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Arguto Manuel Serra d’Aire

Edição de 28.09.2017 | Emails do Outro Mundo

Questionaste no teu último mail a abstenção das autárquicas de há quatro anos e o que raio andaram a fazer nesse famigerado dia 29 de Setembro de 2013 os 4,5 milhões de portugueses que se abstiveram, quase duzentos mil deles no Ribatejo. É uma boa pergunta para a qual é fácil dar resposta: nada!! Ou melhor, de tudo um pouco menos ir gastar tempo a apanhar seca numa fila e esperar que chegue a vez para pôr uns rabiscos nos boletins de voto.
E chegado aqui há uma coisa que me intriga: sendo os portugueses uns “maria vai com as outras” (basta ver como as modas se fixam com uma velocidade incrível e como o tuga se pela para estar sempre actualizado no que a elas diz respeito) e gostando este povo tanto de filas – basta ver como nos concentramos alegremente nas caixas dos hipermercados aos fins-de-semana ou nos acessos às grandes cidades todas as manhãs -, por que raio abominam as filas para ir votar? Ali há coisa!!!
E não me venham dizer que as pessoas se desinteressaram por política, pois quando há um candidato ou um partido mais generoso que põe à disposição da populaça uns porcos no espeto numa festa ou num comício a malta adere com tanta fossanguice como os abutres à carcaça de uma vaca. E nessas alturas ninguém se incomoda de ir para a fila (ou bicha, como alguns preferem dizer) em troca de umas febras e de umas fatias de pão.
Por isso, meu caro, a solução para o combate à abstenção é simples e está à vista de todos: deixem a malta ir à bola ao domingo, mas ponham mesas de voto à porta dos estádios. E já agora dos cinemas, das praias, dos lupanares, das igrejas, dos centros comerciais e de outros locais benquistos pela população. Ou então ponham uns porcos a assar no espeto junto às assembleias de voto a funcionarem como chamariz. Podes crer que era tiro e queda!
Agora falando de coisas sérias: o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca (PS), não se pode recandidatar ao cargo porque o Tribunal Constitucional considerou que o autarca não reunia condições por atravessar uma situação de insolvência. Os tribunais lá consideraram que não tendo Paulo Fonseca sido muito feliz a conduzir os seus negócios também não seria de muito bom tom dar-lhe nova oportunidade de gerir dinheiros públicos, apesar de o ter feito durante os últimos oito anos sem que daí viesse mal ao mundo.
São coisas que podem acontecer a quem anda com um pé na política e outro no mundo empresarial. Mas o que é mais extraordinário nesta trapalhada toda é a atitude do seu amigo e líder distrital do PS António Gameiro, licenciado em Direito e jurista, que não engoliu muito bem a situação e digeriu-a com alguma amargura nas redes sociais. Ou seja, é um homem de leis que, na boa senda da clubite aguda que atinge os adeptos do futebol, pelos vistos acha que a justiça é boa quando decide segundo os seus gostos e passa a ser uma justiça inconveniente quando teima em decidir contra as nossas vontades e simpatias. Ele que, diga-se de passagem, também já foi atingido pelo chamado braço longo da lei num processo rocambolesco quando era apenas um jovem advogado que ainda não se sentava nos cadeirões da Assembleia da República. Enfim, coisas da vida que acontecem aos melhores...
Saudações democráticas do
Serafim das Neves

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