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A favor da lei do bom senso

A favor da lei do bom senso

Tascas devem continuar a ser típicas
Edição de 28.01.2004 | Economia
Se é verdade que a lei, quando sai, é igual para todos, também não é menos verdade que ela poderá não ser equitativa. Como pode uma tasca típica continuar a sê-lo depois de levar um tecto falso, por exemplo? Como se consegue criar uma terceira casa de banho num restaurante que tem, já de si, um espaço exíguo? Como se pode construir uma casa para o gás no exterior quando o restaurante está situado numa rua estreita de uma zona histórica?Estas são perguntas que os proprietários da Casa das Ratas, em Tomar, ou da Casa dos Coiratos, em Vila Franca, já fizeram muitas vezes sem obter respostas. “A lei não pode ser feita à medida de cada um, mas tem de haver bom senso na sua aplicação”, dizem algumas associações do sector.Há cerca de dois anos, a delegada de saúde de Tomar quase morreu de susto quando entrou pela primeira vez na Casa das Ratas, situada na zona histórica da cidade e considerada já como uma instituição.“Quando viu as teias de aranha com mais de um metro, que quase tocavam nas pessoas, a senhora ficou horrorizada e disse que se a casa não levasse uma limpeza geral tinha de ser fechada”, diz Isabel Matreno, a nora do proprietário. As teias foram tiradas, as paredes pintadas, mas isso só não chega. “Agora querem que se ponha um tecto falso e se construa uma casa de banho”, refere, adiantando que a instalação sanitária será feita mas nunca o tecto falso – “Esconder os barrotes era tirar a tipicidade à casa e isso nem os clientes deixavam”, refere, adiantando que “antes fechar do que transformar a tasca num café normal”.Cem metros mais acima, passada a Ponte Velha, fica um dos restaurantes mais conceituados de Tomar. O Bela Vista até tem a placa de restaurante recomendado pela associação do sector mas falta-lhe a terceira casa de banho para estar conforme a lei.João Antunes diz que não tem a mínima possibilidade de construção de mais uma instalação sanitária por simples falta de espaço. “Este é um restaurante de 1922 e ao longo dos anos fomos fazendo os investimentos necessários para funcionarmos de acordo com a lei”, diz, adiantando que se for obrigado a fazer a casa de banho “fecha a porta e manda os funcionários para o desemprego”.Mais a Sul, em Vila Franca de Xira, serão poucos os que nunca entraram na Casa dos Coiratos para comer uma sandes de pele de porco assada na brasa. E quem lá vai não se importa que as mesas e as cadeiras sejam de fórmica ou que o balcão não esteja a brilhar. Apesar de não ter nenhuma placa a indicar o caminho, a tasca é visitada diariamente por pessoas de Norte a Sul do país.António Monteiro, o proprietário, diz que se tiver que cumprir todos os requisitos exigidos mais vale fechar, que o investimento não compensa o parco lucro.
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