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Enfermeiros de Vila Franca de Xira fazem assistência ao domicílio de táxi
Táxis têm sido o principal meio de transporte para os serviços ap domicílio dos centros de saúde

Enfermeiros de Vila Franca de Xira fazem assistência ao domicílio de táxi

Viaturas existentes nos centros de saúde estão obsoletas e sem motoristas. Sindicato e direcção do Agrupamento de Centros de Saúde compreendem a surpresa da população mas referem vantagens de um serviço que se torna mais rápido e eficiente.

Edição de 24.10.2018 | Sociedade

Os enfermeiros que realizam as consultas domiciliárias de enfermagem nos centros de saúde do concelho de Vila Franca de Xira estão a deslocar-se de táxi para a casa dos utentes. Uma solução que tem causado espanto em alguns moradores mas que já se realiza há vários anos, porque a maioria dos automóveis ao serviço nos diferentes centros de saúde estão velhos, a precisar de manutenção ou sem motoristas.
A directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Estuário do Tejo, Maria do Céu Canhão, admite que os enfermeiros recorrerem a táxis para irem realizarem os apoios domiciliários é “prática comum”, não apenas nos centros de saúde do concelho mas em toda a região e até em Lisboa.
“Há um conjunto de vantagens associadas ao uso de táxi, apesar de ser um pouco mais oneroso que o uso de viaturas próprias, nomeadamente o tempo que não se perde em estacionamento, a rentabilização do tempo da deslocação e a facilidade. Mas é um facto que as viaturas que temos nem sempre são suficientes para todos os serviços que são exigidos”, explica a responsável a O MIRANTE.
Naquele ACES, ainda antes da entrada desta nova responsável, as viaturas existentes estavam bastante velhas e algumas foram sendo entretanto abatidas, sem que novas tivessem chegado para o seu lugar. “Esta é uma fase transitória e estamos a aguardar a chegada de uma nova viatura”, refere.

Uso do táxi é vantajoso
Apesar dos moradores estranharem o uso do táxi, Rui Marroni, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), reconhece que o seu uso é vantajoso, não apenas para os centros de saúde como também para os utentes. “Os centros de saúde não têm motoristas habilitados para levar os enfermeiros e muitos deles não querem perder tempo a conduzir porque têm muitos utentes para visitar. Usando o táxi evitam perder tempo a estacionar e evitam multas. O uso do táxi é transversal não apenas a Vila Franca de Xira mas a todo o país. O parque automóvel está absolutamente obsoleto. A maioria dos carros tem anos a mais, problemas mecânicos e não oferecem segurança a quem conduz”, explica.
O sindicalista lembra que a questão do uso de táxis é a menor de todas as preocupações, lembrando por exemplo que a forma como são transportados actualmente os resíduos contaminados das visitas domiciliárias “é um caso de saúde pública” e deve ser alvo da atenção da tutela. O custo envolvendo o uso de táxis é suportado pelos ACES.

Beber um café enquanto o táxi espera

Na última semana uma leitora de O MIRANTE mostrou a sua indignação por ter visto duas enfermeiras do Centro de Saúde de Vialonga a tomar o pequeno-almoço na pastelaria enquanto o táxi esperava. Rui Marroni, do SEP, diz que estas situações são decorrentes do cansaço dos profissionais e que “ninguém lamenta quando estes são obrigados a fazer horas a mais que não são pagas, para atender todos os utentes que lhes são programados”, notando que a maioria dos profissionais nunca deixa utentes para trás. Até porque, considera, “não faz sentido os profissionais voltarem ao centro de saúde, tomarem o café da manhã e voltarem a deslocar-se para o local do serviço”, sendo muitas vezes preferível parar a meio do caminho.

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