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Comemorámos a décima inundação

Edição de 06.12.2006 | O Mirante dos Leitores
O dia 24 de Novembro de 2006 foi dia de festejos no Entroncamento. Comemorava-se mais um aniversário do município do Entroncamento. Um evento digno de solenidades, de sessões a condizer, de discursos a propósito. Curiosamente, e sem sermos convidados, também participamos nas festas. Só que não foram as mesmas das entidades oficiais. As nossas comemorações foram outras. Nesse dia comemorámos a nona e a décima inundações na nossa casa desde 1983. É obra ! Por este andar ainda nos vamos bater a um lugarzinho no “Guiness”!De manhã, à hora a que se desenrolava a solene sessão eu e minha mulher andávamos mergulhados com água até meia perna chafurdando no chavascal aquífero que nos invadiu a habitação e em que proverbialmente se transforma o cruzamento de Vasco da Gama com a Martins de Freitas. Mas não é preciso que haja tempestades, trombas de água, etc, não senhor, basta que a pluviosidade seja mais intensa, os caudais sejam fortes para que a choldra do saneamento à nossa porta não cumpra a mais elementar finalidade para que foi criado, que é dar escoamento que se veja à água. E quando julgávamos que “a nossa comemoração” já tinha acabado, eis que fomos brindados com segunda inundação em continuação da da manhã. Com a agravante de que a água que recebemos é uma mistura de água das chuvas com água da Ribeira de Sta. Catarina que transporta também esgotos domésticos. Completámos — e festejámos assim, um dia em cheio...em cheia!Em 24 Novembro 2006 o executivo municipal festejava uma data, um evento, do qual não pomos em causa a importância e o significado, enquanto nós, munícipes deste burgo vivíamos a essa hora e nas outras que se seguiram, os nossos momentos de angústia, de desespero, de frustração. Ser-se autarca não é apenas ocupar as cadeiras do poder. É também e sobretudo, ter uma postura de proximidade perante os cidadãos, ser sensível aos seus problemas, em particular nas horas difíceis de infortúnio. Entre toda a representação camarária, desde a presidência até à ilustre vereação não houve ninguém que tivesse a hombridade do tal gesto solidário. Preferiram todos ignorar, não ver, não ouvir e muito provavelmente até dirão que nem sabiam que havia uma inundação — aliás duas — a poucos metros da Câmara Municipal. Preferiram fazer como as avestruzes, às vezes é melhor não ver.A certa altura ficamos isolados e não tendo alimentos valeu-nos o vizinho da frente que nos conseguiu fazer chegar uma refeição. Aqui funcionou a solidariedade. Ainda ficamos a olhar ao longe a ver se aparecia um barco dos bombeiros ou da protecção civil com pão e leite mas isso não aconteceu pois, em boa verdade, a situação ainda não é como em Reguengo do Alviela. Mas para lá caminha. Ainda a propósito de ajuda, desta vez não contamos com uma que tradicionalmente nos costumava reconfortar nestes infortúnios e que era a presença de um senhor da protecção civil que passando pela nossa porta, e quando baldeávamos a água para o exterior, nos dizia com ar compungido mas convincente: – Olhe, tenha calma, tenha paciência!Chegou-nos ao conhecimento um boato — frisamos bem trata-se dum boato — que o município entroncamentense, atendendo ao longo contributo de “luta” em prol dos esgotos cá do burgo, e, em particular, da minha mulher na defesa do bom funcionamento das sarjetas, estaria na disposição de nos atribuir uma medalha.Tal gesto de reconhecimento sensibiliza-nos bastante. Bem hajam! Muito obrigado, muito obrigado! Manuel Serra Azevedo

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