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Nos últimos oito anos Ourém perdeu oportunidades de investimento e qualidade de vida
O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque

Nos últimos oito anos Ourém perdeu oportunidades de investimento e qualidade de vida

O presidente da Câmara de Ourém recuperou a liderança do município para o PSD, em coligação com o CDS, depois de oito anos de maioria socialista. Luís Albuquerque crê que a sua equipa teria ganho as autárquicas de 2017 com maioria absoluta mesmo que o candidato do PS tivesse sido Paulo Fonseca. Diz que o concelho de Ourém tem falta de pessoas e que o município está a apostar na criação de empresas que gerem riqueza e fixem população. Uma entrevista por ocasião de mais um aniversário da elevação de Ourém a cidade.

Edição de 21.06.2018 | Entrevista

A impossibilidade do anterior presidente da câmara, Paulo Fonseca (PS), se recandidatar facilitou-lhe a vida? Seria mais difícil ganhar contra ele?

Independentemente de quem fosse o candidato do PS a coligação PSD/CDS ganharia sempre as eleições autárquicas de 2017. Ganhamos por mais de três mil votos. Com Paulo Fonseca como candidato, o PSD/CDS ganharia na mesma. Poderia não ser com um número tão elevado mas ganharíamos com maioria absoluta. Isso era indiscutível. Sentíamos no contacto com as pessoas que elas tinham um grande desejo de mudança. Foram oito anos em que se perderam oportunidades de investimento e perdeu-se também melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Em termos pessoais, como viu a situação que afectou Paulo Fonseca e o impossibilitou de se recandidatar?

Não me meto, nem tenho que meter, em questões pessoais e em questões de tribunais. Os assuntos de tribunais devem ser resolvidos em tribunal.

Tem falado com ele sobre questões autárquicas ou dossiês que tenham ficado pendentes?

No período de transição entre as eleições e a tomada de posse tive duas ou três reuniões com ele, onde me passou alguns dossiês mais importantes. Obviamente que não poderíamos abordar tudo, porque havia muita coisa para falar. Depois disso não tivemos mais contacto, não o tenho visto.

Tem uma relação pessoal com ele ou apenas institucional?

Conheço o Paulo há muitos anos, antes de ele ser presidente de câmara. Não somos amigos mas dou-me bem com ele. Tivemos algumas divergências políticas mas isso faz parte da política. Fora da política sempre tivemos uma relação normal e nunca tivemos qualquer tipo de azedume.

Depois de ter sido eleito foi a Fátima agradecer?

Já fui a Fátima, como costumo ir habitualmente, mas ainda não está totalmente cumprida a promessa. Parte da promessa é ir a pé a Fátima, que ainda não foi cumprida pois não tive oportunidade, mas vou fazê-lo ainda este ano.

O seu pai [Mário Albuquerque] também foi presidente da Câmara de Ourém durante dez anos. Sente o peso por ser filho de um homem que desempenhou as mesmas funções?

Quando fui candidato há quatro anos havia quem dissesse que era uma dinastia que se queria impor na câmara por o meu pai ter sido presidente. Tenho muito orgulho no pai que tenho e no que ele fez pelo concelho mas o meu pai não é presidente de câmara há muitos anos por isso não considero que exista alguma dinastia. Entretanto, esses comentários desapareceram e as pessoas perceberam que o meu pai fez o seu caminho e eu estou a fazer o meu. Não sinto responsabilidade acrescida por ser filho de um antigo presidente do município. Tenho muito orgulho quando as pessoas me abordam para elogiarem o meu pai e o que ele fez pelo concelho.

Tem receio que sejam feitas comparações entre os dois?

Os tempos são outros e não há comparação entre ambos em termos do trabalho que houve no passado e que existe hoje.

Pede conselhos e opiniões ao seu pai em relação a decisões que tenha que tomar no lugar que ocupa?

Infelizmente, desde que estou na câmara não falo com ele com a frequência que era habitual. Este lugar é muito absorvente e o tempo para estar com ele e com a família não é tanto quanto gostaria. Mas sempre que estamos juntos obviamente que falamos sobre assuntos que estão na ordem do dia.

“Queremos mais gente a viver no concelho de Ourém”

O concelho de Ourém celebrou mais um aniversário no dia 20 de Junho. O que faz falta ao concelho?

Faltam mais pessoas a viver no concelho. O concelho de Ourém tem 45 mil habitantes mas tem uma área muito vasta e faltam pessoas sobretudo nas cidades. Há cerca de dez anos tínhamos perto de 50 mil habitantes. Essa é uma das principais causas que impede um maior desenvolvimento. Ourém, que é sede de concelho, tem cerca de seis mil pessoas, o que é muito pouco. Um dos nossos grandes objectivos é trazer mais pessoas para viver em Ourém.

Como é que isso se faz?

Criando emprego, trazendo empresas para cá que criem riqueza. Estamos a apostar muito na área empresarial, na captação de novas empresas. É por isso que o dia 20 de Junho foi dedicado em grande parte ao mundo empresarial, com a abertura do Espaço Empresa, com a assinatura do protocolo com a Nersant para instalação das startups. Vamos também ampliar a zona industrial de Caxarias. Também já reunimos com empresários da zona industrial de Seiça/Ourém para tentar perceber algumas das suas dificuldades e vamos iniciar um projecto de requalificação desse espaço. Pretendemos melhorar também o acesso da zona industrial ao IC9, entre outras iniciativas para desenvolver a economia do concelho.

Oito meses depois de ter tomado posse como presidente da câmara que balanço faz do seu mandato?

Já conseguimos pôr a mexer muitas coisas, sobretudo na área empresarial. Já conseguimos colocar em prática algumas das nossas bandeiras do programa eleitoral, nomeadamente o apoio à natalidade. O ParticipOurém foi apresentado no dia 20 de Junho. É uma aplicação que os ourienses podem instalar nos seus telemóveis e através dela comunicar com a câmara municipal alguma anomalia que tenham encontrado no espaço público.

O que é que tem sido mais complicado de gerir?

Em todas as organizações o mais complicado de gerir são os recursos humanos. Temos procurado fazê-lo da melhor forma mas é uma área difícil. Temos também algumas situações do passado que encontramos e que temos procurado resolver, nomeadamente o restabelecimento de relações com entidades que directamente lidam com o município e que, no passado, por um motivo ou por outro, não eram as melhores.

Está a falar das relações com o Santuário de Fátima?

Do Santuário de Fátima e de outras entidades com que o município lida diariamente e em que havia algum mal-estar no relacionamento. Temos conseguido fazê-lo e hoje o nosso relacionamento institucional com qualquer entidade que connosco lida é saudável.

O processo sobre a parcela de terreno em Fátima foi bem gerido? O que falhou?

O que acho que falhou foi o facto de o assunto ter extravasado para a praça pública. A gestão do processo não foi a melhor. Neste momento, temos as relações normalizadas com o Santuário de Fátima e era fundamental isso acontecer. Podem existir divergências de opiniões entre a Câmara de Ourém e o Santuário de Fátima mas essas divergências que possam existir deverão ser tratadas internamente e de forma correcta. A partir do momento em que o município elabora um infomail à população de Fátima sobre o que se estava a passar obviamente que isso iria deixar sequelas nas relações entre ambas as instituições.

“Ourém não tem as tradições ribatejanas”

Como é que pode atrair os milhões de turistas que todos os anos visitam Fátima ao resto do concelho de Ourém?

Esse é um grande desafio que temos pela frente. Temos diversas ideias para o fazer, uma delas é fazer a ligação que existe entre Ourém e Fátima. Recentemente, o Museu Municipal de Ourém foi distinguido com o prémio “Inovação e Criatividade” pela Associação Portuguesa de Museologia. Os três pastorinhos estão ligados a este museu uma vez que o local onde funciona é a chamada “Casa do Administrador”, onde as três crianças passaram aquando das Aparições. Temos apostado nesta ligação de forma a cativar os turistas para visitarem também Ourém e não apenas Fátima. Estamos também a desenvolver a Rota dos Pastorinhos, dos locais onde Francisco, Jacinta e Lúcia passaram. Ourém está intimamente ligada à história de Fátima, só temos que dar a conhecer essa história aos turistas.

O Castelo de Ourém também pode ser incluído nessa aposta do turismo?

O Castelo de Ourém é um local onde estamos para investir cerca de dois milhões e meio de euros para o reabilitar e tornar mais visitável e mais atractivo aos turistas. Vamos começar no próximo mês de Julho com uma campanha junto da Rodoviária que vai ter um tour diário para trazer turistas de Fátima para o Castelo de Ourém.

Continua a existir rivalidade entre Fátima e Ourém. Como se combate essa rivalidade de modo a unir o concelho?

São duas cidades onde continua a haver alguma dificuldade de ligação e não é fácil gerir essa situação. Sou de Ourém mas tenho uma grande ligação a Fátima, onde vivi e trabalhei durante alguns anos. Enquanto presidente do concelho de Ourém tento gerir a situação da melhor forma. Tento ser o mais justo e equilibrado possível em todo o concelho sem esquecer a importância que Fátima tem no nosso concelho.

O concelho de Ourém deveria pertencer ao distrito de Leiria?

O concelho de Ourém, fruto da sua localização, está numa situação complicada. Para dar um exemplo, ao nível da CCDR, em termos de planeamento, estamos ligados à CCDR Lisboa e Vale do Tejo, em termos de fundos comunitários estamos ligados à CCDR Centro. Depois há a afinidade dos ourienses ao concelho de Leiria. No entanto, o concelho é muito grande e a população do norte do concelho está mais ligada a Tomar. Temos esta dificuldade em estarmos integrados apenas num lado.

O concelho de Ourém tem raízes ribatejanas?

O concelho de Ourém não tem as tradições ribatejanas. Em termos de uso e costumes estamos mais perto de Leiria do que de Santarém, até pela proximidade geográfica.

O autarca que continua a visitar a sua empresa todos os dias

Desde que assumiu a presidência da Câmara de Ourém, em Outubro do ano passado, que Luís Albuquerque, Técnico Oficial de Contas de profissão, deixou a sua empresa de contabilidade nas mãos dos seus outros dois sócios gerentes, a quem agradece a compreensão pela ausência que o seu cargo público obriga. No entanto, todos os dias, de manhã ou ao final do dia, passa na empresa onde continua a acompanhar o que se passa.
Luís Albuquerque, 51 anos, viveu sempre em Ourém mas nasceu em Abrantes. Os seus pais tinham ido passar o Natal a Mouriscas, localidade de onde a sua mãe é natural, quando no dia 24 de Dezembro Luís Albuquerque nasceu. É devoto de Nossa Senhora de Fátima mas admite que não é tão praticante quanto gostaria. Confessa, no entanto, que todos os anos, a 31 de Dezembro, passa alguns momentos no Santuário de Fátima. E no primeiro dia do ano também gosta de ir à missa ao Santuário.
Enveredou no mundo da política há 16 anos mas antes fez carreira no futebol distrital. Começou a dar toques na bola em criança mas só aos 15 anos integrou a equipa de juvenis do Clube Atlético Ouriense (CAO). Foi sempre guarda-redes. Naquela altura a formação no futebol ainda era incipiente e o jovem Luís fazia o gosto ao pé sobretudo nas ruas perto de casa, que se transformavam em campos de futebol improvisados. Muitas vezes ficava a jogar até a mãe o chamar para jantar.
Depois de três anos no CAO mudou-se para o Centro Desportivo de Fátima (CDF), onde fez toda a sua carreira como sénior, à excepção de três anos em que jogou no Alcanenense. A equipa do Fátima era profissional mas Albuquerque sempre conciliou o futebol com a sua profissão. Como atleta do CDF foi campeão nacional da 3ª divisão e subiu três vezes à 2ª divisão nacional. Terminou a carreira aos 34 anos, quando se saturou de jogar à bola.
Depois de arrumar as chuteiras enveredou pelo dirigismo desportivo. Foi presidente do CDF durante nove anos. Foi nessa altura que o clube de Fátima alcançou os seus maiores êxitos desportivos. Foi campeão nacional da 2ª divisão tendo subido por duas vezes à 2ª Liga Nacional de Futebol. Casado há 26 anos, tem um filho com oito anos.

Nos últimos oito anos Ourém perdeu oportunidades de investimento e qualidade de vida

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