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Gonçalo Esteves, colocou-se destemidamente nos cornos do touro

Do melhor e do pior nas corridas da Ascensão

Festa Brava de bom nível na Chamusca

Apesar de apresentarem cartéis de boa qualidade, as corridas de toiros de quinta-feira de Ascensão e de sábado, na Chamusca, não foram excepcionais. E tudo por causa dos toiros, que saíram mansos. Valeram alguns momentos de grande emoção para que o público não desse o tempo e o dinheiro por mal empregues.

Edição de 04.06.2003 | Tauromaquia
Na quinta-feira de Ascensão a velhinha praça de toiros da Chamusca quase encheu. Actuavam os cavaleiros Joaquim Bastinhas, José Manuel Duarte e Sónia Matias e o Grupo de Forcados Amadores da Chamusca. Os toiros eram da ganadaria de António Silva.José Manuel Duarte foi o triunfador da noite. O cavaleiro de Santarém conseguiu, com base numa grande entrega, tirar dos dois mansos que lhe couberam em sorte uma réstia de bravura e, lidando com arte, colocou quatro ferros curtos de excelente nota, aguentando e indo inclusivamente aos terrenos do animal. Dando-lhe todas as vantagens, cravou ferros de alto abaixo, que só não tiveram um brilho ainda maior porque o toiro não carregava no momento da reunião. Joaquim Bastinhas esteve diligente, esforçou-se por tirar alguma bravura dos dois touros que lhe couberam em lide, mas eles eram manos como todos os outros. Espetou três ferros curtos de boa categoria e levou a praça ao rubro ao espetar um ferro muito curto e um par de bandarilhas. A emoção foi ainda mais forte quando o ginete, já no fim da lide, foi colhido com violência contra a trincheira.Sónia Matias, simpática, cativou os espectadores desde o primeiro momento. Não foi muito feliz com os toiros que lhe couberam em sorte, remou contra a maré, conseguiu colocar dois bons ferros curtos e no resto teve uma entrega total que, a exemplo do que aconteceu com os seus alternantes, o público soube premiar.Os Forcados Amadores da Chamusca estiveram em grande. Tiveram que se haver com seis toiros com mais de quinhentos quilos, matreiros e mansos. Sofreram muito. Levaram pancada mas conseguiram uma actuação global de grande nível.Rui Pedro pegou à primeira tentativa e deu o mote para os que se seguiram. Bruno Lucas esteve excelente, mas a pega só foi concretizada à segunda tentativa. O terceiro toiro foi pegado de cernelha. A madeira de uma das farpas saiu deixando um prego num local muito perigoso e o cabo Nuno Marques optou pela cernelha, que Mário Duarte e o próprio cabo consumaram com mestria. O quarto toiro foi pegado à segunda tentativa por Nuno Marques. O quinto desembolou-se e não pôde ser pegado. Francisco Redol pegou com raça o sexto da noite.NINGUÉM SE SALVOUA corrida de sábado prometia porque tinha um cartel muito forte - Rui Salvador, Ana Batista e Pedro Salvador - mas os seis toiros mansos que Jorge Carvalho enviou para a Chamusca inviabilizaram qualquer possibilidade de brilho para os cavaleiros e também para os dois grupos de forcados, Amadores da Chamusca e do Ribatejo.Rui Salvador bem tentou tirar alguma coisa dos dois mansos que lhe calharam em sorte, movimentou-se bem e conseguiu colocar dois ou três ferros curtos de boa qualidade, mas devido à falta de bravura do toiro as suas actuações não tiveram brilho.Ana Batista teve um pouco mais de sorte e acabou por ser quem esteve melhor na noite negra de sábado. Diligente, a cavaleira cravou três ferros curtos com arte e demonstrou que, com toiros bravos, é uma cavaleira para rever.Pedro Salvador é ainda um cavaleiro jovem, toureia com alegria, contagia o público. Durante alguns momentos conseguiu uma grande empatia com o público presente, mas os toiros estragaram tudo. Mansos e matreiros não deram condições para o cavaleiro brilhar. Os Forcados Amadores da Chamusca e também os Amadores do Ribatejo tiveram uma noite para esquecer, levaram muita pancadaria e as pegas foram feitas à terceira, à quarta e mesmo à quinta tentativa. O quarto toiro da noite, que devia ser pegado pelos Amadores do Ribatejo, foi “vivo” para dentro. Nem de cernelha o conseguiram agarrar. Salvaram-se as pegas de Vítor Rosa, dos Amadores da Chamusca, no último toiro, feita à segunda tentativa, de uma forma rija. E também a de Rui Gomes, dos Amadores do Ribatejo, efectuada também à segunda tentativa.Um espontâneo que evitou uma tragédiaNa Corrida de Toiros realizada na quinta-feira de Ascensão, a emoção atingiu o seu máximo quando da pega do quinto toiro da tarde. Luís Inácio, forcado dos Amadores da Chamusca foi para a cara, sofreu um derrote fortíssimo que o deixou prostrado na arena. O toiro na sua louca corrida embateu na trincheira e ficou desembolado. O perigo era evidente, muita gente saltou para o redondel para ajudar o jovem que estava desmaiado. Enquanto os bandarilheiros e colegas forcados tentavam evitar que o toiro em pontas acometesse o forcado caído, Gonçalo Esteves, um jovem que se encontrava a fazer a entrega de bandarilhas aos cavaleiros saltou para a praça e levou com ele a maca dos bombeiros para colocar sob o forcado caído.Quando se encontrava de joelhos junto a Luís Inácio, o toiro investiu e o jovem espontâneo, ao aperceber-se não fugiu e colocou-se, destemidamente, entre os cornos do animal, efectuando uma pega de caras, e mantendo-se bem agarrado até os outros forcados o ajudarem.Foi um gesto heróico que evitou uma tragédia. O toiro em pontas podia voltar a acometer o forcado caído. Mas Gonçalo Esteves desvaloriza o seu acto. “Não foi heroicidade nenhuma, saltei para a arena para ajudar a retirar o forcado, e quando vi o toiro vir na nossa direcção resolvi fazer uma pega. Nem sequer pensei no perigo que corria por o toiro estar desembolado”, disse calmo e descontraído logo a seguir à sua façanha.Um cavalo ferido na entrada de toirosDurante a entrada de toiros na quinta-feira de Ascensão, o cavalo de um campino foi colhido. Tudo aconteceu quando um dos toiros foi desviado por um pano vermelho e ficou um pouco para trás. Nessa altura a montada do campino Gabriel escorregou e fez cair o cavaleiro. O toiro investiu e feriu ligeiramente o cavalo, sem gravidade. O campino saiu ileso.Apesar desse facto, a tradicional entrada de toiros não foi muito emotiva. Uma impressionante moldura humana encheu por completo a Rua Direita de São Pedro. E apesar deste ano o início ter acontecido com um menor atraso, os toiros passaram como balas perante o olhar atónito de muitos espectadores que quase não os vislumbraram. Mesmo na altura em que o toiro ficou ligeiramente para trás, os campinos foram rápidos a fazerem-no voltar para o meio dos cabrestos.
Gonçalo Esteves, colocou-se destemidamente nos cornos do touro

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