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A população da Chamusca viveu momentos de pânico, o fogo circulou entre as casas de habitação, deixando atrás de si um rasto de destruição

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Presidente da câmara da Chamusca diz que houve retrocesso de uma década

O incêndio que deflagrou sábado, por volta das 11 horas da manhã, na Chamusca foi devastador. Morreram quatro pessoas, arderam 30 mil hectares de floresta, fábricas e terrenos agrícolas, ficaram destruídas 20 habitações nas freguesias de Pinheiro Grande, Ulme e Vale de Cavalos, para além de dezenas de pequenas cozinhas e barracões. Há 32 pessoas desalojadas, desapareceram duas mil cabeças de gado e 25 quilómetros de linhas telefónicas estão destruídas. O presidente da câmara, Sérgio Carrinho, fala num retrocesso de uma década e pede auxílio urgente.

“Em oito horas ardeu mais área deste concelho do que nos últimos 30 anos”, afirmou Sérgio Carrinho, presidente da Câmara Municipal da Chamusca. Segundo o autarca os prejuízos ascendem a 75 milhões de euros e 30 mil hectares de floresta ficaram destruídos, ou seja, aproximadamente metade da área florestal deste concelho, em que 40 por cento da população continua ligada ao sector primário. No auge do incêndio, na tarde de sábado, o fogo foi combatido por 13 corporações, num total de 139 homens e 23 viaturas, incluindo seis veículos tanque e de grande capacidade, meios insuficientes para a dimensão da tragédia.Na passada segunda-feira, Sérgio Carrinho enviou para o Conselho de Ministros, o balanço da tragédia: “Esqueçam o défice do orçamento de Estado, tenho um prejuízo de 75 milhões de contos”. E continuava: “Morreram quatro pessoas. Arderam 30 mil hectares de floresta e terrenos agrícolas, ficaram destruídas 20 habitações nas freguesias de Pinheiro Grande, Ulme e Vale de Cavalos, para além de dezenas de pequenas cozinhas e barracões, há 32 pessoas desalojadas que se encontravam em casa de familiares e amigos. Desapareceram duas mil cabeças de gado, há 25 quilómetros de linhas telefónicas destruídas, uma unidade fabril que dava emprego a 24 pessoas ficou completamente destruída, o mesmo acontecendo com três carvoarias, onde no total trabalhavam mais 20 pessoas”.O fogo começou pelas 10h45 da manhã de sábado, em quatro frentes, e pelas 15h00 a Chamusca era um mar de chamas. Sérgio Carrinho atribui a causa do incêndio a uma “trovoada tipo tropical que se abateu sobre a vila”, mas Manuel Rufino, comandante dos Bombeiros Voluntários da Chamusca, não tem tanta certeza: “Não me sujeito a dar palpites sobre as causas, posso afirmar é que o fogo começou em quatro frentes – Valeira, Casal da Pereira, Jardoa e Casal do Couto – e propagou-se com uma rapidez brutal”.Em 26 anos de comandante Manuel Rufino nunca tinha vivido no concelho uma situação tão grave: “Já houve grandes fogos na Chamusca, mas com esta gravidade e com estas características não me lembro”. No sábado à tarde, os bombeiros esforçavam-se por acudir em todas as frentes, mas os meios de que dispunham eram manifestamente insuficientes, nada fazia parar as chamas. Estabeleceram-se prioridades: salvar a todo o custo as habitações. A floresta e os terrenos de cultivo ficavam para depois e em alguns casos só restava deixar arder.O fogo em cada esquinaO sentimento de impotência era generalizado. Durante os dias em que o fogo invadiu o concelho, populares e bombeiros utilizaram todos os meios para combater o incêndio, mas no sábado nada parecia acalmar a força do fogo: “Sentiamo-nos impotentes. Não tínhamos meios, no distrito havia fogos em vários concelhos, não podíamos fazer mais, tentaámos de todos os modos salvar as habitações”, lamentava Manuel Rufino. O perigo fez com que a protecção civil retirasse das habitações residentes das freguesias da Chamusca e Pinheiro Grande que receberam alojamento na Golegã e em Alpiarça, acabando por regressar a casa no dia seguinte de manhã.Mas domingo de manhã o fogo continuava a pôr em perigo as populações das freguesias de Ulme e Chouto, na zona sul concelho, situação que se manteve na segunda-feira. A população do Casalinho, freguesia de Ulme, foi evacuada e permanecia em casa de familiares e amigos. Sérgio Carrinho realçou o comportamento cívico e de enorme solidariedade da população do concelho. “No sábado, vivemos uma situação anormal, mesmo com todos os meios a forma como o fogo se propagou era impossível de controlar. Há que salientar o comportamento de todos que lutaram contra chamas para as afastar das habitações. Foi um fogo de características excepcionais”, afirmou o autarca.Entretanto, a Câmara da Chamusca mobilizou vários funcionários da autarquia para atender as populações: “Ninguém ficará por atender. É necessário termos um conhecimento preciso da tragédia que se viveu na Chamusca para que se tomem as medidas necessárias".Margarida Trincão
A população da Chamusca viveu momentos de pânico, o fogo circulou entre as casas de habitação, deixando atrás de si um rasto de destruição

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