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“Um homem que pega toiros não deve ter qualquer amigo anti-touradas”
Paulo Loução, Pedro Espinheira e Nuno Marecos

“Um homem que pega toiros não deve ter qualquer amigo anti-touradas”

Cabos dos Forcados Amadores de Cascais, Chamusca e Ribatejo falam da sua paixão. Por vezes, durante algumas pegas, acontece um ou outro momento divertido mas quem está totalmente concentrado à espera da investida de um toiro só descobre isso muito mais tarde, quando descomprime e vê fotos ou vídeos. Ali, qualquer distracção, por mais pequena que seja, pode ser fatal.

Edição de 05.07.2018 | Sociedade

Um homem que pega toiros e que ainda por cima lidera um grupo de forcados, pode ter amigos anti-tourada? Esta foi uma das perguntas que colocámos aos cabos dos amadores da Chamusca, do Ribatejo e de Cascais, que irão actuar na noite de dia 19, quinta-feira, na II Grande Corrida O MIRANTE que se realiza no Campo Pequeno. As respostas apontam para uma quase impossibilidade. A mais radical é a de Pedro Loução, cabo dos Forcados Amadores de Cascais. “Não tenho amigos que não gostem da festa. Graças a Deus, escolho bem os meus amigos. Um dos requisitos para ser meu amigo é gostar da festa brava”, declara.
Nuno Marecos, que lidera os Forcados Amadores da Chamusca, não vai tão longe mas percebe-se que isso só acontece porque evita falar da sua paixão com certos amigos. “Tenho amigos que são anti-tourada e procuro respeitar a opinião deles mas evito discutir tauromaquia com eles. Quando isso é inevitável e vejo que estou a falar com alguém intransigente e incapaz de ouvir os meus argumentos, a conversa acaba logo ali”.
O cabo dos Forcados Amadores do Ribatejo, Pedro Espinheira, está na posição intermédia. Tem amigos que não gostam de touradas mas nenhum deles defende a sua abolição.
Os forcados são verdadeiramente amadores. São dos últimos amadores de todas as actividades que, talvez por tradição, ainda se designam amadoras embora já não o sejam na verdadeira acepção da palavra.
Nuno Marecos tem 43 anos e é forcado há 27. É cabo dos Amadores da Chamusca há quatro anos. Profissional do sector da segurança, esteve em foco há pouco tempo por ter feito a protecção a Cristiano Ronaldo na final da Liga dos Campeões. Pedro Espinheira, de 39 anos, é forcado há seis anos e cabo dos Amadores do Ribatejo há quatro anos. Profissionalmente é director comercial.
Quanto ao cabo dos Amadores de Cascais, Paulo Loução, a sua profissão é operador portuário. Reside em Vila Nova de Mil Fontes e trabalha no Porto de Sines. Com 26 anos de idade é forcado há dez anos e lidera o grupo há um ano.
O recrutamento de novos elementos para uma actividade tão perigosa, como é a de enfrentar toiros bravos de peito aberto, não é difícil, embora nem todos os candidatos acabem por ser aceites depois de passarem por um processo de selecção exigente onde, ao contrário do que se possa pensar, a valentia não é o atributo fundamental. Humildade, espírito de sacrifício e companheirismo estão primeiro. A valentia ganha-se com a prática, explicam os líderes dos grupos com quem O MIRANTE falou. A boa forma física e hábitos de vida saudáveis também são essenciais, como explica Nuno Marrecos.
“O principal requisito é, acima de tudo, a vontade e a paixão pelos toiros. A parte física acaba por vir depois, até porque eles depois ganham consciência que se têm de preparar fisicamente se quiserem ter sucesso. Aquela ideia dos forcados barrigudos e bêbados é mito. Temos de nos preparar como se praticássemos um desporto de alta competição”, explica.
Os Amadores da Chamusca têm 38 elementos e o grupo atravessa uma fase de rejuvenescimento. No ano passado apareceram dez candidatos e ficaram sete. O mais novo tem 16 anos e já pega. Os Amadores de Cascais receberam doze candidatos e esperam que mais de metade venha a fardar-se e a entrar em praça. Os Amadores do Ribatejo dizem que conseguem garantir dois ou três novos elementos por ano dos vários que aparecem a querer pegar toiros.
Por vezes quem está na bancada das praças ou em casa a ver uma tourada na televisão, apercebe-se de algum momento mais divertido no meio do dramatismo de uma actuação de forcados. O barrete que se atira na direcção da pessoa a quem se brinda, que teima em voltar ao local de partida devido ao vento, as calças que se rasgam ao saltar a trincheira... etc. Os forcados têm sentido de humor e também acham graça a algumas situações mas é só muito tempo depois, quando estão a ver os vídeos ou as fotografias das actuações.

“Um homem que pega toiros não deve ter qualquer amigo anti-touradas”

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