uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Turismo ecológico no mouchão da Póvoa

Turismo ecológico no mouchão da Póvoa

Espaço abandonado será transformado numa ilha paradisíaca

Um empresário pretende transformar o mouchão da Póvoa de Santa Iria numa ilha paradisíaca que apostará no turismo ecológico. O projecto foi apresentado à Câmara Municipal de Vila Franca que aplaudiu a ideia e prometeu apoio.

O cenário de abandono e degradação do mouchão da Póvoa de Santa Iria, uma ilha no rio Tejo a 200 metros do cais da cidade, tem os dias contados. Uma sociedade ligada ao turismo vai investir milhões num projecto que considera “de qualidade superior” e vai transformar o mouchão num espaço paradisíaco com um aproveitamento máximo das potencialidades existentes.O mouchão da Póvoa será o primeiro a avançar, prevendo-se que a estância turística possa ser inaugurada dentro de dois anos, mas o MIRANTE apurou que há interesse de outros privados na recuperação dos mouchões de Alhandra e do Lombo do Tejo.Os três mouchões pertencem à freguesia de Vila Franca de Xira, mas as autarquias da Póvoa, Alhandra e Alverca já reivindicaram a sua posse administrativa. O projecto da Póvoa foi apresentado na última reunião pública da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, no dia 9 de Junho. Paulo Andrez, administrador da sociedade empreendedora, a Lagonda SA, apelou à autarquia e aos presidentes das assembleias e juntas de freguesia de Vila Franca e Póvoa de Santa Iria, presentes na sala, para colaborarem no investimento. O gestor frisou que “sem o apoio das entidades locais, o projecto não terá viabilidade”. Sem quantificar o investimento previsto, o empresário frisou que é um projecto “de alto risco” dirigido a um segmento de mercado diferente do existente. “É um projecto que não tem igual na Europa e com poucos semelhantes no mundo”, reforçou Orlando Reis, o arquitecto que elaborou o plano e que foi também responsável pelo projecto de recuperação da Ilha Formosa no Algarve. A recuperação do mouchão da Póvoa contempla um campo de golfe ecológico, uma piscina com aproveitamento da água do rio, seis postos de observação de aves (algumas espécies em vias de extinção que estão protegidas no Estuário do Tejo), boxes para cavalos, espaços de diversão para crianças e adultos, a recuperação da capela existente e até um heliporto para aterrarem aeronaves de turismo e de socorro.O empreendedor deixou a garantia de que não haverá alteração da fachada de nenhum dos edifícios a recuperar e que as novas construções serão feitas em madeiras tratadas provenientes de áreas onde a extracção é legal. Ao contrário do que é habitual, o projecto da Póvoa já foi aplaudido pelos ambientalistas que consideraram a oportunidade única para evitar o desaparecimento da ilha a curto prazo.Com uma impermiabilização de apenas 0,06 por cento da área total e uma construção em apenas 0,37 por cento do espaço, o promotor garante 140 habitações e 50 bungalows que podem albergar mais de 380 pessoas diariamente. O arquitecto Orlando Reis salientou que o mouchão vai manter as características agrícolas, embora os armazéns e celeiros sejam destruídos. O projecto prevê o aproveitamento dos canais de rega e drenagem existentes para estrutura de suporte de construções em madeira.Envolver a comunidade avieiraA ligação ao mouchão será feita de barco e o investidor pretende desafiar os pescadores da Póvoa para assegurarem o serviço e algumas visitas guiadas no rio. O cais da Póvoa será recuperado e num minuto, os turistas farão a ligação à ilha. No mouchão só irão circular carros eléctricos de apoio ao golfe e para deslocação dos turistas.O mouchão já possuiu o maior parque de viaturas e máquinas agrícolas da península ibérica. O património que resistiu na ilha será valorizado com um museu que contará a história do mouchão. As famosas águas minerais que foram consideradas milagrosas na cura de várias doenças serão aproveitadas para tratamentos termais.O empresário Paulo Andrez lembrou que tempo é dinheiro e frisou a necessidade do projecto avançar com celeridade. A degradação tem custos, segundo o investidor, há quatro anos para minimizar as consequências de um rombo no mouchão de Alhandra, o Instituto Nacional da Água gastou mais de 300 mil euros. O empresário contou que só para fazer uma limpeza no rio junto ao mouchão da Póvoa já gastou mais de 100 mil euros.Paulo Andrez vai candidatar o projecto a fundos comunitários e nacionais, mas a maior fatia do investimento deverá ser suportado por capitais próprios. Segundo o empreendedor, o preço será um dos critérios de selecção dos turistas que irão pagar “o valor justo para a qualidade oferecida”.Nelson Silva Lopes
Turismo ecológico no mouchão da Póvoa

Mais Notícias

    A carregar...