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O militar que faz tapetes de arraiolos

Artur Antão está há 14 anos à frente da junta de freguesia de Montalvo
Edição de 28.01.2004 | O poder local aqui tão perto
Militar de carreira, com a patente de sargento chefe pára-quedista, o presidente da Junta de Freguesia de Montalvo (CDU) caiu de pára-quedas nos meandros da política e diz mesmo ter sido “enganado” por António Mendes, presidente da Câmara de Constância. “Estou a exercer um cargo político mas não me considero político”, diz Artur Antão.Nasceu há 66 anos na Pampilhosa da Serra e cedo decidiu seguir uma carreira militar que o trouxe até à Base Escola de Tropas Páraquedistas, em Tancos. Viveu no Entroncamento e, em 1975, depois de ter combatido em quase todas as províncias do Ultramar, decidiu instalar-se em Montalvo.Em 1989 vê-se inscrito numa lista da CDU concorrente à junta. “Se me dissessem que eu vinha para presidente nunca tinha aceite”, diz Artur Antão, adiantando que o convenceram a integrar a lista em segundo lugar, já com o intuito do cabeça de lista, Reinaldo Ferreira, acompanhar António Mendes para Constância, como vereador. “Por isso digo que sou um presidente sem nunca ter pensado ser”.A mulher, Maria, e os dois filhos – Marcelo e Ana Paula –sempre o apoiaram, mesmo quando não estão de acordo com algumas das decisões por si tomadas. “Estão comigo para o bem e para o mal”.É um homem frontal, gosta de dizer na cara aquilo que pensa. E quando “se passa”, Artur Antão diz o que deve e o que não deve. É por isso, que em algumas assembleias municipais, prefere entrar mudo e sair calado. “Não partilho a teoria de que só por ser oposição tem de se estar sempre contra o poder, mesmo que isso não traga benefícios à população”.Ao fim de 14 anos de poder autárquico, o presidente da junta diz não estar disposto a fazer mais um mandato. “Já este não era para fazer, mas António Mendes sabe muito bem como mandar a semente para a terra quando quer que ela produza”, refere em tom de brincadeira.O páraquedismo está-lhe no sangue mas afirma-se desiludido com a tropa. “A única coisa de que hoje tenho saudades é dos saltos”, diz, acrescentando que o élan que existia no páraquedismo acabou quando o governo decidiu reformular as forças armadas. “Não há nenhum verdadeiro páraquedista que se reveja agora na unidade”.Sportinguista ferrenho, é sócio do clube vai para muitos anos e já visitou o novo estádio. Sempre foi desportista e chegou a praticar atletismo a sério. Hoje, só consegue correr nas horas vagas, quando não tem algum tapete de arraiolos para fazer. Sim, leu bem, o presidente da Junta de Freguesia de Montalvo gosta de pegar na agulha e fazer tapetes e carpetes de arraiolos. E não se pense que foi a mulher que o encaminhou para estas andanças – “ela nem sequer sabe fazer, gosta é de croché”. Foi um vizinho, alentejano de Ponte de Sor, que lhe pôs o bichicho. “Ele fazia tapetes e eu comecei a interessar-me”. Já fez tapetes para os primos de Lisboa, amigos da Pampilhosa, para vizinhos e para os filhos. Mas em casa tem poucos – “não há tempo”. Apesar de não ser um hobbie usual entre o sexo masculino, Artur Antão não vê nisso qualquer problema. “É uma arte como outra qualquer”.

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