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A corrida mais louca do Ribatejo é em Pontével

A corrida mais louca do Ribatejo é em Pontével

Carros de rolamentos para todos os gostos e feitios mostram-se durante as Festas em Honra de Nossa Senhora do Desterro.

Edição de 06.09.2017 | Economia

Já pensou rolar sobre um caixão e uma quermesse? Isso torna-se possível na “Corrida mais Louca do Ribatejo”, que se realiza pelas Festas em Honra de Nossa Senhora do Desterro de Pontével. Uma prova em que há de tudo menos motores a roncar e onde nem os com mais destreza se livram de alguns despistes e arranhões pelo meio. No total, foram onze os carros que desfilaram e animaram a vila na tarde de segunda-feira, 4 de Setembro, e que fizeram a delícia dos muitos que assistiram à prova.
Ainda sem prémio à vista, já os “Quarentões 2015” faziam a festa no seu carro de rolamentos em forma de quermesse. “Aproveitámos o nosso carro do ano passado que recriava o coreto da freguesia e fizemos só o telhado”, explica João Calisto, 42 anos, enquanto se refrescava com uma ‘loirinha’. “Esta é uma forma de homenagear aqueles que, desde o início das festividades, trabalharam na quermesse. É já um símbolo das nossas festas”, admite. E porque esta foi uma das suas brincadeiras de infância, o pontevelense confessa: “O que não me falta é experiência. Quando era criança já tinha as minhas manhas. Ainda assim caí muitas vezes e levei muitos raspanetes da minha mãe”.
Mesmo à frente, agarrado ao volante, está Paulo Silva, 53 anos. Com a forma do carro mais próxima dos carros de antigamente, diz que já participa na corrida há três anos confessando que este ano não teve muito tempo para modificar o carro. “Este ano só consegui fazer uma pequena alteração, mas continuo a vir”, admite, enquanto coloca o número de identificação do seu carro. E se hoje constrói carros mais sofisticados, antigamente, quando era criança, o seu jeito para a bricolagem não ficava atrás.
“Antes era com um bocado de pau e de madeira e fazíamos um carrinho de rolamentos”, conta, revelando que, de vez em quando, aparecia em casa com uns arranhões e as calças rasgadas. “Era da praxe. Depois os meus pais ralhavam comigo. Mas também não era muito. Eles até me davam dinheiro para ir comprar pregos”, admite.
Já de capacete na cabeça pronto a partir encontramos Paulo Pereira. A representar a equipa “Os Fumaças”, o jovem de 28 anos confessa que já é um condutor experiente nessas andanças. “Já quando era criança costumava brincar com carrinhos de rolamentos construídos com madeira e rolamentos velhos pelo meu pai. Ele é que é o culpado de eu gostar disto”, conta.

Participantes de primeira viagem
Mas esta não foi uma prova só de homens. Prova disso são as estreantes Ana Paula Barata e Ana Sofia Santos. A completarem 40 anos no próximo ano, as duas pontevelenses mostram-se entusiasmadas em participar, apesar de confessarem algum receio da prova de velocidade. “Já pedimos aos nossos colegas para irem mais devagar. Vamos lá ver”, revela.
Se Ana Sofia Santos já tinha assistido e inclusive ajudado na construção do carro dos “Quarentões 2016”, onde participou o seu marido, já Ana Paula Barata é a primeira vez que vê e vive a prova. “Eu não conhecia nem nunca tinha assistido a esta corrida. Vou-me estrear a todos os níveis”, admite Ana Barata. E acrescenta rindo-se: “Vai correr bem, afinal o caminho é sempre em frente”.

Um caixão vindo dos Estados Unidos

Repetente da prova de velocidade do ano passado, Joaquim Ferreira foi um dos que não perdeu a oportunidade de revalidar o título com o seu carro feito com um caixão. A representar a equipa “Os Mortos”, o participante, de 55 anos e também proprietário de uma funerária, conta que a famosa urna veio directamente dos Estados Unidos, do estado do Nevada. “Depois foi só cortarmos a parte da frente e colocarmos o assento e os rolamentos”, revela a O MIRANTE. Joaquim Ferreira diz que a primeira vez que participou foi com um caixão de madeira, mas, entretanto, depois vendeu-o e decidiu utilizar esta urna. “Acho que é a mais indicada para isto”, admite.

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