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“Ser humilde é o mais importante na vida e esse valor está a faltar na sociedade”

“Ser humilde é o mais importante na vida e esse valor está a faltar na sociedade”

João Romaneiro, 44 anos, director desportivo da União Desportiva Adoslouquense

Edição de 19.07.2017 | Três Dimensões

João Romaneiro é dirigente associativo em A-dos-Loucos, Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira. Gosta do sentimento de união da aldeia onde vive e Alberto Loulé é a sua maior referência no associativismo. Sonhava ser piloto de ralis mas acabou como agente da PSP, um trabalho que o preenche. Com um amigo arrancou para Pedrógão Grande para ajudar as populações logo depois dos incêndios. O surf e o Kenpo são as suas duas grandes paixões fora do trabalho.

A minha maior loucura foi ir de Alhandra a Santiago de Compostela sozinho, de bicicleta. Fiz-me ao caminho sem apoio logístico nem nada. Foi só pegar na bicicleta e sair. Foi um desafio grande mas consegui.

Gostava de poder ir ao Havai contactar com os meus mestres de kenpo. Perceber ao vivo como se gere esta arte, os sentimentos, a energia, as crenças budistas que aplicam nas tribos guerreiras do Havai. Dos meus mestres recebo o enriquecimento mais puro e mais limpo que se pode ter.

Fui para Pedrógão Grande, voluntariamente, logo após os incêndios. Fui desafiado por um amigo que tem capacidade financeira para ajudar quem precisava naquele momento. Levámos roupas, comida, águas, tudo o que conseguimos recolher. Fizemos um movimento solidário aqui na colectividade e muita gente doou bens alimentares e outros. Estivemos lá três dias. Não há palavras para descrever o que vimos. Não me emociono facilmente mas aquilo é das coisas que nos marca.

Quando a minha casa foi feita toda a gente foi ajudar a encher a placa e no fim houve uma almoçarada. Esse espírito é algo que se foi perdendo com os anos. Em A-dos-Loucos gosto do facto de toda a gente se conhecer na aldeia. Toda a gente fez parte da criação de toda a gente.

Em A-dos-Loucos há uma grande ligação de todos à vida da comunidade. Vivo em A-dos-Loucos, Alhandra, desde miúdo. Os meus pais já cá moravam, o meu pai é natural de cá e a minha mãe, que perdi em Novembro, veio para cá trabalhar muito cedo, ainda miúda, ela era a referência da minha vida.

A colectividade da terra foi responsável pela minha ligação de sempre ao desporto. A UDCA - União Desportiva e Columbófila Adoslouquense resultou da fusão em 1997 de duas colectividades que aqui existiram. Alberto Loulé, que morreu num acidente de trabalho, é a minha referência no associativismo a nível desportivo. Temos orgulho em termos conseguido dar continuidade ao trabalho que ele começou. A máxima dele era puxar sempre mais por nós. Foi uma grande perda. Naquela altura o desporto praticamente acabou e pouco se desenvolveu aqui na aldeia.

Não sou um perfeccionista mas gosto que as coisas corram sempre da melhor maneira. Actualmente temos na associação ginástica rítmica, futsal, BTT, cicloturismo, atletismo e trail. Temos já algumas coisas a dar bastante trabalho e já somos perto de 60 atletas dentro do clube. A nível associativo temos praticamente toda a aldeia ao nosso lado nas nossas actividades. Para a aldeia é extremamente importante existir a associação porque se ela fechar fica apenas um café aberto na aldeia. A colectividade é um pólo agregador, é onde as pessoas se encontram e convivem e falam sobre praticamente tudo.

A minha maior paixão é a minha família e a humildade o valor que cultivo diariamente. É o principal valor da vida. Quem não tiver humildade não tem princípios. E esse é um valor que hoje em dia faz muita falta. O reconhecimento pelo erro, o respeito pelo próximo. A família é o meu grande pilar de apoio em todos os momentos.

Sempre sonhei ser piloto de ralis. Sou um fascinado incondicional por automóveis de tracção traseira e ainda somei alguns prémios nuns ralis sucateiros. Mas a minha paixão é o Kenpo, como já referi. Para além disso gosto de praticar surf. Comprei casa no Baleal (Peniche) de propósito para praticar e a minha filha Joana acompanha-me. O surf entrou na minha vida no final dos anos 70.

Nunca estive um dia sem trabalhar. Trabalho sempre mesmo quando estou em casa. Em jovem as minhas férias eram passadas na apanha da uva, na Cimpor ou nas obras. Agora sou agente da PSP com vinte anos de serviço efectivos. A nossa missão é ajudar o próximo. Por vezes a polícia não é bem vista pela sociedade porque há quem se tenha esquecido dos nossos valores e princípios.

“Ser humilde é o mais importante na vida e esse valor está a faltar na sociedade”

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