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Vigilante Serafim das Neves

Primeiro quero lavrar aqui o meu protesto pela forma como me tratas no teu último e-mail. Meditabundo não é coisa que se chame a um homem nesta altura do ano. Admito que se tratou de uma gralha, essa ave agoirenta que tanta cagadela deixa nos jornais, mas se assim foi é bom que não a deixes voltar a poisar na abertura das missivas que me diriges. Provavelmente querias dizer que eu sou o típico meditabunda, tendo em conta a tua habitual argúcia. E se assim foi não andas longe da verdade. Com tanta mulher à solta por aí a usar aquelas calças descaídas que põem ao léu, assim que elas se sentam, mais de cinquenta por cento das suas generosas bundas, que mais posso eu aspirar a ser que um desesperado meditabunda. Quando muito - e já que meditabundo é alguém que medita - serei, quando muito, um meditabundo das bundas. Quem inventou as calças pelo meio do cu foram os homens, como sabes. E não foi para fazer moda. Foi por necessidade. Tínhamos que as usar assim por causa da barriga. Era impossível, depois de meia dúzia de cervejas usarmos as calças na cintura. As mulheres que gostam de nos copiar em tudo – agora até já são adeptas de futebol – vai de usar as calças pelo meio da bunda dando origem aos meditabundas como eu. E como gosto eu de meditabundar nestes dias de calor, meu Deus!! E que não fique a ideia que lhes critico o copianço. Nada disso, antes pelo contrário. E aquela coisa de juntarem às calças descaídas as cuecas fio dental foi de mestre. De mestre! Os nossos olhos podem agora arremelgar-se de prazer perante aquela chicha tão generosamente exposta. Serafim, faço aqui um parêntesis (esta do parêntesis é de fino recorte literário) para referir uma crítica que recebi há dias de uma leitora. Dizia ela, referindo-se a estes e-mails, que eu podia dizer o mesmo com um quarto das palavras. Mas o raio da senhora não percebe que as palavras são para usar!!?? Que não foram inventadas para ficar guardadas nos dicionários!!?? Bolas para isto. Andam homens durante séculos a inventar palavras e depois zunga! Ingratidão para cima dos lombos!!! Porque é que ela não vai chatear o Camões?? Vê lá tu os romances, por exemplo. O Saramago não era capaz de resumir aquela história do Memorial do Convento a duas ou três páginas?!!! Claro que era, mas tu achas que lhe tinham dado o Nobel??? Não, claro que não. Por isso é que ele se estendeu por mais de trezentas e cinquenta. E valeu a pena ou não? Um prémio Nobel dá muita massa e prestígio. Se ele tivesse poupado nas palavras agora andava a poupar em tudo, até na pasta de dentes, porque não tinha cheta.E será que esta leitora gosta que o marido ou namorado economizem palavras quando se trata de lhe darem a volta para aquilo que a gente sabe? Pois é…se eles economizam palavras ficam a ver navios. Não levam nada. Para meterem a mão na massa tenra têm que ficar ali., blá, blá, blá. Blá, blá, blá, horas a fio. E se calhar ainda têm que oferecer flores e pagar o jantar. É tão bom criticar os outros não é, cara leitora!!?? Está a ver! Só à conta da sua crítica já lá vão três parágrafos. E bem obesos que eles são. E depois quer que eu poupe palavras!?? Ai valha-me Deus!!!Serafim, fiquei entusiasmado com aquela notícia da Lapa, Cartaxo. A dos populares que caçaram uns mânfios que andavam a tentar gamar. Foi uma cena à velho Oeste. Parabéns ao jornalista por nos ter dado aqueles pormenores todos. Estava a ler e parece que estava a ver um Westren dos antigos. E o título do artigo é um verdadeiro clássico: “Caçados pela população” Eu preferia “Caçados pela populaça” mas mesmo assim é uma pérola. Mais chamativo que o rabo da Shakira quando pega fogo.O senhor Gabriel Pedrosa a sair de casa em pijama com duas caçadeiras nas unhas. O vizinho que vem em seu socorro e que empunha uma das armas. Faltou só um uivo lúgubre na noite escura. Abençoada insónia que tal prontidão permitiu. E o povo ululante à volta do Centro de Dia com os meliantes a borrarem-se de medo em cima do telhado. Lapa passou a figurar no mapa. No sub-mundo do crime não se deve falar noutra coisa. “Vai à Lapa, vai, que até a barraca abana”, deve ser a frase mais ouvida no pátio da prisão de Alcoentre. Um destemido quebra-ossos do Manuel Serra d’Aire

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