Sociedade | 23-10-2017 10:25

Ossadas desaparecidas estavam na mesma sepultura mas com outro cadáver por cima

Ossadas desaparecidas estavam na mesma sepultura mas com outro cadáver por cima
Vicente Vasconcelos admite processar câmara do Cartaxo por danos morais

Vicente Vasconcelos andou três anos sem saber dos restos mortais do pai e admite processar Câmara do Cartaxo por danos morais.

Três anos e meio depois de muitas dúvidas e incertezas, Vicente Vasconcelos descobriu finalmente o paradeiro das ossadas do seu pai, Levy Vasconcelos, falecido no dia 1 de Setembro de 2004. A resposta é no mínimo insólita: as ossadas nunca saíram do local onde o corpo foi enterrado há 13 anos, no cemitério do Cartaxo, e entretanto foi sepultado outro cadáver por cima.


“O responsável do cemitério escavou a campa do meu pai mas como o caixão estava mais fundo do que o esperado acabou por não ser encontrado e enterraram lá outra senhora sem tirarem as ossadas do meu pai. Isto é de uma irresponsabilidade tremenda. Foram três anos de sofrimento e angústia por não saber onde estavam os restos mortais do meu pai”, lamenta Vicente Vasconcelos a O MIRANTE.


O lesado admite que vai avançar para tribunal contra o município do Cartaxo por danos morais. “Foram mais de três anos de muito sofrimento. Tive que ir reconhecer o corpo do meu pai, que ainda não está decomposto, devido ao local do cemitério em que está enterrado. Não desejo a ninguém o que passei, juntamente com as minhas irmãs. Foram momentos muito complicados. Vamos para tribunal porque nos fizeram sofrer muito. Houve aqui uma falha grave que podia e devia ter sido evitada”, afirmou, agastado com a situação.


Contactado por O MIRANTE, o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro (PS), confirmou que o corpo estava no mesmo local onde foi enterrado. “A câmara municipal acompanhou todo o processo desde o início e tomou todas as diligências junto do Ministério Público e do Instituto de Medicina Legal para saber o que realmente se tinha passado”, afirmou, acrescentando que após este incidente o município decidiu rescindir contrato com a empresa que prestava serviço no cemitério do Cartaxo e contratou outra. “Fizemos ainda a revisão do regulamento municipal do cemitério e substituímos todos os trabalhadores que estavam ao serviço do cemitério”, sublinhou o autarca.

Notícia completa na edição semanal de O MIRANTE AQUI

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