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Listas de espera já chegaram aos escuteiros de Vila Franca de Xira

Listas de espera já chegaram aos escuteiros de Vila Franca de Xira

Cinco das oito organizações do concelho não conseguem acolher todos os interessados

Edição de 11.10.2017 | Sociedade

Quando se fala em listas de espera pensa-se em centros de saúde e hospitais mas estas também já chegaram a organizações como os escuteiros. No concelho de Vila Franca de Xira, cinco das oito organizações escutistas não conseguem dar resposta à procura e estão a criar um registo de pedidos para ir satisfazendo à medida que forem libertando vagas.
O Agrupamento 317 de Alverca, do Corpo Nacional de Escutas (escutismo católico), é o que regista a maior lista de espera, com cerca de três dezenas de jovens que não conseguiram entrar. Na Póvoa de Santa Iria estão vinte crianças e jovens de fora das duas associações existentes na cidade, o Agrupamento 773 do CNE tem cinco elementos em espera e o Grupo 257 dos Escoteiros de Portugal (movimento que aceita todas as religiões) tem quinze elementos a aguardar vez.
Em Vialonga regista-se também uma lista de espera já considerável, com vinte elementos à espera de lugar no Agrupamento 342 do CNE. O Grupo 148 da AEP não tem qualquer elemento a aguardar vaga. O Agrupamento 1164 de Alhandra também conta com dois elementos em lista de espera. Nas restantes associações - Forte da Casa e Vila Franca de Xira não há registo de elementos a aguardar vagas.
Recusar a entrada de jovens para o escutismo não é fácil e os motivos para que tal aconteça são transversais às associações do movimento existentes no município: falta de infraestruturas e de chefes. O novo chefe do Agrupamento 773, Bruno Gomes, explica a O MIRANTE que o principal problema é a falta de espaço nas instalações da sede dos escuteiros (cedidas pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira) e de adultos que possam acompanhar os jovens durante as actividades.
José Feliciano, chefe do Agrupamento 342 de Vialonga, e José Teixeira, chefe do Agrupamento 317 de Alverca, também colocam a ênfase na falta de recursos adultos. “Hoje em dia não há empregos certos, muita gente trabalha por turnos ou aos fim-de-semanas e isso complica a disponibilidade que os chefes têm para os jovens”, explicou José Teixeira.
Já José Coelho, chefe do Grupo 257 da AEP, refere que a própria associação impõe um limite de miúdos por cada secção. Para incorporar os elementos que ficaram em lista de espera seria necessário abrir uma nova secção com todos os problemas logísticos que daí advêm: mais espaço para os elementos e um maior número de adultos responsáveis. “Prefiro trabalhar com um grupo reduzido e com qualidade do que aumentar e ter problemas com isso”, sublinha.

Quase mil jovens nos escuteiros
Vila Franca de Xira é um município onde o escutismo envolve cerca de 900 crianças e jovens. Os mais pequenos compõem a maior parte das novas entradas. Normalmente são os pais a tomar a decisão da entrada das crianças. Mas não são só os mais novos que se sentem tentados a entrar para os escuteiros. Bárbara Moura é um desses casos. A jovem de 19 anos decidiu entrar, este ano, pela primeira vez para o Agrupamento 773 da Póvoa de Santa Iria (CNE).
A jovem já tinha ideia há algum tempo de entrar para o movimento. “Era muito céptica em relação aos motivos que estavam por trás dele, devido à minha relação, ou falta dela, com a religião e isso precipitou o meu julgamento”, salienta. As amizades que fez nos escuteiros e as actividades acabaram por aproximar esta estudante de medicina veterinária do Corpo Nacional de Escutas. “Descobri um espírito de união e amizade, bem como uma espiritualidade diferente”, conclui.

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