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Do calor do Golfo Pérsico à maratona no Pólo Norte

Do calor do Golfo Pérsico à maratona no Pólo Norte

A vida de Raimundo Tamagnini, natural de Tomar, dava um livro de aventuras.

Edição de 29.11.2018 | Tão Longe e Aqui Tão Perto

Há oito anos a trabalhar como veterinário no Dubai, o médico de 44 anos tem múltiplas histórias para contar. Sempre aberto a novos desafios, já escalou o monte Kilimanjaro, na Tanzânia e correu a maratona na paisagem gelada da Gronelândia, sempre em prol de causas solidárias.

Raimundo Tamagnini, 44 anos, estava feliz a trabalhar como médico veterinário em Portugal até que, em 2008, apareceu uma oportunidade para ir para Inglaterra para trabalhar no maior hospital veterinário privado do país. Na altura ainda hesitou, mas a vontade de querer viver novas experiências fez com que o veterinário natural de Tomar deixasse tudo para trás. E não se ficou por aí. Depois de uma inesperada oferta de trabalho para um hospital veterinário privado, encontra-se há oito anos no Dubai. Um país que não estava na sua lista de preferências, mas não se arrepende da hora que disse sim. Entretanto a mulher e os dois filhos juntaram-se a ele.
“A proposta era muito tentadora. Depois, no Dubai há muito sol, paga-se poucos impostos e é uma cidade muito interessante. Foi juntar o útil ao agradável”, confessa o veterinário que foi sozinho para essa cidade do Golfo Pérsico. “Não tive grandes dificuldades de adaptação. O Dubai é uma cidade multicultural e facilmente conseguimos integrar-nos”, conta, adiantando que é possível encontrar-se gastronomia de todos os cantos do mundo, inclusive a portuguesa que o emigrante de Tomar tanto aprecia. “Quando me apetece bacalhau ou pastéis de nata, costumo encomendar refeições a um restaurante português”, diz.
Apaixonado pelo seu país, Raimundo Tamagnini admite que sente saudades da família, dos amigos e das festas de Verão. É que, confessa, não é fácil vir a Portugal. Por isso só vem uma vez por ano. “É uma viagem longa e por isso tem de ser bem programada”. Felizmente a tecnologia ajuda a encurtar distâncias e vai matando saudades graças às vídeo-chamadas, mensagens de whatsapp e e-mail.

Cães, gatos, chimpanzés e falcões
A trabalhar numa clínica veterinária, Raimundo Tamagnini conta que já lhe passou de tudo pelas mãos. “Normalmente, trato de cães e de gatos mas, como em qualquer outra clínica de uma grande cidade da Europa, também aparecem animais menos usuais”, admite, recordando que já tratou de chimpanzés e falcões.
Os clientes são de diversas origens, reflectindo o cosmopolitismo do Dubai. “Os meus clientes são 70 por cento europeus. Depois aparecem alguns locais e oriundos da Índia e do Brasil”, adianta. É por isso, confessa, que a língua nunca foi um entrave no Dubai. “A maioria das vezes falo inglês com os meus clientes. Quando são brasileiros ou portugueses, aí falo a língua de Camões”, conta o emigrante que gosta nos seus tempos livres de passear com a família e praticar desporto.
Olhando para o futuro, Raimundo Tamagnini admite que, para já, irá manter-se no Dubai com a sua família, mas confessa que não se vê a passar a sua velhice nesse país. O mesmo se aplica aos filhos. “Gostava que os meus filhos fossem viver para Portugal quando fossem maiores. Vamos ver o que o futuro nos reserva”, afirma.

Do Monte Kilimanjaro à Gronelândia
Aventureiro e corajoso, Raimundo Tamagnini concretizou há poucas semanas um dos maiores sonhos da sua vida. O veterinário participou na Maratona do Círculo Polar, conseguindo correr 21 km num sábado e mais 42 km num domingo, num cenário com temperaturas negativas, muito gelo e neve. A prova decorreu nos dias 27 e 28 de Outubro e o emigrante classificou-se em 36.º no primeiro dia (meia maratona) e em 47.º no dia seguinte (maratona), prova que acontece todos os anos em Kangerlussuag, na Gronelândia. Além de ter concretizado um sonho antigo, a sua participação teve um objectivo solidário: ajudar as crianças com cancro de Inglaterra.
Uma prova difícil onde Raimundo Tamagnini não se sentiu mal nem nunca pensou desistir, apesar de ser asmático e do frio nunca ter dado tréguas. “Foi um desafio muito desgastante, mas também muito estimulante”, confessa, recordando que, durante esses dias chegou a vestir mais de 20 peças de roupa e fez uma alimentação altamente calórica.
Em 2016, já tinha conseguido a proeza, juntamente com dois amigos, de subir o monte Kilimanjaro, situado no norte da Tanzânia, junto à fronteira com o Quénia. O objectivo foi igualmente solidário: angariar dinheiro para a investigação e tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne e divulgar a instituição ‘Joining Jack’ (Inglaterra).
Também nesse desafio o frio foi o seu maior obstáculo e muitas vezes teve de testar as suas capacidades psicológicas, tendo visto muitas pessoas a desistir e a voltar para trás com garrafas de oxigénio.

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