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Carolina Rebelo

“Dizemos que temos demasiados licenciados em Portugal, mas depois queixamo-nos que temos pouca formação em comparação com o resto da Europa. Acho que há sempre espaço para quem tem uma licenciatura. O desemprego dos recém-licenciados é uma questão

Estudante de Direito, 20 anos, Azambuja

Edição de 03.03.2004 | Agora falo eu
A educação sexual deve ser integrada no currículo escolar?Não sei. Em ciências da terra e da vida havia uma parte do programa sobre o corpo humano. Lembro-me que na escola essa matéria era passada sempre para a última parte. Como éramos muito novos via-se que havia um pouco de receio de falar sobre estas coisas. Criar uma disciplina só sobre educação sexual só para conhecimento do corpo não me parece mal. Mas quem irá leccionar? Parece-me que é preciso desenvolver mais essa matéria.As pessoas estão informadas sobre a Sida?Acho que têm consciência e sabem dos riscos que correm, mas parece-me que muitas vezes não são cuidadosas o suficiente. Pensam que acontece sempre aos outros. Ou então confiam na outra pessoa. Costuma deixar gorjeta nos restaurantes?Depende do restaurante, mas não é hábito. Acho que é mais por uma questão social. As pessoas têm vergonha de não deixar alguma coisa.Porque é que as pessoas não se interessam pela política?Ao nível local esse distanciamento nota-se mais. Tive essa noção quando assisti à Assembleia Municipal de Azambuja sobre a Comunidade Urbana da Lezíria. Acho que existe falta de formação para escolher quem nos representa. Pensava que era uma coisa muito mais técnica, mas quando cheguei lá vi que discutiam o aspecto sentimental da questão. Não é que não seja importante, mas achei que também havia outras coisas de que se poderia falar. Ainda faz sentido falar em desigualdade entre homens e mulheres?Não. Acho que nós mulheres é que temos que avançar e dizer estamos aqui e queremos fazer isto. Não vejo que quando se consagra algum direito - mesmo em cargos políticos ou de órgãos estatutários de pessoas colectivas - esteja escrito sexo masculino. Referem-se a pessoas e eleitosAs pessoas com deficiência têm igualdade de oportunidades?Talvez haja discriminação, mas parece-me que é mais no mundo que nós criámos e a forma como conjugámos as coisas. As próprias casas cada vez têm mais andares. Parece-me que isso sim é uma barreira maior do que a discriminação.Há demasiados licenciados em Portugal?Dizemos que temos demasiados licenciados em Portugal, mas depois queixamo-nos que temos pouca formação em comparação com o resto da Europa. Acho que há sempre espaço para quem tem uma licenciatura. O desemprego dos recém-licenciados é uma questão preocupante, mas não devemos arranjar essa desculpa para não os formarmos. A construção de 10 estádios para o Euro 2004 foi um exagero?A realização do Euro poderá ajudar a desenvolver o país, embora não nos coloque propriamente no topo da Europa. Vai ajudar a criar postos de trabalho. Não sou pessimista nesse sentido. A construção dos estádios propriamente ditos não vai contribuir para nada. Os estádios serão usados para os jogos da Liga a nível nacional. Como se corresponde com os amigos?Por e-mail e telefone. A carta em papel utilizo muito pouco. O e-mail é mais rápido. Não considero que seja mais frio porque quando leio um e-mail, conhecendo a pessoa, é como se estivesse a ler uma carta. É como se a estivesse a ouvir a pessoa a falar. Os portugueses lêem pouco?Eu acho que hoje se lê mais. Por exemplo, no comboio vejo sempre pessoas a ler livros. Vejo normalmente as mulheres com um livro e os homens com jornais. Qual o último filme que viu? “Cold Montain”. Passa-se em meados do século XIX em plena guerra civil americana. Não costumo gostar muito de filmes de época, gosto de coisas mais modernas, contemporâneas e estava reticente em ir ver, mas gostei.É apreciadora de filmes portugueses?Não e não sei porquê. Os filmes não me cativam o suficiente. E acho que não é pela língua. É mesmo pela história. Vejo a apresentação na televisão ou leio nos jornais e não me cativa. Qual é o seu livro de cabeceira?Livros de Direito. Durante o ano lectivo não consigo ler outra coisa senão os livros escolares, no entanto gosto muito de autores portugueses. Vergílio Ferreira, Florbela Espanca e Pessoa e os heterónimos. A última coisa que li foi uma antologia de poemas de Florbela Espanca.

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