Forcados são quem mais sofre
Cinquenta assistências em cinco épocas
Desde que foi criada, esta equipa já assistiu cerca de 50 agentes da festa brava. As vítimas mais frequentes e com situações mais complicadas são os forcados. Os traumatismos cranianos com convulsões e perda de consciência e as lesões provocadas pelos arpões das farpas são frequentes. A equipa está preparada para o pior. O hospital está a menos de cinco minutos, mas o equipamento existente na enfermaria permite realizar a primeira intervenção e estabilizar as vítimas ou prepará-las para o transporte hospitalar.O último caso marcante assistido na enfermaria da praça de Vila Franca de Xira foi o do forcado José Miguel Vinagre dos Amadores de Alcochete que sofreu uma lesão grave na mucosa bocal e foi suturado com 60 pontos numa zona delicada. Ironia do destino, o valente forcado perdeu recentemente uma vista quando pegava um toiro em França como O MIRANTE reportou na sua edição de 3 de Agosto.O cirurgião Luís Ramos lembra também o bandarilheiro espanhol Luís Manuel Valverde da quadrilha do matador César Jiménez que sofreu uma colhida grave na última Feira de Outubro. “Só pelo impacto, apercebemo-nos de que era uma colhida muito grave”, explica o médico Luís Ramos. A presença de toda a equipa no burladero permite observar as colhidas e prever logo o tipo de lesões. Valverde sofreu duas feridas de 18 e 30 cm e fractura da bacia. Uma das cornadas incidiu na zona inguinal direita junto da artéria e veia femoral. Quando viram o traje ensopado de sangue, os médicos temeram o pior. “Sentimos alguma angústia, mas felizmente não se confirmou”, refere o cirurgião. O toureiro foi estabilizado e medicado no bloco da enfermaria e de seguida foi operado no hospital pelo cirurgião Luís Ramos. “No bloco da Enfermaria tentamos debelar lesões potencialmente fatais que não podem esperar. As outras depois de estabilizadas podem ser tranquilamente transferidas para o hospital”, explica.Valverde recuperou das lesões, voltou às arenas e nunca mais se esqueceu “do amigo Luís de Vila Franca”.Mas a situação que mais marcou o cirurgião foi a colhida do jovem praticante Gonçalo Montoya num espectáculo no Dia Mundial da Criança de 2003. O aspirante a novilheiro de Santarém foi colhido quando recebia uma bezerra logo à saída dos curros e caiu inanimado na arena. A praça estava cheia de crianças e foi um momento “horrível”. O jovem toureiro foi reanimado no bloco da enfermaria e seguiu numa ambulância do INEM directamente para a Unidade de Neurocirurgia do Hospital de São José em Lisboa onde não se confirmou o pior diagnóstico. Gonçalo Montoya acabou por abandonar as arenas por outras razões.
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