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“O país precisa de mudar para que os investigadores portugueses possam regressar”

“O país precisa de mudar para que os investigadores portugueses possam regressar”

Jorge Ferreira é de Santarém e vive na Alemanha há cerca de nove anos, onde é investigador na área da Biologia.

Edição de 11.10.2017 | Sociedade

Depois de se licenciar em Bioquimica, na Universidade da Beira Interior [Covilhã], Jorge Ferreira decidiu, em 2008, fazer um estágio profissional em Dresden, na Alemanha, através do programa Sócrates Erasmus. A ideia de estagiar em Dresden era aprender para depois poder partilhar, ensinar e aplicar esse conhecimento num grupo de investigação ou numa empresa farmacêutica em Portugal. No entanto, como a vida dá muitas voltas, e com a crise financeira que abalou o mercado português, o regresso de Jorge Ferreira a Portugal deixou de ser prioridade.
Natural de Santarém, o investigador, de 39 anos, tem feito a sua vida profissional na Alemanha. Após seis meses de estágio profissional com um grupo de investigação em Dresden foi convidado para trabalhar noutro grupo de investigação, no Center for Regenerative Therapies Dresden. “Concorri a uma bolsa de investigação da Universidade Técnica de Dresden e tive oportunidade de trabalhar com o sistema nervoso. A minha investigação principal centrava-se na cultura e diferenciação das ‘stem cells’ do sistema embriónico neuronal. Estive neste grupo cerca de ano e meio, onde aprendi novas técnicas de biologia”, explicou Jorge Ferreira em entrevista a O MIRANTE realizada através de email.
Quando terminou a bolsa de investigação da Universidade de Dresden surgiu a oportunidade de trabalhar na área da genética e microbiologia, na Universidade Humboldt, em Berlim. Alguns anos depois regressou a Dresden e, actualmente, é o único investigador biólogo no departamento de Anestesiologia na Unidade Hospitalar Carl Gustav Carus, em Dresden.
“O grupo onde estou a trabalhar está a desenvolver e avaliar novas formas de ventilação mecânica em caso de insuficiência respiratória aguda. O objectivo é desenvolvermos novas técnicas e terapias no processo de ventilação que ajudarão o paciente com uma patologia respiratória ou doença pulmonar obstrutiva a respirar melhor”, refere.
O escalabitano confessa que não pensa regressar a Portugal uma vez que, na sua opinião, o país carece de equipamento sofisticado utilizado em laboratório. “Portugal precisa de mudar a política da investigação cientifica para que vários investigadores portugueses que estão no estrangeiro possam regressar”, destaca.
Jorge Ferreira conheceu a esposa, de nacionalidade romena, na Alemanha, e estão casados há cerca de dois anos. O projecto em que está a trabalhar dura até 2019. Nessa altura, vai tentar continuar a viver na Alemanha mas se tal não for possível gostaria de trabalhar na Suíça, Suécia ou Dinamarca. “São países que possuem grandes pólos de investigação e onde existe uma interacção dos vários grupos de investigação. Essa interacção é fundamental pois permite discutir e perceber novas ideias na área da ciência e medicina”, afirma.

Saudades dos doces ribatejanos e do sol português

Jorge Ferreira explica que existem grandes diferenças entre Portugal e Alemanha. Os alemães são muito metódicos, planeiam muito antes de avançarem e são muito exactos, enquanto os portugueses são mais do ‘deixa andar’ e de desenrascar. Outra grande diferença é ao nível financeiro, sendo que a Alemanha é um país rico comparativamente com Portugal. “Por isso é que a Alemanha faz investimentos internos em áreas como a ciência e cultura, o que não acontece no nosso país”, lamenta.
De Portugal, confessa sentir saudade da família e dos amigos. Também sente falta do sol e a nível gastronómico é apreciador dos vários bolos da região do Ribatejo, sobretudo dos pampilhos e do doce conventual celestes. “Também tenho saudades dos bons momentos que costumo passar com os membros da Confraria do Ribatejo, onde tenho o privilégio de contactar com confrades de outras confrarias”, sublinha. Jorge Ferreira vem a Portugal uma ou duas vezes por ano, consoante o volume de trabalho.

“O país precisa de mudar para que os investigadores portugueses possam regressar”

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