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Eu matarruano me confesso!

Edição de 12.04.2018 | O MIRANTE dos Leitores

Se nunca ouviu falar do Manel, sobre o qual todos os que têm espaço para escrever o que querem nos jornais de Lisboa, se fartaram de escrever nos últimos dias, ou se só ouviu falar do Manel da canção do José Barata Moura que começava, “O Manel tinha uma bola...” ou de um Manel da sua terra que era campeão de dominó, não se preocupe porque não há motivos para isso.
O Manel, pelo que li, foi um empresário da noite e provavelmente também do dia que era cosmopolita, abriu alguns bares que estiveram na moda e que eram frequentados pela elite intelectual e alguns artistas de Lisboa, um dos quais teve como porteira aquela senhora a que muitos chamavam Guida gorda (na altura não era crime praticar bullying), que mais tarde criou a meritória associação Abraço.
Diz quem escreveu nos jornais lisboetas após a morte do Manel que afinal era Manuel Reis, que ele transformou Lisboa numa cidade cosmopolita, criou uma movida portuguesa, fez florescer os hipsters antes de haver hipsters, seja lá o que isso for e era culto como muitos outros amigos dele que com ele passavam horas a falar de coisas cultas. É provável que tivesse outros atributos mas estes foram os mais badalados.
Eu não sabia quem era o Manuel Reis e agora continuo sem saber muito bem. Quando ele encantava aqueles que agora o choram eu era um simples pacóvio do Ribatejo, tal e qual o que sou agora mas mais velho, que de Lisboa conhecia a carreira do autocarro que me levava da estação de Santa Apolónia ao emprego onde tinha que entrar às oito e meia e me trazia de volta ao fim do dia a tempo de apanhar o comboio de volta à terrinha, a tempo de jantar por volta das nove e meia ou dez da noite.
No comboio, quando não ia a dormir, ia a ler um livro ou um jornal e não fazia a menor ideia de que só seria um cidadão completo se migrasse para Lisboa e frequentasse a fila de espera de um bar da moda. Posto perante esta minha falha não sei se chore ou se ria.
Fernando de Carvalho

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