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Presidente do Politécnico de Santarém tem que ser mais atrevido e sair da secretária
José Mira Potes

Presidente do Politécnico de Santarém tem que ser mais atrevido e sair da secretária

Abrir o Politécnico de Santarém ao exterior e melhorar os serviços prestados aos alunos são pedras basilares da candidatura de José Mira Potes à presidência do instituto. O ainda director da Escola Agrária de Santarém advoga uma mudança de rostos e de métodos na gestão do IPS.

Edição de 07.06.2018 | Entrevista

Com que expectativas parte para estas eleições?

A primeira coisa a dizer é que esta é a candidatura das escolas à presidência do Instituto Politécnico de Santarém (IPS). Isto quer dizer que há um ano, quando começou o processo de eleição para o novo Conselho Geral, órgão que elege o presidente, as cinco escolas que constituem o IPS, através dos seus directores, juntaram-se e entenderam que era fundamental, oportuno e importante apresentar uma candidatura em que nos revíssemos todos. E o que aconteceu é que até foi a lista mais votada.

Mas neste momento as escolas não estão todas com a sua candidatura…

Já lá vamos. Como fomos a lista mais votada isso criou-nos uma responsabilidade: a de apresentar um candidato à presidência do IPS. É claro que não estivemos a dormir desde Junho até agora, mas até ao momento em que apresentámos a nossa candidatura não tivemos nenhum candidato disponível daqueles que contactámos. Portanto ficámos quatro directores, visto que a quinta, a nossa colega directora da Escola de Saúde, é apoiante da candidatura do professor Hélder Pereira. Mas uma coisa são as instituições e outra coisa são as pessoas. E aquilo que levou à construção da lista para o Conselho Geral é a base dos princípios que estão nesta candidatura.

E a escolha acabou por recair em si…

Reunidos os quatro directores que restavam, acabou por recair em mim a personificação da candidatura das escolas ao IPS.

Quais são as linhas mestras da sua candidatura?

Sublinho a honra que tenho em que os meus colegas tenham visto em mim a pessoa para liderar esta candidatura. Isto significa que eu não me vejo como o candidato ao IPS mas sim como o rosto de uma equipa que junta todas as escolas para renovar o IPS, independentemente de uma colega nossa ser apoiante de outra candidatura. E quando digo renovar não estou a querer criticar quem esteve cá antes e o trabalho que fizeram. Estou a dizer que temos de dar outro passo, de ser mais atrevidos, temos de sair da secretária e ir para o campo.

O IPS precisa de novos rostos?

Sim senhor, aceito! O IPS precisa de ser arejado. Isto é tudo gente nova, mas o que quero sublinhar é que isto só se faz com espírito de equipa, mesmo que cada um tenha as suas idiossincrasias. Mas respeitando-nos muito…

Acha que a candidatura concorrente representa uma linha de continuidade?

É evidente que se trata de uma continuidade se um actual vice-presidente se candidata agora a presidente. Mas é evidente também que os objectivos deles não hão-de ser muito diferentes dos nossos. Todos queremos promover o IPS. Temos do nosso lado uma inovação, que é termos as escolas envolvidas na gestão e em sintonia. Isso nunca aconteceu, por isso, quanto mais não seja, dêem-nos o benefício da dúvida.

Num colégio eleitoral tão reduzido, com 23 elementos, deve ser relativamente fácil perceber quem vota em quem?

Não sei o que é que cada um pensa. Mas daquilo que fomos recolhendo ao longo do tempo junto dos colegas docentes, dos representantes dos funcionários e dos alunos foi simpatia pelas nossas propostas, por aquilo que nós entendemos que deve ser a gestão do IPS. Onde é que vão votar? Não faço ideia! Como se costuma dizer, até ao lavar dos cestos é vindima.

Tendo os directores de quatro das cinco escolas do IPS com a sua candidatura, presume-se por exclusão de partes que pode ser considerado favorito. Apesar do Conselho Geral ter também pessoas de fora da academia...

Está a querer que lhe diga se já estive a fazer a contabilidade para saber se temos maioria ou não… Tenho pouca habilidade para a aritmética, sou mais zootécnico. Obviamente que temos os nossos contactos e as nossas ideias, mas o mais importante é fazer passar a mensagem de que as escolas têm que estar na gestão do IPS. Isso é o inédito de um instituto que tem 36 anos e nunca assisti a uma convergência de opiniões dos directores das escolas todas. Não estou a dizer que a nossa colega da Escola de Saúde, Isabel Barroso, que muito prezamos, esteja a apoiar a nossa candidatura. Mas que ela está connosco no que nós sentimos, disso não tenho dúvida absolutamente nenhuma.

Até agora tem havido um divórcio entre as escolas e a presidência do IPS, embora as pessoas que dirigem o IPS sejam pessoas ligadas às escolas?

O actual presidente do IPS pertence aqui à Escola Agrária. Isto dos adjectivos é sempre complicado, como dizer que há divórcio ou não há divórcio. As coisas correm como têm corrido e até escreveram que eu tinha estado a criticar a actual gestão, mas não é de todo isso… As críticas vêm de fora, vêm da tutela, porque o IPS tem atravessado uma fase muito complicada de há dois ou três anos a esta parte. E isso é a tutela que o reconhece e que nos confronta com isso.

Foi o senhor que no anúncio da sua candidatura falou de “organização e gestão pouco eficientes no IPS, tanto dos seus recursos financeiros como humanos”.

Não sou eu que digo isso directamente. Refiro aquilo que é reconhecido por fora. Daí a nossa responsabilidade em mudar isso. E é isso que interessa nesta candidatura. Temos que dar a volta a isso.

Nesse caso está a reconhecer que essas críticas são legítimas.

(risos) Pois se nós somos confrontados com isso, se a tutela e o senhor ministro já nos confrontaram directamente com o problema, temos de reconhecer que alguma coisa não está bem. Mas mais do que estar agora à procura de culpados o mais importante é tentar arranjar a solução para o problema.

“Eu de político não tenho nada”

Podem haver interferências partidárias neste processo, até porque alguns dos membros do Conselho Geral são militantes de partidos políticos?

Olhe meu amigo, eu de política não tenho nada. Não tenho cartão, não pago quotas, não tenho coisa absolutamente nenhuma. Quanto às pressões políticas, claro que as há, mas para mim não é a política que vai resolver isto. É esta equipa que se propõe a determinados objectivos.

Tem apoios políticos declarados à sua candidatura?

Como disse, não sou político por isso não fui à procura de políticos para me apoiarem. Se eles entenderem que as nossas ideias merecem o apoio deles, encantado da vida. Até já vi num jornal que há um ex-candidato que manifestou concordância com as nossas propostas. Isso para mim é que é importante. Muito mais do que o apoio político em si.

A directora da Escola Superior de Saúde de Santarém disso que prefere um presidente do IPS que seja da casa a uma personalidade exterior à comunidade académica. Concorda com essa visão?

Penso que essa é a posição de todos os directores das escolas. Todos dizemos o mesmo. Dificilmente alguém de fora consegue entrar dentro da conjuntura, dentro da problemática, num mandato de quatro anos. Quando se chega a inteirar da situação passou o tempo e não conseguiu fazer nada. Cada um de nós conhece muito bem as suas escolas. E isso pode ser meio caminho andado para que quem vá presidir ao IPS tenha mais facilidade em conhecer e integrar todas as escolas.

Uma visão de fora, mais distanciada, não poderia ser uma mais valia e abrir novos horizontes à instituição?

Isso é o que faz o Conselho Geral, que tem seis personalidades externas indicadas pelas escolas e pelos serviços centrais. E o presidente do Conselho Geral sai de entre essas seis personalidades. O que significa que é pôr no exterior a direcção desse órgão que elege o presidente do IPS. É aí que tem que estar o apoio da comunidade externa.

O que pretende fazer de diferente em relação à gestão de Jorge Justino?

O professor Justino, por quem todos temos simpatia, é uma pessoa que está no fim de carreira, que tem a sua maneira de ser... O que quer que lhe diga? Em termos de gestão, achamos que esta presidência, como todas as que a antecederam, nunca teve suficientemente presente a importância de as escolas estarem na gestão do IPS. Isto é o que constatamos, não é estar a criticar o professor Justino ou os seus antecessores.

O que é que isso pode trazer de mais valia para o IPS para além da proximidade das escolas à sua gestão?

Acho que há uma mais valia clara e evidente. Há dois anos fomos confrontados com a tutela que o IPS estava com um défice de dois milhões, à volta disso, no orçamento. E foi-nos dito muito claramente: querem dinheiro, trabalhem para ele. Nós respondemos trabalhando, fazendo projectos. No meu caso, da Escola Superior Agrária, no ano passado apresentámos qualquer coisa como 26 projectos, o que representa para cima de um milhão e meio de euros. Isto com 41 ou 42 docentes. É um número que poucas instituições se podem dar ao luxo de conseguir e que se pode replicar a todas as outras escolas se trabalharmos em sintonia, que é o que já estamos a fazer.

Politécnico de Santarém tem uma relação muito fria com a cidade

Como avalia a relação entre o Politécnico e a cidade?

Vejo a relação muito fria. Não estou a criticar mas já recebi dois ou três telefonemas de pessoas reconhecidas, de entidades regionais, de associações, a felicitarem-me por dar a cara por esta candidatura. É gente com peso na região. Isto significa que gente que tem peso na região me reconhece algum mérito, nos cargos que tenho desempenhado, de abertura ao exterior. Que é o que tenho feito nesta escola. A minha preocupação tem sido sempre a de abrir as instituições ao exterior.

O seu concorrente diz o mesmo.

Com certeza, todos temos que dizer o mesmo. A questão está em mostrar como é que se faz. E eu tenho disso para a troca. Basta ver os relatórios de actividades das instituições por onde passei. E quando digo que tivemos na Escola Agrária 26 projectos e um milhão e meio de euros, isso não se faz sentado aqui na secretária. Temos que ir lá fora à procura dos parceiros para os projectos, tem que haver empresas interessadas. Isto não se faz fechado e sozinho.

A fusão entre instituições do ensino superior parece ter saído da agenda. Para si é um erro ou um alívio?

Respondo de outra maneira. Vamos primeiro mostrar o trabalho que somos capazes de fazer. Claro que tenho a minha opinião…

Mas é uma questão que não está para já no seu caderno de encargos?

O nosso trabalho agora é renovar, é abrir o IPS, mostrar trabalho. Depois de termos feito isso, então talvez possamos começar a pensar como é que podemos tornar mais eficiente as tais formas de, por exemplo, Santarém deixar de ser o único distrito do país com dois politécnicos. Um dia virá alguma tutela questionar sobre isso.

Os elogios ao Politécnico de Tomar

Nesse âmbito tem alguma coisa pensada sobre a relação com o Politécnico de Tomar?

O que tenho pensado é que aquilo que Tomar tem feito, que é sair para o exterior, relacionar-se com a comunidade envolvente, ter parcerias com empresas, é o que nós temos que fazer. Depois de fazermos isso, talvez a gente se possa sentar com Tomar…

Acha que o Politécnico de Tomar tem estado à frente nesse campo?

Nesse aspecto temos que constatar que é uma realidade. O relacionamento do Politécnico de Tomar com a comunidade empresarial da zona é uma constatação, não estou a inventar nada. Só temos é que mostrar capacidade para nos podermos abrir, captar projectos e a confiança da comunidade empresarial. Depois de conseguirmos isso podemos então começar a pensar como é que podemos rentabilizar melhor e tornar mais eficiente a organização do ensino superior politécnico da rede.

A carteira de cursos que existe no Politécnico de Santarém está adequada à realidade social e económica desta região?

Está em adaptação constante. A Agrária propôs o ano passado duas novas licenciaturas que foram aprovadas, a Educação está a renovar uma, a Saúde está a propor mais uma licenciatura e tudo isto são licenciaturas que envolvem mais do que uma escola. Esta actualização ou adaptação às novas procuras do mercado passa muito pela integração das escolas e pela internacionalização.

Falando da única escola que não tem sede em Santarém, a Escola Superior de Desporto de Rio Maior. A reivindicação da construção de uma residência de estudantes tem sido constante há anos. Vai apoiar essa causa?

Vou é dar os parabéns ao director da escola, João Moutão, que foi o grande obreiro. O sucesso é todo dele. O trabalho que desenvolveu é que moveu montanhas.

Já está garantida essa obra?

(responde o director da Escola de Desporto, João Moutão) Falta passar o cabo da Boa Esperança. Temos o orçamento já assinado pelo senhor ministro para a actualização do projecto. São 130 mil euros que já foram transferidos para o IPS, para actualizar o projecto às normas vigentes, pois o projecto tinha quase 15 anos. O investimento de uma verba considerável na actualização do projecto dá-nos alguma esperança de que seja apoiada a construção da residência de estudantes. Temos esse compromisso do ministro assumido na Assembleia da República.

Um alentejano que fez carreira académica no Ribatejo

José Mira Potes nasceu no dia 17 de Maio de 1957 em Santo Antão, Évora, e tem residência em Arraiolos, igualmente no Alentejo. É casado e tem uma filha. É licenciado em Engenharia Zootécnica e tem uma pós-graduação e um mestrado em produção animal. Tem ainda o título de especialista em agro-silvo-pastorícia. É professor na Escola Superior Agrária de Santarém desde 1982 e é director dessa escola há quatro anos. Tem tido também actividade empresarial em sociedades agro-pecuárias e de valorização de produtos de cortiça.

Lista composta por três directores de escolas

José Mira Potes vai ter como candidatos a vice-presidentes na sua lista o director da Escola Superior de Educação de Santarém, Nuno Bordalo Pacheco, e o director da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, João Moutão.

Presidente do Politécnico de Santarém tem que ser mais atrevido e sair da secretária

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