Autópsia aponta para intoxicação medicamentosa
Ministério Público investiga circunstâncias em que ocorreu o falecimento da jovem estudante de Tomar
A morte de uma jovem estudante de Tomar, que foi a enterrar na quinta-feira, está a ser investigada pelo Ministério Público. O relatório preliminar da autópsia aponta como causa da morte uma intoxicação medicamentosa.
O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) abriu um inquérito para determinar as circunstâncias que determinaram a morte de Sara Damásio, a jovem 16 anos que faleceu no dia 12 de Junho. O relatório preliminar da autópsia, realizada pelo Instituto de Medicina Legal de Lisboa, aponta para que a causa da morte da jovem se tenha devido a uma intoxicação medicamentosa.A abertura de um inquérito é uma formalidade exigida nestes casos – quando ocorre uma morte violenta e/ou em circunstâncias suspeitas de ilicitude - , que exigem ainda a realização de autópsia.Apesar de ter sido aberto em Lisboa, o inquérito irá transitar para o Ministério Público de Tomar, para este proceder às diligências subsequentes à morte. A transferência do processo deve-se, de acordo com a Polícia Judiciária (PJ), ao facto de ser esta a área de residência da jovem e onde se verificaram os factos que se pretendem investigar. “A jovem deu entrada no hospital de Tomar e só depois foi transferida para Lisboa”, refere o director da Judiciária de Leiria. Carlos Gomes adiantou que cabe agora ao procurador que ficar titular do processo proceder às diligências que possam conduzir ao apuramento das circunstâncias em que a morte de Sara Damásio ocorreu.Se houver suspeita de crime, o Ministério Público remeterá o processo para a Polícia Judiciária, neste caso para o Departamento de Investigação Criminal de Leiria, já que Tomar faz parte da sua área de abrangência.Funeral foi uma enormemanifestação de dorCerca de um milhar de pessoas acompanhou na quinta-feira passada o cortejo fúnebre de Sara Damásio. Muitos jovens, amigos, colegas ou simplesmente conhecidos da estudante de Tomar marcaram presença, vestidos de luto.Enquanto o corpo da jovem saía da casa mortuária eram muitos os que já a esperavam no recinto do cemitério. O calor era abrasador e as sombras poucas, mas ninguém parecia incomodado com a temperatura. À entrada do carro funerário pelos portões do cemitério fez-se silêncio. Um silêncio de dor e consternação pela morte de uma jovem que iria fazer 17 anos em Setembro. Um silêncio de morte.Durante uns minutos, os funcionários da agência funerária retiraram do carro dezenas e dezenas de ramos de flores. Brancas, azuis, amarelas. Coroas e palmas de grandes dimensões ou simples arranjos. Flores para uma flor.Sara era uma flor, uma flor mimosa como são todas as filhas únicas. Uma jovem na flor da idade, alegre e brincalhona mas ao mesmo tempo com um ar sereno e tranquilo. O silêncio só foi quebrado quando a urna branca baixou ao seu último destino. Uma urna coberta por uma bandeira do Núcleo Sportinguista de Tomar, clube do qual Sara era sócia. E a dor extravasou com um grito lancinante que cortou o coração de todos os presentes. Um grito de quem vê partir para sempre parte de si. Nada é comparável à morte de um filho.Alguns, menos preparados, não aguentaram a emoção. E desfaleceram ali mesmo, tendo de ser levados para receber tratamento hospitalar. Os pais de Sara amparavam-se mutuamente, enquanto em passos vacilantes saíam do local. Não havia mais nada a fazer.Mas muitos continuavam aglomerados em volta da última morada de Sara. À espera não se sabe do quê. Quando a última pessoa saiu do local o silêncio e a paz voltaram ao local.Sara Damásio foi sepultada ao fundo do cemitério de Marmelais, junto ao muro de onde se avista, altivo e imponente, o castelo e o Convento de Cristo, símbolos de uma cidade que a viu nascer há 16 anos.Margarida Cabeleira
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