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22/06/2017
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Empolgante Serafim das Neves
Edição de 18.05.2017 | Emails do Outro Mundo

No sábado à tarde não saí à rua porque tinha ouvido a Protecção Civil alertar para a possibilidade de formação de uma onda encarnada de grandes dimensões. Depois do jantar adormeci no sofá a ver um concurso internacional de sonorização de espectáculos de pirotecnia e raios laser, o que me leva a pensar que estou a atravessar uma fase de grande aboboramento. De manhã não vi o Papa mas fiquei a saber, pela leitura de
O MIRANTE, que não fui o único.
Não sei se leste mas o presidente da Junta de Freguesia de Fátima não foi incluído na lista de pessoas que a Câmara de Ourém introduziu (raio de verbo) nos camarins do famoso peregrino Francisco que, de acordo com uma senhora que passou aqui na rua, veio a Portugal “canalizar” os pastorinhos.
O presidente da junta estava danado mas eu até compreendo a decisão do presidente de Ourém. Com tantos milagres que a Junta tem feito lá na cidade, apesar de ter um orçamento pequeno, ele deve ter receado que o autarca de Fátima também fosse canonizado, ou no mínimo beatificado, e com eleições à porta não se devem descurar estes pormenores.
Já agora, e tendo em conta que até o vereador comunista da Câmara de Rio Maior, Augusto Figueiredo, teve direito a receber o Papa na Base Aérea de Monte Real, fico intrigado. Será que em vez de certificados de aforro o Governo deu entradas para convívios com o Santo Pontífice no sorteio da factura da sorte?
Serafim, os médicos fizeram greve e, de acordo com os sindicatos, a adesão foi de 90 por cento. Como num dos dias de “paralisação” fui ver o camarada Tónho ao hospital de Abrantes e vi por lá carradas de médicos fiquei a matutar na coisa. Se dez por cento de médicos são assim tantos, será que em vez de médicos a menos temos médicos... a mais?
Quem não encontrei por lá foi aquele médico que um dia entrou em greve de fome porque uma empresa privada para a qual trabalhava lhe estava a dever dinheiro. Será que chegou a receber a massa? Tantas televisões, jornais e rádios que mandaram para lá jornalistas fazer-lhe entrevistas e depois acabamos por não ficar a saber qual foi o desfecho do caso. Mas do mal o menos. Mesmo que não tenha recebido do dinheiro, recebeu atenção em barda!
Quem também recebe carradas de atenção dos jornalistas são os comunicados dos serviços de relações públicas da PSP e GNR. Eu leio tantos e tantos nos jornais, que até acho que já era tempo de os redactores das forças de segurança começarem a receber uns gratificados dos órgãos de comunicação social. O que achas? Bem vistas as coisas, há jornalistas com menos textos publicados do que eles que recebem o ordenado por inteiro.
E já agora que falo neste assunto, quero-te confessar que fico preocupado ao ler tantas notícias que em vez de nomes de pessoas se referem a sujeitos, indivíduos, sexagenários, vítimas, condutores....um dia destes até sonhei que a secção de necrologia estava toda redigida da mesma maneira. “Faleceu um indivíduo, octagenário, sem antecedentes criminais. Informa-se que o funeral será amanhã às 10 horas”. Bbbbbrrrrr.....
Uma notícia das mais reproduzidas dos últimos dias foi a de que, entre 10 e 14 de Maio, foi levantado um milhão de euros nas caixas multibanco de Fátima. Eu sei que a palavra milhão tem um certo peso e ainda por cima rima com multidão mas cá por mim esta informação leva-me a concluir que os peregrinos que foram ver o Papa ao vivo são maioritariamente pobrezinhos.
Afinal, se esteve um milhão de pessoas em Fátima naqueles dias, isso significa que cada uma levantou em média um euro. E mesmo que, em vez de um milhão, tenham estado apenas quinhentas mil almas, como dizem os mais religiosos, isso dá dois euritos por cabeça, dinheiro que naqueles dias não devia chegar para comprar uma garrafa de água e beber um café.
A camarada Ana Cristina Ribeiro, de Salvaterra de Magos, volta a usar o BE como barriga de aluguer para concorrer a presidente da câmara. É verdade que foi aquele partido que apresentou a chamada Lei das Barrigas de Aluguer no Parlamento depois de ter testado em si próprio o método quando Ana Cristina Ribeiro era apenas Anita. Mas será que agora vai conseguir carregar com um bebé daquele tamanho?
Saudações peregrinas
Manuel Serra d’Aire

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