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Uma vegan em terra de touradas

Uma vegan em terra de touradas

Patrícia Ribeiro não come nem veste nada que tenha origem animal. A necessidade aguçou-lhe o engenho e agora dá workshops de culinária vegan. Em Alhandra estão sempre esgotados.

É um bocadinho como o patinho feio da história, que se sentia diferente, logo ela que acha o Ribatejo uma “região tão bonita e que não precisa de algo tão bárbaro quanto as touradas para a definir”. Natural de Vila Franca de Xira, vive em Alhandra, com o namorado, e Alhandra foi também a terra onde cresceu. Tem 30 anos e é técnica de farmácia no Hospital de Santa Marta, em Lisboa. O amor trocou-lhe as voltas ao estômago e nem foi por causa das habituais “borboletas”. Há seis anos saiu de casa dos pais e foi viver com o namorado. “Nessa altura, por vontade dele, decidimos alterar a nossa alimentação de modo a nos tornarmos vegetarianos”, recorda.
Patrícia nunca tinha pensado em ser vegetariana mas era ela quem cozinhava e as ementas começavam a repetir-se. Foi pesquisar e leu o que havia sobre vegetarianismo e veganismo. Mas foi só depois de ler um livro sobre o consumo alimentar de animais que decidiu assumir-se cem por cento vegetariana: “Foi no dia 1 de Janeiro de 2014”. Uma resolução de Ano Novo que até hoje se mantém firme.
Uma tarefa difícil para quem vive no Ribatejo, a terra do amor à festa brava? “É uma questão sempre complicada. Na verdade nunca gostei de touradas, mesmo antes de ter os ideais de vida que tenho agora. Sempre achei uma actividade cruel e sem sentido”, sublinha. Mesmo assim, nunca recebeu nenhuma crítica, também porque prefere ser discreta em relação à sua opção de vida. Mas durante as festas prefere afastar-se das ruas...
A opção de deixar de comer carne e peixe e todos os produtos de origem animal encontrou alguma resistência na família. “Estranharam no início porque não fui criada com este regime alimentar”. Depois, habituaram-se. E as senhoras da feira de Alhandra ganharam uma cliente fiel. “Faço as minhas compras dos vegetais e frutas frescas sempre na feira de Alhandra aos sábados de manhã e o resto ou produtos mais específicos da alimentação vegetariana compro nos supermercados normais”, revela. Não é preciso gastar muito dinheiro nem tempo. A base de alimentação de Patrícia e do namorado são os vegetais, as frutas, as leguminosas e os cereais: “Encontra-se um pouco por toda a parte porque é o que toda a gente come”, diz.

Sei o que fizeste no Verão passado
Apesar de Alhandra ser uma terra de tradição tauromáquica e de ser raro encontrar quem não aprecie um bom churrasco, foi precisamente aqui que Patrícia Ribeiro lançou uma segunda actividade: workshops de culinária vegan. “Sempre frequentei o Clube Recreativo de Alhandra e colaborei com eles em diversas actividades e um dia lembrei-me que poderíamos experimentar uns workshops para dinamizar o clube”. O primeiro aconteceu no Verão passado e este ano os workshops tornaram-se mais regulares, o que surpreendeu até a filha da terra.
“O que faço é demonstrar como fazer quatro receitas totalmente vegetarianas, que são sempre de acordo com o tema do workshop (que vai variando)”. E o que parece simples para Patrícia é uma grande novidade para os participantes: “Fazem-me muitas perguntas sobre como substituir alimentos de origem animal por alimentos de origem vegetal ou sobre como preparar determinados ingredientes que não conhecem tão bem”.
Para quem quiser assistir ou saber mais é só segui-la nas redes sociais, onde a alhandrense tem um blogue: www.notguiltypleasure.com, uma página de Facebook: https://www.facebook.com/ngpblog/?ref=ts&fref=ts e, claro, porque os olhos são os primeiros a “saborear”, uma página de Instagram: https://www.instagram.com/notguiltypleasure/.

Ser vegan também passa pela roupa

De acordo com Patrícia Ribeiro, o veganismo “é um estilo de vida no qual fazemos escolhas conscientes evitando ao máximo tudo o que resulte de exploração animal”. O pilar é a alimentação vegetariana, que é um regime alimentar à base de plantas onde tudo o que é ingerido tem origem vegetal, deixando de parte os ingredientes de origem animal (carne, peixe, ovos, lacticínios, mel, etc..). “Mas o veganismo tem ainda em conta outros aspectos do quotidiano, como a roupa que vestimos, os produtos de higiene e limpeza que usamos ou os espectáculos de entretenimento a que assistimos”, frisa a vegan.

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