A benção dos defuntos
Tradição do Dia de Todos-os-Santos está viva
A romaria ao cemitério para a benção dos defuntos é uma tradição que se cumpre no dia de Todos-os-Santos. A freguesia da Erra, Coruche é um exemplo de fé.
“ Venho todas as semanas ao cemitério arranjar as campas e por flores novas”, adiantou Rosa Maria depois de ter assistido à benção dos defuntos no cemitério de Vila Nova da Erra, pelo Padre Salvador Terra, na tarde de sábado, dia 1 de Novembro. Um ritual que se cumpre todos os anos no dia de Todos-os-Santos, naquela freguesia a oito quilómetros de Coruche. Diz a tradição que o prior deve ir em romaria com o fiéis até ao cemitério para abençoar os defuntos. O dormitório das almas, encheu-se de familiares no passado sábado. As flores da época, crisântomos e artemijas sobressaiam das jarras de pedra. Apesar de ser um dia com significado diferente, e para muitos o único dia em que visitam as campas dos entes queridos, os habitantes da Erra ainda mantêm o hábito de terem as campas dos familiares limpas e com flores nem que sejam do próprio jardim. É o caso de Idalina Cordeiro que visita com frequência o túmulo dos pais. O povo ribatejano ainda mantém o culto dos mortos e na opinião do sacerdote, Salvador Terra, a tradição é para continuar. Após a Eucaristia, que teve uma assembleia bem composta, uma multidão seguiu em oração na romaria. Também nas freguesias da Lamarosa e da Fajarda se mantêm vivos os rituais desta época. A seguir ao dia de Todos-os-Santos surge o Dia de Finados. Na religião Católica, este último destina-se aos defuntos que ainda não alcançaram a Bem-Aventurança eterna. “ A nossa fé, diz-nos que ao morrer não estamos purificados. Temos de passar pela purificação dos actos menos bons. Os fiéis defuntos são os que aguardam a nossa ajuda, enquanto os santos vivem em glória”, explicou o Padre Salvador. O sacerdote adiantou ainda que o mês de Novembro, é por si só, o mês dos fiéis defuntos. O negócio das flores Este ano, as flores da época para levar para o cemitérios estão mais caras. Mesmo assim, Isabel Pontes florista em Coruche recebeu mais de 500 encomendas para arranjos. A mudança de tempo, impediu que as flores de estufa abrissem a tempo e por isso, foi necessário aumentar as encomendas vindas da Holanda. Um factor que encareceu os molhos até aos 20 euros cada e que acarretou prejuízos para os donos das estufas nacionais.“A maior procura de flores deve-se ao aumento do poder de compra”, refere a florista com 23 anos de experiência. Segundo Maria José Prates, gerou-se uma moda e com os despiques, ninguém quer ficar mal visto com as flores que apresenta. Alguns não olham ao preço.Este ano, as clientes vieram fazer as encomendas muito cedo. Os crisântomos, os novelos, os carrapitos das velhas e a amêndoas são as variedades mais procuradas, com preços entre os 10 e os 15 euros por cada ramo. As profissionais têm clientes fixos que mantêm a preocupação de manter as campas arranjadas. Antigamente nos meios rurais, as mulheres exibiam arbustos de artemijas nos quintais para depois levarem para o cemitério. Os cuidados eram dobrados para proteger as flores da chuva e no dia de Finados “lá iam elas de molhos debaixo do braço, com o balde e a vassoura”.Andreia Sofia Neves
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