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Tomar honra obra de Lopes-Graça com escultura e casa museu

Tomar honra obra de Lopes-Graça com escultura e casa museu

Centenário do compositor assinalado no domingo na cidade onde nasceu

O músico, compositor e escritor Fernando Lopes-Graça morreu há 12 anos mas a sua figura está perpetuada em Tomar. Sentado num banco de jardim à beira do Nabão, um Lopes-Graça de barro “conversa” com “Nini” Ferreira, seu amigo de sempre.

Edição de 20.12.2006 | Cultura e Lazer
“É difícil pôr em palavras aquilo que são os nossos sentimentos”, dizia Fernando Lopes-Graça acerca da música. No domingo, dia do centésimo aniversário do seu nascimento, o presidente da câmara, António Paiva, confidenciou publicamente ser-lhe transmitir difícil transmitir por palavras o que sentia sobre o maestro e compositor que, embora nascido em Tomar, era acima de tudo um cidadão do mundo. Além de compositor, maestro e pedagogo foi militante do Partido Comunista e opositor ao regime salazarista, o que o impediu, durante largos anos, de obter no país o reconhecimento público do seu trabalho.Mais do que palavras, são os actos que contam, como a escultura encomendada pelo município para ser descerrada no dia em que Fernando Lopes-Graça faria cem anos. “Conversa amena” retrata o compositor e o seu amigo de sempre, Fernando de Araújo Ferreira, mais conhecido por “Nini” Ferreira, sentados num banco de jardim, a trocarem impressões e a debaterem a actualidade. Como em vida tantas vezes fizeram.A peça, da responsabilidade do escultor Rui Fernandes, é feita em barro, pintado em tons de verde bronze. Demorou cerca de três meses a fazer, bem menos do que o escultor queria. “Estas coisas não têm tempo, mas vivemo-las, até sonhamos com elas, antes de pôr mãos à obra”. Rui Fernandes diz ter aceite o desafio de fazer uma peça de rara concepção, pelo menos em Portugal, porque sabia que à partida lhe ia dar um grande gozo. “Não sei se há no país uma escultura deste tipo, embora já existam algumas lá fora”, diz.Casa Museu vai avançarFernando Lopes-Graça não foi apenas um compositor internacionalmente reconhecido. Foi também um símbolo da luta pela liberdade e um interveniente activo na vida associativa da cidade que o viu nascer. E dinamizador cultural de várias associações no concelho, entre as quais a Associação Canto Firme. Para perpetuar a sua memória, o município vai requalificar a velha casa onde o músico e escritor nasceu, em pleno centro histórico, e transformá-la em museu. A construção do museu é considerada por António Paiva como “uma obrigação do concelho para com um munícipe que foi tão importante para a sociedade actual” e “que deve ser recordado pelas novas gerações”.“Não faz sentido um jovem que viva em Tomar não conhecer o trabalho de Fernando Lopes-Graça. Ou até agora não haver nada na cidade que o invoque perante os turistas que nos visitam”, defendeu o presidente da câmara. É por isso que a autarquia decidiu também patrocinar a reedição de “Reflexões sobre a música”, obra da autoria de Fernando Lopes-Graça, em simultâneo com a publicação de uma outra obra, do maestro António de Sousa. “Construção de uma identidade” fala de Tomar na vida do compositor, desde a sua formação familiar e escolar, passando pelo seu percurso político e ideológico na sociedade, como pano de fundo a uma carreira musical consagrada. Fernando Lopes-Graça nasceu a 17 de Dezembro de 1906, vindo a morrer na vila da Parede (concelho de Cascais) em 1994.
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