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24/04/2017
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Elas querem mais mulheres a “surfar” no Castelo do Bode
A albufeira de Castelo do Bode tem a primeira estância de wakeboard do mundo mas faltam raparigas em cima da prancha. Por isso estas quatro embaixadoras têm uma missão: trazer praticantes do sexo feminino à barragem.
Edição de 29.03.2017 | Desporto

Leu bem: na barragem de Castelo de Bode é possível surfar-se. O desporto chama-se wakeboard e é praticado com uma prancha similar às de snowboard que é puxada por um barco. Uma médica dentista, uma técnica de radiologia, uma directora comercial da Nike e uma estudante de Artes são os rostos do projecto “Wake with Girls”, que pretende angariar praticantes femininas do desporto que tem como palco a primeira estância de wakeboard do mundo. Fica na albufeira de Castelo do Bode e compreende 30 quilómetros com cinco cable parks situados nas praias fluviais de Aldeia do Mato, Fernandaires, Lago Azul, Montes e Trízio, um projecto apoiado pelos municípios de Abrantes, Ferreira do Zêzere, Sertã, Tomar e Vila de Rei.
Joana Leitão tem 34 anos e é técnica de radiologia. Nos intervalos da profissão, que é o mesmo que dizer todos os fins-de-semana, de Março a Novembro, despe a bata branca e troca-a pelo fato de água. “Pratico há oito anos. Descobri o wakeboard na mesma altura em que conheci a barragem. Foi amor à primeira vista”, revela a jovem. Aceitou o desafio para ser embaixadora da modalidade porque quer acabar com o mito de que “o wakeboard é para rapazes”. Na verdade, o desporto está erradamente associado à força, quando o segredo está “no equilíbrio e na vontade de nos desafiarmos”. Até agora, ela, e as outras três embaixadoras, já conseguiram contagiar dezenas de mulheres para um desporto que, em Portugal, pode ser praticado quase todo o ano.

“Castelo de Bode é a nossa praia”
“Na Alemanha, por exemplo, os praticantes têm de descongelar a água para poderem fazer wakeboard. Nós temos muita sorte, com o tempo, e por termos a barragem, que é magnífica”, sublinha Joana. A estância veio também democratizar o acesso a um desporto que já foi muito caro. “Era necessário termos um barco. Com a criação da estância podemos alugar os equipamentos. Só é preciso ter vontade”, diz.
E vontade é o que não falta a Inês. A estudante de Artes tem 18 anos e é a mais jovem embaixadora do wakeboard no feminino. Na imagem que O MIRANTE captou e onde falta Rute - mora em Itália - vê-se um rapaz a “voar” por cima da água da barragem. É o Xavier, tem onze anos e é o irmão da Inês. “O meu pai já praticava e nós, os filhos, também fomos contagiados desde muito novos”, revela a adolescente.
Não é o caso da médica dentista Patrícia Santos, de 31 anos, que “descobriu” a modalidade há pouco mais de seis anos. “Arrisco menos do que a Inês, porque tenho menos prática, mas não consigo imaginar um fim-de-semana sem ir à barragem. Castelo de Bode é a nossa praia”, confessa. “O wakeboard é um desporto de superação, por isso é tão viciante. Não se resume apenas ao desporto, mas à barragem e aos amigos que fazemos”, diz Patrícia, que aproveita para avisar que a temporada do “surf” em Castelo de Bode já começou. Quem se junta às “surfistas” da barragem?.

Projectos querem atrair praticantes para Portugal

A estância e o projecto “Wake With Girls” fazem parte de uma estratégia para posicionar Portugal como cluster europeu da modalidade e destacar Castelo de Bode no mapa do wakeboard mundial. Em pouco mais de três meses, as “quatro miúdas do wakeboard” conseguiram angariar mais de 1000 seguidoras na sua página de Instagram. Garantem: “Assim que tiverem a prancha debaixo dos pés, não vão querer parar”. Tanto que a outra embaixadora, Rute Marta, directora comercial da Nike, em Itália, apanha um avião sempre que consegue para se juntar às amigas em Castelo do Bode.

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