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Jovens ribatejanos entre a elite mundial do ski náutico
Francisco Rodrigues

Jovens ribatejanos entre a elite mundial do ski náutico

Francisco Rodrigues, de Tomar, e Marta Simões, de Coruche, conseguiram o apuramento para o campeonato do mundo da modalidade, que decorre em Paris. Através da Internet conseguiram os apoios financeiros indispensáveis para participar na prova.

Edição de 06.09.2017 | Desporto

Francisco Rodrigues, de 24 anos, e Marta Simões, de 21, vão estar presentes no Campeonato do Mundo Open de Ski Náutico que se realiza em Paris entre os dias 3 e 10 de Setembro. Uma prova, dizem os dois, onde vai estar presente a elite da modalidade. São ambos atletas do Ski Clube Quinta Grande e estiveram à conversa com O MIRANTE antes da partida para Paris.
Marta Simões, de Coruche, começou a prática do ski náutico com apenas dois anos. O seu pai, Francisco Simões, é também o seu treinador. A esquiadora divide o seu tempo entre Lisboa, onde estuda Engenharia Informática, e as instalações do Ski Clube Quinta Grande, em Coruche. No Verão treina todos os dias. No resto do ano, desloca-se à quarta-feira e ao fim-de-semana de Lisboa para treinar. Apesar de ir competir com atletas mais velhos, Marta Simões revela ambição na hora de traçar objectivos: “Já estive em europeus e mundiais, mas na minha categoria, sub-21. Os campeonatos do mundo costumam realizar-se em países mais longínquos como os Estados Unidos da América, mas este ano foi em Paris. Sei que é um objectivo difícil, mas quero passar à final”, conta a atleta pouco antes de rumar à capital francesa.
Francisco Rodrigues, de Tomar, começou a prática do ski náutico por brincadeira. Tinha seis anos quando experimentou as águas da albufeira de Castelo do Bode para treinar. “A minha família tem casa em Castelo do Bode e os meus pais tinham aqui barco. Experimentei e a partir daí a paixão pelo desporto foi-se tornando cada vez maior. Foi uma sorte ter aqui casa porque se não tivesse provavelmente hoje não fazia ski náutico”, reconhece.
Francisco estudou Gestão de Empresas em Lisboa e, tal como Marta, dividiu o seu tempo entre Lisboa e Coruche. No último ano parou de estudar para se dedicar inteiramente ao ski. “O meu sonho é viver do ski e sinto que esse sonho está cada vez mais perto de se concretizar. Estou a dar mais aulas a cada ano que passa. Espero no próximo ano arrancar com um projecto pessoal”, revela.
Na hora de traçar objectivos, Francisco Rodrigues revela-se cauteloso: “Vamos estar a competir com esquiadores que eu via nos filmes quando era miúdo. Quando quero corrigir alguma coisa, vou ver vídeos deles porque servem de referência”.

Marta Simões

Angariação de fundos pela Internet
Marta e Francisco conseguiram o apuramento numa prova realizada em Madrid. Para realizarem o sonho de participar num Campeonato do Mundo Open faltava um pequeno obstáculo: o apoio financeiro. Sem o apoio da federação, Marta e Francisco criaram uma página na rede social facebook onde explicaram a sua situação. Há mais de 10 anos que Portugal não tinha atletas com resultados mínimos para poderem competir numa prova destas. A angariação de fundos não podia ter corrido melhor. Em três dias, os dois jovens atletas conseguiram o dinheiro suficiente para suportar as despesas inerentes à competição. “Tivemos a sensação de que por ser um Campeonato do Mundo foi muito mais fácil atrair patrocinadores”, conta Francisco Rodrigues.
Marta Simões conta que o ski náutico é um desporto com poucos atletas a competir: “Acho que há muita gente a praticar ski náutico como passatempo, mas como competição não”. Os custos de uma aula de ski náutico podem chegar aos 35 euros. “Não é um desporto barato, mas uma primeira experiência é acessível a qualquer carteira. Se se quiser competir é preciso algum trabalho e investimento. Mais do que um investimento de carteira pode ser um investimento pessoal”.
O ski náutico é um desporto associado ao Verão e ao bom tempo, mas Marta e Francisco não podem parar: “É mais duro treinar no Inverno”, conta Marta Simões. “A água está gelada e temos que usar fato”.
Francisco Rodrigues partilha da mesma opinião da sua colega de equipa: “Confesso que no Inverno há muitas vezes que não me apetece entrar com água a 8 graus. O número de treinos desce ligeiramente. Faz-se mais treino de ginásio”.
O Campeonato do Mundo Open reúne em Paris 180 atletas de 32 países.

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