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Custos a dobrar

Custos a dobrar

Moradores do Fairro pagam pelo saneamento que não têm e pelo despejo das fossas

Os dez moradores da Recta do Fairro andam a pagar duplamente à Câmara de Santarém. Desde Janeiro deste ano que pagam tarifa de saneamento, apesar de não serem servidos pela rede. Dizem que já lhes basta terem de pagar à autarquia para lhes esvaziar as fossas.

Edição de 28.04.2004 | Sociedade
Manuel Ruivaco vive na zona do Fairro, uma área limite entre as freguesias de Achete, Póvoa de Santarém e Alcanhões, no concelho de Santarém. Ali, a rede de saneamento básico ainda não chegou tendo de recorrer, tal como os vizinhos, ao despejo dos seus esgotos domésticos para uma fossa séptica. Quando esta enche tem de pagar aos serviços camarários para a esgotarem, mas desde Janeiro os custos são a duplicar pois os Serviços Municipalizados de Santarém (SMS) passaram a cobrar uma tarifa, indexada ao consumo de água, sobre um serviço que não é prestado.Os valores da taxa de saneamento registada nos recibos emitidos pelos SMS têm variado entre os dois e os três euros, que o morador paga contrariado. Manuel Ruivaco já se deslocou à Junta de Freguesia de Alcanhões, onde paga a água, tendo sido informado que, apesar do assunto já ter sido abordado na câmara, ainda nada se resolveu.Por isso, no dia 12 de Abril deslocou-se aos SMS e à Câmara de Santarém, mas de nada lhe valeu. “Nos SMS dizem que é a câmara que manda. Do outro lado, referem que vão receber a reclamação e que depois enviam um fiscal. Não fomos nós que errámos para estarmos com este trabalho”, desabafa, manifestando ainda a sua estranheza por não haver registos sobre quem ainda não está servido pela rede de saneamento básico. Entretanto os meses vão-se passando e os recibos de água continuam a indicar uma tarifa de saneamento, situação que Manuel Ruivaco considera injusta. “Pago o que for necessário quando se justificar, o que não é o caso”, acrescenta.Em pior situação está o seu vizinho do lado, José Fernandes. A situação é idêntica à de Manuel Ruivaco, com a agravante de viverem seis pessoas na sua casa, o que pesa mais em termos de consumos. Desde Janeiro que pagou entre 3,6 e sete euros de tarifa de saneamento, o que considera bastante oneroso. “E já se sabe que com tanta gente em casa a fossa também enche mais depressa e também nos cobram por vir esvaziá-la”, lamentou-se a O MIRANTE.Para mais, José Fernandes desfez-se do poço que tinha no terreno quando foi instalada a água canalizada, e que hoje podia compensar os consumos de água.Ambos os moradores não compreendem como a Câmara de Santarém recebe dinheiro pela instalação do saneamento básico nas casas e não sabe quem está ou não ligado a essa rede.Câmara diz que vai devolver valores cobrados indevidamenteO administrador dos SMS, José Marcelino, rejeita qualquer responsabilidade dos serviços na cobrança indevida da tarifa de saneamento, indicando que cabe à Câmara de Santarém informar sobre o que deve ser feito.No entanto, José Marcelino, que é também vereador na câmara, eleito pela CDU, reconhece que o problema é de difícil resolução. “Esta situação afecta algumas franjas de freguesias como Alcanhões, Amiais de Baixo, Tremes, Pernes e Achete, nalguns casos por responsabilidade dos proprietários. Mas também sabemos que é difícil verificar os dados no terreno”, diz ressalvando que não existe um registo da situação actual.O vereador da Câmara de Santarém, Manuel Afonso (PS), referiu a O MIRANTE que existem alguns lapsos resultantes do sistema introduzido no início do ano e que a autarquia irá corrigir as situações e devolver o valor das taxas pagas indevidamente.De acordo com o autarca, “é difícil à edilidade identificar todos os casos do género, mas acredito que as situações não devem ser muitas”. Acrescenta que muitas vezes é através da informação das pessoas que os serviços da câmara conseguem dar uma resposta mais abrangente àquele género de problemas.
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