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Sotaques alentejano, minhoto ou açoriano poderão ser reproduzidos em computadores

Português com sotaque de computador

Universidade de Aveiro desenvolve programa reprodutor de voz

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) está a desenvolver um programa informático capaz de, através de ondas sonoras emitidas por um computador, produzir voz em Português e nas diversas variantes regionais.

Edição de 05.02.2003 | Sociedade
Segundo os investigadores, o sintetizador articulatório poderá ser aplicado em tarefas que tenham a ver com a transmissão e acesso a informações, desde a leitura da informação apresentada num ecrã, à navegação na Internet por pessoas invisuais.Esta ferramenta pode também ser útil no ensino de línguas assistido por computador, como um instrumento de terapia da fala ou como parte de um sistema de tradução automática, adianta a equipa da UA, que engloba investigadores de diferentes áreas - fonética, sintaxe, morfologia, processamento de sinal, ciências da computação e medicina.O sintetizador desenvolvido “baseia-se na modelação directa dos processos de produção utilizados pelos seres humanos, simulando o movimento da língua, do maxilar, o funcionamento das cordas vocais, o papel das cavidades nasais, a propagação e radiação do som, entre outros aspectos, tendo, por isso, capacidade para produzir vozes diferentes”, explicaram os investigadores.Iniciado em 1995, o sintetizador articulatório consiste, actualmente, numa aplicação que corre em ambiente Windows e permite sintetizar vogais nasais e consoantes nasais “com qualidade aceitável”.“Ele ainda não consegue produzir todos os sons do Português, como por exemplo as consoantes fricativas (f, s, z...) e também não é capaz de fazer a conversão de texto para voz, ou seja, produzir som a partir de texto”, explica a equipa de investigação.Neste momento, as atenções estão concentradas no estudo das vogais nasais, porque, segundo os investigadores, “são um dos sons característicos do português, apresentam dificuldades acrescidas de análise e são uma área pouco conhecida e pouco explorada, já que nem todos estes sons existem noutras línguas”.“O grande desafio do projecto é, de facto, a grande variedade da língua, porque apesar de sermos um país pequeno, encontramos uma imensa variação”, referem os investigadores que, em 2001, começaram a desenvolver uma base de dados de voz, relativa às vogais nasais do Português Europeu.Nesse sentido, estão a ser feitas gravações, que deverão estar concluídas no primeiro trimestre de 2003, onde a equipa da UA regista não só o sinal de voz, mas também o comportamento das cordas vocais, no momento da produção das referidas vogais.Entretanto, foi já iniciado o desenvolvimento dos módulos de processamento linguístico necessários, para que, no futuro, o sintetizador articulatório possa produzir voz a partir de um texto.Lusa
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