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Consumidor Serafim das Neves

Edição de 20.12.2006 | E-mails do outro mundo
Começo por dar os parabéns à GNR pelo encerramento daquele bar de alterne em Marinhais. Depois de ver as fotografias das mulheres que serviam por aquelas bandas considero que a acção se insere naquilo que normalmente é designado por defesa do consumidor. O meu espanto é não ver a DECO envolvida neste caso. Acho que aquela associação passa demasiado tempo a olhar para o que se come em cantinas escolares e restaurantes e esquece-se de fazer testes à qualidade de outras coisas. Os portugueses são mais pela quantidade que pela qualidade. Nós que somos portugueses exemplares ilustramos bem esse facto. Basta referir que às quintas-feiras comemos sempre cozido à portuguesa na mesma tasca, não porque o cozido seja melhor que outros cozidos - aquilo é sempre igual, mais orelheira ou menos farinha – mas pelo simples facto das travessas serem XXL. Ora no caso da buáte Lua Azul passava-se o mesmo. As mininas eram mais feias que as noites de trovões mas tão substanciais como o já referido cozido à portuguesa. Transbordavam das roupinhas como ele transborda da travessa. E deviam estar em promoção. Um regalo para pechincheiros esfomeados. É aqui que eu acho que faltava o conselho avisado de uma associação de defesa do consumidor. Alguém capaz de explicar ao rebarbado cidadão que a relação qualidade/preço tem que ser levada em linha de conta. Alguém suficientemente preparado para alertar para a necessidade de não apagar a luz no momento em que se consomem certas coisas porque a escuridão retira-nos a perspectiva e influencia a avaliação. A DECO até podia trabalhar em estreita colaboração com especialistas em iluminação, por exemplo. Uma parceria a bem de todos nós. Infelizmente não, venceu a inércia. Tiveram que ser os valorosos GNR a pisar aqueles terrenos, honra lhes seja feita.Quem também merecia uma visitinha da GNR eram os professores daquela escola da Azambuja que levaram os alunos à Assembleia da República. Aquilo não se faz a ninguém. Os miúdos ficaram traumatizados para toda a vida. Um deles diz que as tribos selvagens da Amazónia se portam melhor que os deputados numa sessão plenária. Os pais daquela criança bloquearam os canais pornográficos da TV Cabo, incluindo o Canal Parlamento, mas o seu esforço para preservar a sanidade mental do rebento foi sabotado pela iniciativa dos prófes. Cabe na cabeça de alguém levar os jovens a um local daqueles? E o Governo?!! Sim, o Governo?!! Tanta lei, tanta lei e ainda não criou uma a proibir a entrada de menores em S. Bento porquê? Estamos entregues ao bichos, Serafim!!!Olha que eu falo com conhecimento de causa. Uma vez também fui pastoreado com a carneirada da minha turma, a uma sessão daquelas. Pensávamos, na nossa ingenuidade juvenil, que íamos a um local sagrado. Um local de elevação e sabedoria. Uma espécie de santuário sem santos. Lembro-me que na noite anterior até limpei as unhas e tomei banho para não emporcalhar o sagrado chão da Assembleia. Como calculas fiquei tão traumatizado como os estudantes da Azambuja. Aquilo era a ver quem era mais malcriado. Era um chavascal medonho. Ninguém ligava nenhuma. Só faltava andarem todos por cima das mesas. Ainda hoje não consigo olhar direito para um deputado, como sabes. E já se passaram muitos anos. Mas vistas bem as coisas até percebo porque é que há quem insista nestas visitas de estudo ao Parlamento. Deve ser para provar que ainda há locais piores que algumas salas de professores. E só quem nunca entrou em algumas salas de professores é que não percebe o que estou para aqui a dizer.Um abraço bem-educado doManuel Serra d’Aire

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