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Moradores queixam-se de viver paredes-meias com uma lixeira
Cerca de uma centena de pessoas subscreveram abaixo-assinado que enviaram de Salvaterra de Magos

Moradores queixam-se de viver paredes-meias com uma lixeira

Família que mora num bairro de Salvaterra de Magos acumula toda a sorte de resíduos na sua casa e quintal. Vizinhança pede a intervenção das autoridades para o que consideram ser um caso de saúde pública.

Edição de 06.12.2017 | Sociedade

Maus cheiros, pombos mortos, moscas, ratazanas e baratas são algumas das consequências da autêntica lixeira que uma família de Salvaterra de Magos vai acumulando na sua casa e que tem motivado queixas da vizinhança junto das autoridades, por entenderem que se está perante um caso de saúde pública.
Em Julho, cerca de cem pessoas subscreveram um abaixo-assinado, que enviaram à Câmara de Salvaterra de Magos, onde pediam uma limpeza urgente à casa, situada num bairro junto à EN 144-3, propriedade do Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Salvaterra de Magos e arrendada a uma família composta por mãe e filho. O município solicitou a intervenção dos serviços de acção social no sentido de conseguir junto da família autorização para uma acção de limpeza e remeteu posteriormente um ofício ao Ministério Público (MP) pedindo autorização para realizar uma acção de limpeza nessa propriedade privada. O Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Salvaterra de Magos foi informado dessa intenção. No entanto essas diligências não deram resultados concretos até à data.
A resposta do Ministério Público chegou ao município a 26 de Outubro, solicitando mais alguns elementos sobre o caso. A autarquia respondeu no dia seguinte, reiterando a necessidade de autorização para proceder a uma limpeza forçada nessa propriedade privada. E vai pedir uma audiência ao MP para dar mais esclarecimentos. Até porque o problema não é de agora.
De acordo com a vice-presidente da autarquia, Helena Neves (PS), “a câmara, desde o primeiro momento, sempre se mostrou disponível para proceder à limpeza dos lixos caso se viesse a confirmar essa necessidade”. Quanto aos vários contactos telefónicos que receberam por parte de moradores do bairro, depois da entrega do abaixo-assinado, “os serviços de acção social explicaram-lhes sempre todas as diligências que estavam a ser tomadas e informaram que o processo poderia ser consultado em qualquer momento”.

“Alguém tem de tomar providências urgentes”
“Isto não pode continuar assim. Alguém tem de tomar providências urgentes. É uma questão de saúde pública”, admite um dos moradores do bairro, que pede para não ser identificado. Os moradores explicam que já apareceu de tudo nas suas casas, desde larvas a pombos mortos, até baratas. “Tem sido um martírio. Já nem sequer é possível ir ao quintal estender a roupa e quando se vai tem que se ir com uma máscara porque cheira muito mal”, desabafa outro morador.
E o pior, refere o mesmo morador, é que os vizinhos são muito violentos e ameaçam-nos quase diariamente. “Isto tem que se resolver, porque não é vida nem para eles nem para nós”, queixa-se, dizendo que já contactaram o centro de saúde e o centro paroquial mas a resposta é sempre que o caso está para análise.
Contactada por O MIRANTE, a técnica de saúde pública de Salvaterra de Magos, Joana Correia, não quis dar esclarecimentos sobre o processo, referindo apenas estar a acompanhá-lo.

Primeira limpeza removeu cinco toneladas de resíduos

O padre José Luís Gonçalves, da paróquia de Salvaterra de Magos, explica que a casa já foi limpa por duas vezes mas o problema é que volta sempre tudo ao mesmo. Só na primeira vez que se limpou, conta, retiraram-se mais de cinco toneladas de lixo. “Eram animais mortos em todo o lado, até no frigorífico”, adianta a O MIRANTE.
Na altura, “colocámos os dois habitantes da casa numa instituição em Santarém e avançámos com a limpeza. Pintámos a casa e deixámos tudo pronto para poderem usufruir”. Mais tarde, já em 2011, as entidades juntaram-se novamente para limpar a casa. “São casos muito sensíveis. Pessoas com problemas de saúde e não querem sair dali. Tem de haver uma solução à vista”, acredita.

Moradores queixam-se de viver paredes-meias com uma lixeira

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