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25/07/2017
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Como uma Segurança Social burocrática atira com os dramas para trás das costas
Edição de 29.03.2017 | O MIRANTE dos Leitores

Quero chamar a atenção do responsável da Segurança Social de Santarém para a necessidade de os problemas dos cidadãos serem olhados de forma mais humanitária e menos burocrática. Sou amigo do Victor Pereira há muitos anos. É uma pessoa pobre, com inúmeras deficiências físicas, a caminho dos 66 anos, que nunca deixou de lutar para manter a sua dignidade.
Há alguns anos que ele vive com a Ana Bela Cláudio que é cega e que em 2013/2014 viu agravado o seu problema de surdez quase total. Em desespero de causa, e como os serviços do Estado não lhe davam resposta rápida para a situação da esposa, o Victor começou a escrever para toda a gente que lhe poderia valer. Foi o Hospital Cuf do Porto, do grupo José de Melo Saúde, quem lhe valeu.
A história foi contada em
O MIRANTE. Aquela unidade hospitalar tinha um fundo de solidariedade que usou para a aquisição dos implantes cocleares. O director clínico, otorrinalaringologista e especialista naquele tipo de cirurgia, ofereceu o seu trabalho. O hospital prescindiu de cobrar os custos de internamento. Tudo foi feito sem custos para o Estado, nomeadamente para Serviço Nacional de Saúde ou Segurança Social.
O problema é que, de cada vez que o casal precisa de se deslocar ao Porto para acompanhamento da situação, tendo que permanecer na cidade uma ou duas noites, tem dificuldade em suportar os custos das viagens, alimentação e estadia porque as pensões que ambos recebem totaliza, 590 euros e eles apesar de pagarem uma renda baixa num bairro social da Câmara Municipal do Entroncamento, têm as despesas normais da casa para pagar.
O Victor Pereira pediu ajuda à Segurança Social. Consultadas as tabelas e aplicadas a régua e esquadro, o apoio para as deslocações e estadia (normalmente uma vez por ano), foi negado. Explicação: depois de descontadas as despesas regulares da casa o casal ainda ficava mensalmente com 190 euros e podia usá-los para ir ao Porto. Pessoalmente acho que os serviços de um Estado que não pagou os trinta ou quarenta mil ou mais euros que custavam os implantes e a intervenção cirúrgica, deviam ter outro tipo de comportamento. Regras sim. Desumanidade não!
Fernando de Carvalho

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