ferreira acha que se não há mais mulheres em lugares de chefia isso também resulta da opção de muitas. “É preciso lembrar que há mulheres, pessoalmente conheço algumas, que tomam a opção de se dedicar à família e educação dos filhos e abdicar, ou pelo menos, não investir muito nas suas carreiras profissionais. É opção. Não critico e entendo, embora não seja essa a minha escolha.”
E a directora executiva da Águas de Santarém vai mais longe. “Enquanto um homem sente uma enorme pressão social para “sustentar” a família, e seria impensável ficar em casa por opção, essa pressão não é tão evidente no lado das mulheres, que acabam (as que podem financeiramente, claro) por ter a opção de investir ou não na sua actividade profissional. Há portanto, e muito por via da opção individual de cada um, muitos mais homens a concorrer a lugares de chefia do que mulheres”, conclui.
E reflectindo sobre o mundo da política diz que se não há tantas mulheres em lugares de topo a culpa também é delas. “Nos tempos que correm uma mulher competente, inteligente, bem preparada e que realmente tenha essa ambição, poderá perfeitamente vir a ser primeiro-ministro de Portugal”.
Teresa Ferreira não inveja nada aos homens e também não se queixa de algumas situações que são consideradas muitas vezes penalizadoras das mulheres. “Há quem diga, e com alguma razão, que as mulheres com filhos e activas profissionalmente têm uma sobrecarga muito maior no dia-a-dia do que os homens. É verdade, mas não sinto que isso seja mau. Os dias são muito ocupados, a agitação permanente, desdobramo-nos para dar a maior atenção e acompanhamento aos nossos filhos e sermos as melhores profissionais. Mas para mim, isso é positivo, preenche-me. Ambas as vertentes me completam”.
Sobre a ocupação dos tempos livres diz que a primeira prioridade é estar com as filhas e fazer os programas que lhes agradam e que para além disso gosta de ler, ir ao cinema e conhecer novos sítios. Em termos de música refere os U2 como a banda de eleição e a seguir vários artistas portugueses como Mariza, Xutos & Pontapés, Mafalda Veiga, Luís Represas. Quanto a livros a sua preferência vai para os escritos por mulheres. “(...) Leio Isabel Allende e não perco nenhuma obra da Sveva Casati Modignani cujas personagens principais são sempre mulheres fortes, complexas, confiantes”. Vai pelo menos uma vez por ano ver uma tourada ao vivo porque valoriza “a arte dos cavaleiros e a audácia e valentia dos forcados” e porque a tourada faz parte da cultura da região. Também gosta de futebol e vibra com os grandes jogos do Benfica ou da Selecção Nacional.

“Uma mulher inteligente e bem preparada pode chegar a primeiro-ministro”

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