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25/07/2017
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Alberto Mesquita
Monumento de homenagem às vítimas da legionella é “iniciativa louvável”
Durante o protesto à porta da fábrica suspeita de ser a causa da propagação da bactéria ouviram-se pedidos para construção de um memorial às vítimas. Município de Vila Franca de Xira diz que é uma boa ideia e está disponível para analisar o assunto.
Edição de 18.05.2017 | Sociedade

O município de Vila Franca de Xira mostrou-se disponível para estudar a possibilidade de implementar no seu território um memorial às vítimas do surto de legionella de Novembro de 2014 que matou 14 pessoas e infectou mais de 400.
A ideia de construção de um memorial que evocasse a memória da tragédia nasceu durante o protesto das vítimas realizada há duas semanas à porta da empresa Adubos de Portugal (ADP), no Forte da Casa.
Várias vítimas defenderam que seria “de elementar justiça” fazer-se um memorial a quem perdeu a vida e ficou com sequelas por causa do surto. “No fundo foram pessoas que sem terem culpa nenhuma morreram às mãos da incúria de outros e merecem ser homenageadas”, entende Florbela Nunes, uma das afectadas pela bactéria, de Vialonga. Outra vítima, Afonso Almeida, também defende a ideia. “Penso que era justo a associação estudar com a câmara essa possibilidade, até porque estamos a falar do terceiro maior surto do mundo, não foi uma coisa leve que já tenha passado”, conta.
O presidente da câmara vilafranquense, Alberto Mesquita (PS), não fecha a porta à possibilidade de vir a ser implementado no concelho um memorial. “Formalmente não tenho ainda conhecimento [da pretensão de construção de um memorial], mas acho que é uma iniciativa louvável e que quando essa questão for colocada pela associação à câmara teremos todo o gosto em a estudar”, refere o autarca.
Em declarações a O MIRANTE, à margem da última reunião pública de câmara, Mesquita admite que logo que haja a manifestação formal de construção do memorial, “num curto espaço de tempo” ele poderá ser implementado no concelho. “É o mínimo que podemos fazer por uma situação tão grave como foi o surto de legionella. Conseguiremos assim também manifestar a nossa homenagem às pessoas que foram vítimas e às que tiveram familiares que acabaram por falecer”, nota.

Vítimas reclamam justiça
Recorde-se que mais de uma centena de vítimas do surto de legionella realizaram uma caminhada de protesto à porta da fábrica da ADP no Forte da Casa onde foram deixadas queixas à actuação da justiça, palavras de ordem contra as empresas responsáveis e exigências de maiores e melhores indemnizações.
O Ministério Público, recorde-se, requereu o julgamento de sete arguidos envolvidos no surto de legionella de Vila Franca de Xira pela prática de crimes de infracção de regras de construção e conservação e ofensas à integridade física por negligência, bem como duas empresas – a ADP (Adubos de Portugal) e a General Electric, que fazia o tratamento das águas dos circuitos de arrefecimento das torres da fábrica de adubos, pela prática do crime de infracção de regras de construção e conservação.

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