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Doente que se atirou de janela do hospital estava a passar por momentos difíceis

Maria, de 64 anos, reformou-se por problemas de saúde e tem o companheiro internado com doença grave

Edição de 21.06.2018 | Sociedade

A doente que se atirou da janela do serviço de psiquiatria do Hospital de Santarém recusava-se a aceitar que estava doente. Maria Jorge, de 64 anos, estava internada no serviço desde o dia anterior. Ultimamente residia em Pernes, concelho de Santarém, em casa de uma irmã, porque o companheiro, que sofre de Parkinson, tinha sido internado no mesmo hospital há quinze dias. Amílcar Gouveia sentiu-se mal e deu entrada nas urgências, onde lhe foi diagnosticado um aneurisma cerebral, tendo sido transferido para o Hospital de S. José, em Lisboa, para ser submetido a uma cirurgia.
Na manhã de 13 de Junho, Maria estava a tratar do processo para internar o marido numa unidade de cuidados continuados quando entrou num estado de nervos e ansiedade muito grande. A irmã, Elvira Jorge, com quem estava a residir ultimamente, apercebeu-se e mandou-a ir descansar para a sua carrinha. Passados uns minutos, quando foi ver se a irmã estava mais calma, encontrou-a com o cinto de segurança enrolado ao pescoço.
Foi na sequência deste episódio que Elvira ligou para a linha de emergência 112. Os bombeiros transportaram-na para o hospital, onde foi encaminhada para o serviço de psiquiatria. Maria chegou a espetar canetas nos pulsos e os profissionais do hospital decidiram amarrá-la como medida de segurança. Só na manhã seguinte é que tiraram as ligaduras que a prendiam à cama. “Se sabiam que ela não estava bem porque a desamarraram e permitiram que isto acontecesse”, questiona revoltada Elvira Jorge, aguardando ainda uma explicação do hospital sobre o sucedido.
O caso ocorreu pelas 8h45 do dia 14 de Junho. Maria tinha pedido para ir à casa de banho, mas acabou por dirigir-se à janela da enfermaria do serviço onde estava internada, a única possível de se abrir, e atirou-se de pés para cima de um telheiro, de onde rebolou depois para o chão. Maria sofreu múltiplas fracturas nos dois pés, nas costelas e nas vértebras. Está internada, neste momento, na Unidade de Cuidados Intensivos, devendo ser transferida, quando estiver mais estabilizada, para o Hospital de São José, devido à gravidade dos ferimentos.
Maria trabalhou durante 20 anos num café em Pernes, freguesia de onde é natural, até passar a ajudante de lar na Misericórdia de Pernes. Há um mês, por problemas de saúde, reformou-se. Conhecida como uma mulher pacata e poupada, raramente era vista nos cafés e restaurantes da zona. A sua vida dividia-se entre o trabalho e as tarefas domésticas. Foi depois do marido ser hospitalizado que a mais velha das duas irmãs, Elvira, notou que Maria estava menos conversadora e cabisbaixa. Ainda a aconselhou a ir ao médico, mas ela sempre se recusou.
Recorde-se que há duas semanas um homem de 73 anos de idade morreu ao atirar-se do nono andar do Hospital de Santarém. Na altura a vítima, que residia em Coruche e estava internada com um tumor, deslocou-se até à janela, partiu o vidro e atirou-se.

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