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Samora Correia e o sonho de voltar a ser concelho

Samora Correia e o sonho de voltar a ser concelho

Maior freguesia de Benavente sente-se preterida em termos de investimento

Samora Correia é uma das freguesias mais desenvolvidas do distrito de Santarém e não pára de crescer. Com 14 mil habitantes e mais de 800 pequenas e médias empresas, não desiste de lutar pela recuperação do estatuto de concelho.

A freguesia de Samora Correia é a maior do concelho de Benavente e entre os seus habitantes está bem vincada a ideia de que a freguesia dá mais para o município do que recebe. O sentimento de injustiça é partilhado pelo presidente da junta que lamenta a existência duma dualidade de critérios na realização das obras com um claro benefício da sede do concelho.A título de exemplos o autarca refere a recuperação das zonas ribeirinhas, com um investimento muito superior em Benavente e a recuperação do Cine-Teatro de Benavente concluída muito tempo antes do Centro Cultural de Samora Correia. Carlos Luís Henriques salienta a boa relação que existe entre a junta e a câmara, mas insiste na necessidade de Samora continuar a alimentar a luta pela restauração do concelho. “Somos uma das maiores freguesias do distrito e não faz sentido que só pela questão da área não sejamos concelho. Com a sede do município em Samora seríamos nós a gerir a nossa riqueza e isso seria vantajoso”, explica. A freguesia tem cerca de 14 mil habitantes (os recenseados não chegam a 11 mil) e 322 quilómetros quadrados. É a sexta maior a nível nacional, mas mesmo assim não tem os 500 quilómetros quadrados exigidos pela actual lei. É aqui que a porca torce o rabo e a restauração do concelho já foi adiada três vezes nos últimos 23 anos. Os defensores da elevação a concelho avançam com argumentos históricos – Samora foi concelho até 1836 - sociais e económicos para sustentar a sua pretensão e reclamam prejuízos causados pela centralização dos serviços das finanças, conservatórias dos registos civil, predial e comercial e Tribunal em Benavente. Autarcas e sociedade civil já reclamaram a criação de delegações na freguesia junto do poder central, mas sem sucesso.Mas a luta pela autonomia também se sente internamente na freguesia. Um grupo de habitantes do Porto Alto (o segundo maior núcleo urbano) está a dinamizar um abaixo- assinado para promover junto da Assembleia da República a elaboração de uma proposta para a criação da freguesia. O presidente da junta considera ser uma pretensão legítima, mas não reconhece vantagens da criação de uma nova freguesia. Carlos Henriques diz mesmo que a ideia não tem acolhimento em toda a população do Porto Alto e sublinha que pode ser um facto de divisão das populações vizinhas. A freguesia de Samora Correia tem mais de 800 pequenas e médias empresas e tem uma oferta de emprego muito superior á procura. Todos os dias centenas de pessoas deslocam-se para Samora para trabalhar e quem tem de atravessar a EN 118 depara com uma demora significativa. O desvio do trânsito está prometido há uma década, mas a variante tarda em parecer e as alternativas existentes não estão sinalizadas. Centenas de famílias optaram por comprar casa em Samora. A proximidade do emprego e os preços atractivos tornou o local atractivo e há mesmo quem trabalhe em Lisboa e tenha comprado casa na vila. “Vendi o meu andar em Lisboa e com a receita comprei uma vivenda em Samora e um carro novo. Valeu a pena”, explica João Alves Ribeiro, funcionário administrativo duma multinacional na capital.A maior dificuldade dos novos residentes é conseguir creche ou ama para os filhos e quem cuide dos pais quando se tornam dependentes. As respostas da única Instituição Particular de Solidariedade Social e dos privados são claramente insuficientes e a preocupação é partilhada pelo presidente da junta que diariamente é confrontado com pedidos de ajuda.A integração das novas famílias, incluindo centenas de imigrantes do Leste, do Brasil e de África que escolheram Samora para viver é outra preocupação. Os eleitos querem evitar a criação de um dormitório e por isso não são permitidas construções com mais de quatro pisos (3º andar). O crescimento da freguesia foi acompanhado pelo crescimento da insegurança. Os militares da GNR são insuficientes e não têm meios para acompanhar a evolução. Para agravar a situação, a freguesia está localizada junto de nós rodoviários com ligações facilitadas para Norte e Sul e onde é complicado bloquear os criminosos com tanta alternativa para fugirem. Na saúde, Samora não tem grandes razões de queixa. A unidade de saúde na sede da freguesia foi considerada modelo e assegura um serviço permanente até às 22h00, depois as urgências são encaminhadas para o Centro de Saúde de Benavente e Hospital de Vila Franca de Xira. O lugar do Porto Alto com 4500 habitantes têm um posto médico que funciona durante o dia.A população tem orgulho nos seus bombeiros que apresentam um equipamento razoável e níveis de formação dos melhores que fazem com que os seus voluntários integrem várias missões nacionais e internacionais.A vida associativa é dinâmica e apesar das dificuldades para renovar os dirigentes, há quase dias dezenas de associações que mantém uma actividade permanente nas áreas do desporto, da cultura e do lazer. A freguesia tem piscinas cobertas e aquecidas, pavilhão, vários polivalentes, campos de ténis, escola de trânsito, parques infantis e muito campo para passeios pedonais e de bicicleta.Samora tem a fama de estar sempre em festa. O Carnaval (considerado o melhor do Ribatejo), o Festival de Gastronomia e as tradicionais festas de Agosto são os pontos altos, mas não faltam eventos ao longo do ano. Os Serões de Verão tem sido animados com programas musicais organizados pela Junta de freguesia que preparou também actividades de animação para ocupar as férias grandes dos alunos das escolas.Os mercados diários de Samora e Porto Alto não funcionam bem e têm motivado queixas de vendedores e clientes. Outra preocupação dos moradores é o estacionamento de mais de duas centenas de camiões. Uma boa parte fica à porta dos motoristas com incómodos e insegurança para os vizinhos. As autarquias estão a estudar a hipótese de criar um parque vedado e vigiado para pesados, mas a primeira proposta, que apontou para os terrenos da feira, foi rejeitada pelos vizinhos que contaram com a solidariedade do presidente da junta. A freguesia tem uma cobertura de rede de água e esgotos quase a 100 por cento. Apesara da existência de quatro estações de tratamento, uma boa parte dos esgotos continua a ir a céu aberto, e sem tratamento, para o rio Almansor. A despoluição do afluente do Tejo é fundamental para aproximar a população do seu rio.Nelson Silva Lopes
Samora Correia e o sonho de voltar a ser concelho

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