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Vereador em Constância renuncia e obriga a mexidas na maioria CDU no fim do mandato 
Daniel Martins

Vereador em Constância renuncia e obriga a mexidas na maioria CDU no fim do mandato 

Daniel Martins bateu com a porta a dois meses do final do mandato, em ruptura com a presidente Júlia Amorim, que foi apanhada de surpresa pela decisão e critica a atitude do agora ex-autarca.

Edição de 16.08.2017 | Política

O vereador da Câmara de Constância, Daniel Martins (CDU), que tinha os pelouros da Cultura e Desporto renunciou ao mandato na reunião de câmara de 10 de Agosto por razões pessoais e profissionais, no que é o culminar de divergências internas com a presidente Júlia Amorim (CDU), de quem chegou a ser vice-presidente até meio do mandato. A autarca foi apanhada de surpresa pela decisão do seu vereador e criticou a atitude. A substituir Daniel Martins até final do mandato vai estar Manuela Arsénio, ex-vereadora que era adjunta da presidente neste mandato.
Daniel Martins explicou a O MIRANTE que, em meados de 2015, já tinha comunicado que não iria integrar o próximo grupo autárquico da CDU, “exactamente após ter afirmado que não iria exercer mais o cargo de vice-presidente”. E acrescenta: “O partido, ao tomar parte pela presidente após eu ter referido a existência de procedimentos pouco coincidentes com o que entendia por boa gestão autárquica, deixou claro que era eu que estava a mais no grupo e não fazia parte do futuro do partido em Constância”. Por isso, afirma, “antecipei-me e poupei o partido da situação de me excluírem eles próprios”.
Acrescenta que também pesou na sua decisão o facto de que era o momento para regressar ao mercado de trabalho, “porque nunca quis fazer carreira política e no caso de ser eleito para mais um ou dois mandatos com toda a certeza que iria comprometer a minha vida profissional e pessoal”. Daniel Martins diz que, nessa óptica, era esta a altura de sair e afirma sair “satisfeito” com o seu desempenho individual, sublinhando que foi “uma honra muito grande servir a população do concelho de Constância”.
Contactada por O MIRANTE, a presidente da Câmara de Constância, Júlia Amorim (CDU), critica a forma como Daniel Martins renunciou ao mandato, afirmando que dias antes tinham tido uma reunião de coordenação onde se distribuíram tarefas para o mês de Setembro e o mesmo nada disse acerca da sua saída. “Do ponto de vista institucional, não foi a forma mais correcta de informar”, disse a autarca, que se afirma tranquila e diz que as razões profisionais invocadas pelo demissionário “são perfeitamente compreensíveis”, até porque vai trabalhar para o estrangeiro.
Júlia Amorim reconhece que houve divergências internas quanto à metodologia de trabalho e confirma que o vereador já tinha dito há muito tempo que não pretendia continuar na vida autárquica.

Ex-vereador não pensa voltar à política
Num breve balanço da sua passagem pela Câmara de Constância, Daniel Martins destaca a reorganização das Festas do Concelho e de Nossa Senhora da Boa Viagem, o processo de modernização administrativa em curso, os eventos ligados à poesia ou a criação da equipa de futebol sénior na Associação Cultural e Desportiva Aldeiense como momentos que considera marcantes.
Daniel Martins lamenta ainda não terem sido concretizados alguns projectos, como “a criação de pelo menos uma zona balnear que assuma o concelho como um destino para turismo de excelência no interior centro” ou “a ligação norte-sul do concelho não ter tido qualquer avanço neste mandato”. E, por fim, diz que não prevê um retorno à actividade política.

CDU com lista renovada em Constância

Júlia Amorim é novamente a candidata da CDU à presidência da Câmara Municipal de Constância. Seguem-se na lista Sónia Varino, Micael Dias, Manuela Arsénio e Rui Lopes. Os dois vereadores que acompanharam a presidente neste mandato – Daniel Martins e Arsénio Cristóvão – não se recandidatam.
Apesar das cisões internas no seio da CDU que levaram inclusivamente ao surgimento de um movimento independente que tem como candidato à câmara o ainda presidente da junta eleito pela CDU João Carlos Baião, Júlia Amorim afirma-se serena. “Não estou agarrada a nenhum lugar e aceitar e tranquilamente o que as pessoas decidirem”, afirmou ao nosso jornal.

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