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Careca desde um ano de idade por causa de um acidente
Cabelo de Tiago Ferreira não cresce devido a um acidente quando tinha um ano de idade

Careca desde um ano de idade por causa de um acidente

Tiago Ferreira, de Almeirim, passou tempos difíceis mas habituou-se a viver sem cabelo. Uma brincadeira, uma queda, uma panela de água a ferver e queimaduras graves na cabeça no dia em que fazia um ano de vida. Desde essa altura Tiago passou a viver sem cabelo, apesar de a mãe tentar fazer tudo para reverter a situação, como no dia em que resolveu experimentar a mezinha de lhe besuntar a cabeça com mel. O MIRANTE falou com ele no âmbito do Dia Mundial do Careca, que se assinalou a 14 de Outubro.

Edição de 24.10.2018 | Sociedade

Tiago Ferreira tem 38 anos e vive há 37 sem cabelo porque com um ano de idade um acidente provocou-lhe queimaduras graves na cabeça. Apenas cerca de dois ou três por cento do crânio não foi atingido pela água a ferver que estava numa panela no quarto, para fazer vapores. Os primeiros tempos de vida foram dolorosos, com cirurgias, dores e tratamentos. Depois aguentou a troça dos outros miúdos e a partir de determinada altura habituou-se a conviver com a situação. Hoje até vê vantagens no facto de ser careca, a começar pelo dinheiro que já poupou no cabeleireiro.
“A maior vantagem de ser careca é não perder tempo a pentear-me quando me levanto. A pior coisa é ficar com a cabeça queimada do sol”, acrescenta Tiago, que ficou sem cabelo para o resto da vida. O acidente deu-se quando fazia precisamente um ano e numa altura em que a mãe se tinha ausentado para ir buscar o bolo de aniversário. No quarto havia duas camas com um espaço entre elas. O irrequieto Tiago tinha o hábito de andar a saltar de uma cama para a outra. Foi num desses momentos que caiu, bateu na panela e foi atingido pela água escaldante.
O aniversário foi passado na urgência do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde ficou internado quase um ano. Os médicos tentaram tudo para que o bebé recuperasse. Fez três cirurgias nas quais foi enxertada pele das pernas, mas nunca se conseguiu fazer nada em relação ao cabelo. Quando tinha dez anos ainda foi feita uma tentativa para esticar a pequena parte de pele que se salvou das queimaduras, para se tentar alargar a zona de couro cabeludo, mas a esperança de Henriqueta, mãe de Tiago, não passou disso.
O pior era na escola quando ainda não se imaginava o que era bullying. Nem os “actos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos”, que o termo Inglês significa, eram uma preocupação no meio escolar. “Gozavam um bocado comigo, naquela altura aquilo era complicado”, lembra. O pior eram os rapazes que já andavam no ciclo preparatório (hoje segundo ciclo), que eram os mais cruéis. Tiago era um revoltado e depressa aprendeu a lutar com as armas que podia. “Subia para as laranjeiras no pátio da Escola P3 e atirava-lhes laranjas. Era uma pequena vingança”.
Tiago, motorista de pesados de mercadorias, pai de uma menina de 10 anos, usou um boné para ocultar o seu problema até aos onze anos de idade, quando saiu da escola, de onde não passou do primeiro ano durante cinco anos. A partir daí andou sempre de cabeça descoberta. A mãe, que nunca desistiu, “lembrou-se de fazer umas mesinhas caseiras”, que nem resultavam nem o faziam sentir-se melhor, como aquela vez em que foi besuntado com mel, por sugestão de um vizinho. Escusado será dizer que foi atacado por tudo o que era moscas e abelhas. “Por sorte não fui todo picado”, conta.
E quando dizem que é dos carecas que elas gostam mais, Tiago Ferreira diz que “isso depende dos carecas e da sorte” e que com ele não resulta, até porque nem gosta de festas na careca. Nunca lhe passou pela cabeça usar uma peruca porque agora dava uma imagem algo ridícula. “Sou conhecido como careca, se aparecesse agora com cabelo as pessoas começavam a falar sobre isso. Se fosse, por exemplo, para Espanha já com cabelo ninguém sabia e até passava despercebido”. Quanto a implantes, diz que está farto de cirurgias e que já chegam as que fez na vida.

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