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A festa da poesia popular

A festa da poesia popular

Encontro reuniu meia centena de participantes em Samora Correia

Mais de meia centena de poetas ribatejanos reuniram-se em Samora Correia para uma jornada dedicada à poesia popular. A iniciativa tem crescido de ano para ano.

Edição de 01.02.2006 | Cultura e Lazer
Homens e mulheres de todas as idades falaram de poesia e recitaram versos repletos de melodia e magia. Todos eles têm uma coisa em comum: amam a poesia popular. Foi assim mais um Encontro de Poetas Populares do Ribatejo que decorreu sábado no Palácio do Infantado, em Samora CorreiaIsabel Borges Saldanha veio de Santarém e resolveu ler poemas do seu livro “O Melhor do Ribatejo”, publicado o ano passado. Esta empresária da área dos espectáculos aproveitou o facto de muito viajar para conhecer os concelhos da sua região e descrevê-los em verso. Do mesmo concelho, mais concretamente de Almoster, veio também Maria Judite Leitão. A poetisa está a ultimar o seu manuscrito para poder publicá-lo brevemente. Nele, o tema dominante é o amor. “Sou muito romântica, e acredito no amor”, refere sem hesitação. Maria Judite Leitão escreve desde os 18 anos e tem tido sempre o apoio da família para poder levar para a frente a sua missão: “escrever sempre que me apetece”. Um dos livros mais extensos apresentados neste encontro foi o de José Batista dos Santos. O poeta da Várzea de Santarém leu um poema do seu livro “Memórias do Avô Zé”. São mais de 300 páginas. É uma autobiografia em verso. José Batista dos Santos é um apaixonado por Luís de Camões. Começou a escrever versos ainda se encontrava na escola primária. Tem sido uma vida dedicada a esta sua “grande paixão”. A seu lado tem tido o neto, um dos admiradores da sua escrita. Também autobiográfico é o mais recente livro de João Sabino: “A Minha História”. O poeta de Muge, mas há muitos anos a viver em Benavente, tem 85 anos, mas a idade não é obstáculo. Já publicou cinco livros, e neste momento já está a planear mais um. A jogar em casa volta a estar o poeta popular de Samora Correia António Veríssimo. A sua mais recente obra chama-se “Maria da Liberdade”. E foi daí que leu um poema. O livro retrata essencialmente as vivências do povo de antigamente. António Veríssimo afirmou ao nosso jornal que os cinco livros já publicados venderam 37 mil exemplares. O segredo, diz, está no facto de vender os livros a um custo reduzido e à promoção que faz dos mesmos. Normalmente, sempre que sai de casa leva uns livros debaixo do braço e não hesita em apresentá-los a quem se cruze com ele pelo caminho. De Alverca do Ribatejo veio a poetisa Vitalina Lopes, que participa no encontro pelo terceiro ano consecutivo. Este ano, resolveu ler “Migalhas do Meu Povo”, um poema que versa a natureza. Normalmente, escreve todas as noites. Debaixo da almofada, tem sempre um bloco de notas. E mesmo que já esteja deitada, sempre que lhe surge uma ideia acende a luz e escreve. O V Encontro de Poetas Populares do Ribatejo, organizado pela Câmara de Benavente, teve um grande número de participantes. Mais do que o ano passado. “É importante que esta dinâmica se espalhe por todo o distrito”, referiu o escritor Domingos Lobo. O mentor deste projecto defendeu também que no concelho de Benavente há bons poetas. Talvez por isso, a câmara resolvesse apoiar a escrita. Depois da “Antologia dos Poetas do Concelho”, publicada em 1999, o município está agora apostado em publicar poetas a nível individual numa colecção intitulada “Memórias da Nossa Gente”. Mário Gonçalves
A festa da poesia popular

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