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Sem apoios comunitários não dá

Multinacional francesa pondera deslocalizar investimento para Leiria

A multinacional francesa Sofredecor, ligada ao mobiliário urbano e decoração de jardins, vai abrir uma filial em Portugal e escolheu o parque empresarial de Vila Nova da Barquinha para se instalar. O projecto de investimento, superior a 2,5 milhões de euros (mais de meio milhão de contos), está suspenso porque o governo decidiu não aceitar mais projectos no âmbito do III Quadro Comunitário de Apoio (QCA) por não ter já verbas disponíveis. O caricato da situação é que, não fosse a burocracia portuguesa, a candidatura poderia estar a esta hora aprovada.

Edição de 12.02.2003 | Economia
Desde o início de 2002 que a multinacional francesa Sofredecor, ligada ao mobiliário urbano e decoração de jardins, está a preparar a sua entrada em Portugal. Depois de muitos estudos, escolheu o parque empresarial de Vila Nova da Barquinha, situado junto à localidade de Atalaia, para se instalar, considerando ser estrategicamente esta a zona ideal para desenvolver a sua actividade.Com um investimento previsto superior a 2,5 milhões de euros (meio milhão de contos) a empresa pretendeu desde início candidatar-se a fundos comunitários, no âmbito do III QCA. Estudadas as alternativas optou-se pelo programa SIME, Sistema de Incentivos à Modernização Empresarial, enquadrado no Programa Operacional de Economia (POE) para Lisboa e Vale do Tejo. A proposta da Sofredecor, que em Portugal adoptou o nome de Sociedade de Desenvolvimento (SD), vai no sentido de receber os apoios comunitários, no valor de 40 por cento do investimento (cerca de um milhão de euros), de forma faseada, ao longo de oito exercícios.“Não queremos o dinheiro todo de uma vez, mas ao longo dos primeiros oito anos de actividade, uma maneira de demonstrarmos que a aposta em Portugal é para durar”, referiu ao nosso jornal Licínio Nunes, responsável da Sofredecor pelo projecto nacional.Mas os problemas com que se depararam logo de início agravaram-se drasticamente com a publicação do despacho do ministério da Economia publicado a 18 de Dezembro, em que claramente se diz que o POE não recebe mais candidaturas empresariais após a data da publicação do referido despacho. “Apesar de termos já o projecto na Câmara da Barquinha, tivemos que submetê-lo à Direcção Regional de Ambiente e Ordenamento do Território (DRAOT) porque a autarquia ainda não tinha o plano de pormenor do parque empresarial aprovado”, refere Licínio Nunes, adiantando que apesar do processo para a autorização da localização da sua indústria ter entrado na DRAOT no primeiro dia de Agosto e de esta ter 45 dias para dar o seu parecer, a verdade é que até à data ainda não desbloqueou a situação, adiando sucessivamente a decisão e pedindo novos documentos à Câmara da Barquinha.“Como ainda não temos essa autorização e como precisamos dela para concorrermos aos apoios comunitários ainda não fizemos a candidatura, que pela nossas contas poderia estar feita muito antes da saída deste despacho ministerial”, refere aquele responsável.Neste momento, a Sofredecor tem o projecto de instalação no Parque Empresarial da Barquinha em stand by e equaciona já outras alternativas de localização. “Escolhemos esta zona por a considerarmos estratégica e por podermos ter à partida apoios comunitários, dos quais não podemos abdicar”, refere Licínio Nunes, que acrescenta. “se não pudermos fazer a candidatura para ter o projecto nesta região só temos duas alternativas – ou desistimos de Portugal ou escolhemos outra zona do país”.Segundo apurou O MIRANTE, a Sofredecor está actualmente a ponderar deslocalizar o investimento para a região de Leiria que, por não estar integrada na região de Lisboa e Vale do Tejo, não sofre as implicações do phasing out.“O que queremos é investir no Parque Empresarial da Barquinha mas não podemos deixar fugir os apoios comunitários a que temos direito. Se isso implicar instalarmo-nos uns quilómetros mais adiante...”, finaliza Licínio Nunes.

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