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Condutora que andou em contramão na Rua O tem 84 anos e ainda quer conduzir

Familiares já tinham avisado para Lina evitar conduzir mas esta ainda não está convencida

Edição de 14.06.2018 | Sociedade

A condutora que circulou em contramão durante três quilómetros na Circular Urbana de Santarém (Rua O), até chocar com outro carro, já tinha sido avisada pelos familiares que devia evitar conduzir por causa da idade. Lina Augusta tem 84 anos e considera que ainda está em condições de conduzir. Na madrugada de 5 de Junho a noite escura ajudou à desorientação da condutora no acesso à circular, também conhecida como Rua O, e meteu-se em sentido contrário com as suas duas netas, de 12 e 20 anos, dentro do carro, que ficaram feridas sem grande gravidade. As consequências só não foram piores porque à 1h15 havia pouco trânsito e tanto a idosa como o outro condutor circulavam devagar.
Apesar do acidente e do susto, Lina ainda tem esperança de voltar a pegar no volante e está a tentar convencer a família das suas capacidades. O genro é que não está para condescender. “Ela ainda está com esperança de voltar a conduzir, mas não acredito muito. Ela tem de perceber que já não tem idade para conduzir, sobretudo de noite”, refere Óscar Pinto a
O MIRANTE, realçando que o acidente só não teve consequências mais graves porque todas tinham posto o cinto de segurança e os airbags abriram.
Quando a condutora, de 84 anos, residente em Santarém, estava a entrar em contramão, as netas ainda a questionaram, mas Lina só teve consciência do erro quando já estava dentro da Rua O. “Ela entrou em pânico e, em vez de fazer inversão de marcha, decidiu continuar”, explica Óscar Pinto. Lina Augusta entrou na zona da Portela das Padeiras e foi até à zona da saída para a Ponte Salgueiro Maia e para a Nacional 3.
Lina Augusta tinha ido levar uma nora junto da fábrica Font Salem, (antiga Cintra) onde se encontrava o marido e filho de Lina. As netas da condutora também foram na viagem no Mitshubishi Lancer. No regresso, “como estava muito escuro, desorientou-se e não se apercebeu que entrou no sentido errado”, conta Óscar Pinto.
Lina Augusta fracturou o nariz e duas costelas. A neta de 12 anos, que ia no banco de trás, fracturou o nariz e sofreu um corte profundo nos lábios. Quanto à neta de 20 anos teve apenas algumas escoriações. Todas foram assistidas no Hospital de Santarém, sendo que a vítima mais nova foi posteriormente transferida para o Hospital de Dona Estefânia (Lisboa). Já tiveram alta médica e encontram-se a recuperar.

Acidente não foi caso único

Os acidentes com carros em contramão não são frequentes na Circular Urbana D. Luís, em Santarém, mas alguns casos tiveram consequências graves. Geralmente as situações acontecem com idosos e a mais grave ocorreu em Março de 2011, quando um condutor de 68 anos morreu ao circular nessa via em contramão após embater frontalmente noutro veículo.
Em Maio do ano passado, na Ponte Salgueiro Maia, um condutor de 71 anos também percorreu alguns quilómetros até perto da saída para a circular urbana de Santarém, sempre em contramão. Dessa vez não se registaram vítimas. 2011 foi um ano com mais casos de contramão nesta circular. Em Outubro, um veículo ligeiro em contramão, junto ao hipermercado Pingo Doce, provocou um acidente em cadeia que envolveu quatro viaturas, mas não se registaram feridos.
O responsável pelas relações públicas no Comando Distrital da PSP de Santarém, Jorge Soares, explica que o que acontece é que as pessoas de mais idade, quando conduzem a partir de uma certa hora do dia, ficam desorientadas e deixam de ver os sinais. “Há uns 20 ou 30 anos não havia contramãos. Agora as autoestradas têm uma nova dinâmica e as pessoas de mais idade não estão actualizadas de como circular nestas vias”, comenta o subcomissário.

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