Tomar o pulso à economia
Fórum empresarial ausculta ameaças e oportunidades no concelho do Cartaxo
O sector vitivinícola, a indústria, a construção civil e imobiliário, o comércio e serviços e a restauração e hotelaria do concelho do Cartaxo foram avaliados durante cinco reuniões sectoriais que se realizaram de Julho a Outubro e que reuniram os empresários dos vários sectores. As conclusões foram apresentadas na quinta-feira à tarde, durante a ExpoCartaxo. A concorrência de outros países da União Europeia, a falta de cooperação entre os empresários e a escassez de mão de obra qualificada são algumas dificuldades apontadas e que atravessam quase todos os sectores.
A ameaça do mercado espanhol, a baixa percentagem de vinhos certificados e a falta de consenso entre instituições e empresários foram algumas das “ameaças diagnosticadas” ao sector agrícola, vitivinicola e da agropecuária, durante o 1º Fórum Empresarial, inserido na ExpoCartaxo, que se realizou na quinta-feira à tarde, no salão nobre da câmara municipal.As flutuações na produção devido às especificidades climatéricas do país e uma Comissão Vitivinícola Regional criada há apenas cinco anos, foram outras conclusões do Fórum que teve por base cinco reuniões sectoriais, realizadas entre Julho e Outubro, que se destinaram a avaliar a situação empresarial do concelho.A responsável pelo pelouro do desenvolvimento económico e empresarial do Cartaxo, Elvira Tristão, que apresentou as conclusões das reuniões, lembrou que ao contrário de outras regiões do país, como o Alentejo, onde cerca de 90 por cento dos vinhos são certificados, no Ribatejo apenas 12 por cento possui o “diploma” de qualidade.Um valor que para o presidente da Comissão Vitivivícola, Castro Rego, é esclarecedor do que “a região tem que empreender no futuro”. Dentro dos 12 por cento há qualidade”, mas falta visibilidade e reconhecimento. “Falta uma campanha bem dirigida que consiga transmitir ao consumidor algum prestígio que o Ribatejo já conseguiu junto dos líderes de opinião”, afirma.Para fazer face às dificuldades do sector foram deixadas algumas sugestões aos empresários - a criação de uma imagem de qualidade única do vinho do Ribatejo, o aproveitamento do mercado de Lisboa, de um património agrícola único e a utilização do slogan “Cartaxo capital do vinho” como “rampa de lançamento da imagem de qualidade do vinho não só do Cartaxo como de todo o Ribatejo”.Oportunidades que o produtor Joaquim Monteiro, proprietário da Cooperativa Agrícola Quinta do Falcão, em Vila Chã de Ourique, soube agarrar, levando a fama dos tintos produzidos no concelho além fronteiras. O tinto “Paço dos Falcões” foi distinguido, em Londres, com medalha de ouro num dos mais importantes concursos de vinhos da Europa (ver caixa).Apesar do sucesso dos vinhos, o produtor sente na pele as dificuldades do sector. “Ao nível do Ribatejo e de Portugal temos uma grande concorrência interna e externa, lutamos com diversas dificuldades, mas temos que nos fazer ao caminho se é essa a actividade que queremos empreender”, afirmou.Para o produtor os “custos de produção” e de “promoção” são elevados e a conquista dos mercados é difícil. “Vender nunca foi fácil e hoje em dia é evidente que com mais concorrência nacional e estrangeira é mais difícil”.A escassez de mão de obra para o trabalho do campo mesmo para funções mais especializadas também é um entrave ao sector. “É incompreensível que rapazes e raparigas não agarrem algumas tarefas com importância e bem remuneradas”, revela.FALTA PESSOAL ESPECIALIZADOA falta de pessoal especializado para trabalhar no sector é também uma das “ameaças” do sector industrial, que é “o maior empregador do concelho”, seguido do sector do comércio e serviços e, por último, da agricultura e pecuária, que vai perdendo força, como salientou o economista e ex-presidente da câmara Francisco Pereira, durante uma “caracterização do tecido empresarial” do concelho.No Cartaxo a indústria sofre também com a “concorrência externa”, “falta de tecnologia de ponta para tornar o sector mais competitivo” e de cooperação inter empresarial no sector.Fernando Martins, gerente da Enercontrol, uma empresa de material electrónico, sediada no Cartaxo, acrescenta uma dificuldade sentida pela indústria – o isolamento da região. “Dada a área de trabalho que é todo o país há dificuldade de movimentação dentro e fora do Cartaxo”.Para o empresário há também falta de “visualização do Cartaxo como centro onde podem existir empresas electrónicas”. Apesar da surpresa que muitos mostram ao saber onde está instalada a sua empresa, Fernando Martins acredita que o Cartaxo pode tornar-se numa cidade com “acessos mais fáceis”.O “aumento da produtividade” e uma “estratégia comum e uma forte conivência entre o sector privado e público” pode ser oportunidades para o sector da indústriaAlém do recorrente problema da falta de formação e de pessoal qualificado a trabalhar no sector, a restauração e hotelaria do concelho depara-se com a recessão económica. A ligação entre as escolas profissionais e as empresas do sector para o recrutamento de pessoas qualificadas e o incentivo ao ensino profissional poderão ser soluções.Ao nível do sector da construção civil e imobiliário registou-se uma diminuição da procura, depois da queda do juro bonificado. Na opinião dos empresários existe uma “legislação inadequada para incentivar o arrendamento” e “falta de legislação fiscal para incentivar a construção”. Para contrariar a tendência há que apostar na “manutenção e restauração de edifícios”, no mercado de arrendamento e potenciar a construção do aeroporto da Ota.O comércio do Cartaxo ressente-se com a concorrência das grandes superfícies. Uma das ameaças diagnosticas ao sector são os “horários rígidos” do comércio tradicional, “legislação laboral pouco flexível” e a “falta de união dos empresários”. Há por isso que aproveitar todas as possibilidades – projecto Urbcom, a previsão da alteração da legislação laboral e animação no centro da cidade. A ideia de criar um núcleo autónomo de comerciantes do Cartaxo e de tornar a Rua Batalhós numa zona comercial fechada ao trânsito para “levar as pessoas ao centro da cidade” poderá ajudar também a revitalizar o sector.Tinto do Cartaxo premiado em LondresO tinto ribatejano “Paço dos Falcões” reserva 2000, de denominação de origem controlada, produzido pela Sociedade Agrícola Quinta do Falcão, em Vila Chã de Ourique, Cartaxo, foi um dos três vinhos portugueses distinguidos com medalha de ouro no concurso internacional “Wine and spirits competition”, que decorreu em Londres a 29 de Outubro.O proprietário da Sociedade fundada em 1988, Joaquim Monteiro, recebeu o prémio no Guildhall, em Londres, o centro de poder municipal da cidade, juntamente com produtores de todo o mundo. Cerca de quatro mil vinhos participaram no concurso vindos de Nova Zelândia, Austrália, Califórnia, África do Sul e alguns países europeus.O produtor explica que o vinho topo de gama “Paço dos Falcões” é composto por 85 por cento de casta Periquita e 15 por cento de Cabernet Sauvignon. Além do vinho ribatejano foi também premiado com medalha de ouro um vinho do Alentejo e do Douro.O prémio foi a primeira distinção de vinhos da Quinta do Falcão a nível internacional, mas os vinhos da empresa já foram distinguidos várias vezes a nível nacional. Durante os últimos três anos o vinho “Paço dos Falcões” foi considerado o “melhor vinho da região” pela Revista de Vinhos.Empresários desconhecem trabalho da NersantO presidente da Nersant, Associação Empresarial da Região de Santarém, José Eduardo Carvalho, foi uma das vozes discordantes que se ouviu no Fórum Empresarial do Cartaxo. O responsável considera que há visão pessimista dos empresários, muitos dos quais não estão atentos ao esforço das associações. “Há um desconhecimento grande daquilo que a associação faz”, afirmou.José Eduardo Carvalho lembrou que apenas quatro empresas do Cartaxo se associaram a uma das iniciativas da Nersant - a criação de uma sociedade de garantia mútua - que serve para evitar que os empresários tenham que hipotecar os seus bens pessoais e penhores mercantis. “Como é possível não haver adesão?”, interrogou-se.No encerramento do Fórum empresarial o presidente da câmara afirmou que a iniciativa trás “mais valias” e “valor acrescentado” ao concelho e é uma forma de “encontrar soluções para as dificuldades detectadas”, dando resposta aos “anseios, ambições e questões” dos empresários. “Os momentos de dificuldade serão ultrapassados e continuarão a trilhar o processo e o desenvolvimento sustentados”, afirmou Paulo Caldas.O autarca lançou também um repto ao secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas, que encerrou a cerimónia, solicitando que o nó de acesso do cartaxo à auto-estrada (A1) seja construído aquando do alargamento da terceira faixa de rodagem entre Aveiras de Cima e Santarém, criando “um xadrez de acessibilidades”.Miguel relvas respondeu que o Cartaxo não se teria desenvolvido mais se tivesse auto-estrada e apontou outros casos de acessibilidades mais difíceis no distrito, como é o caso de Ourém. “Se o Cartaxo já tivesse a ligação à Auto-estrada o desenvolvimento seria o mesmo”, garantiu.O responsável do núcleo da Nersant do Cartaxo, José Arruda, mostrou-se satisfeito com o Fórum, lembrando que uma das cinco maiores empresas do país, a Saprogal, está localizada no concelho. Projectos inovadores lançados no CartaxoO projecto Cartaxo Digital, uma iniciativa da TMedia e núcleo da Nersant do Cartaxo, que irá disponibilizar um conjunto de conteúdos e suportes multimedia sobre o concelho do Cartaxo foi apresentado aos empresários do concelho durante o Fórum Empresarial.Alexandre Caldas, o jovem empresário à frente da empresa, adianta que já aderiram ao projecto cerca de 20 empresas, entre as quais a Agrosport, patrocinadora do projecto, Iberoceram, Toscana e Magnisis.O projecto tem quatro grandes produtos – o portal internet sobre o Cartaxo que está ainda em criação (www.cartaxo digital.org), o CD-Rom interactivo disponível em várias línguas, um pavilhão de exposições multimedia e um quiosque multimedia, “um verdadeiro exemplo da arquitectura digital” que deverá ser uma fonte de informação permanente.Alexandre Caldas pretende que os conteúdos disponíveis sejam relacionados com outros projectos. “Chegámos ao princípio do que é a informação digital sobre o Cartaxo”, afirmou. A informação será gerida pelas próprias empresas. Para o empresário este poderá ser o ponto de partida para as empresas que se queiram lançar na aventura do comércio electrónico.A Escola de Negócios, um dos projectos estruturantes da região, foi também apresentada durante o fórum. Resulta de uma parceria entre a Nersant e Escola Superior de Gestão de Santarém, através do Idersant (Instituto de Desenvolvimento Empresarial da Região de Santarém) e irá “dar apoio em termos pedagógicos a empresários e quadros médios e superiores das empresas”.O presidente do conselho de administração do Idersant, Matias Jarego, lembra que foram efectuados inquéritos às empresas para saber “quais as reais necessidades de formação”, concluindo-se da “viabilidade do projecto”.O projecto irá nascer na Quinta das Pratas, em terrenos cedidos pela Câmara Municipal do Cartaxo. Matias Jarego adiantou que o edifício será construído após a aprovação do projecto, prevista para o primeiro semestre de 2003. A construção deverá ser concluída até ao final de 2004.Empresa agiliza negócios entre Portugal e Roménia“Explorar o potencial de negócio” entre Portugal e a Roménia é o grande objectivo da Romport Internacional S.A., uma empresa de direito romeno, que surgiu na sequência de uma visita à Roménia por empresários portugueses.A empresa destina-se à “intermediação e agilização de negócios entre empresas portuguesas e romenas, bem como investimentos directos em determinadas áreas”.A Romport, que iniciou a actividade em 2000, tem sede em Bucareste e escritório em Pucioasa, a cidade romena geminada com o Cartaxo. Na sequência da sua “orientação estratégia” a empresa abriu uma sucursal em Portugal em Maio de 2001, que está instalada na zona industrial de Santarém.As áreas de actuação da empresa são variadas, incluindo “o acompanhamento e criação de consórcios em concursos públicos de obras públicas, construção civil e consultoria empresarial”. A empresa potencia assim as oportunidades de negócio associadas ao “cenário de pré-adesão à União Europeia em que a Roménia se encontra”.A empresa irá servir de intermediária das operações e numa segunda fase “assumirá a gestão das empresas participadas ou por ela criadas”.A Romport Internacional é membro fundador do Conselho Empresarial Bilateral Roménia – Portugal, recentemente criado pela Câmara de Comércio e Indústria da Roménia em Bucareste e a Associação Industrial Portuguesa.
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