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Provedor da Misericórdia de Santarém diz que praça de toiros está condenada

Provedor da Misericórdia de Santarém diz que praça de toiros está condenada

António Garcia Correia considera que a Monumental Celestino Graça não tem condições

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém considera que a praça de touros da cidade, construída há quarenta anos, tem os dias contados. A Monumental Celestino Graça está sobredimensionada, não tem condições de conforto e a Misericórdia, proprietária do recinto, não tem dinheiro para a demolir, quanto mais para fazer uma nova. Acrescenta que a ideia de instalar uma praça desmontável durante a Feira Nacional de Agricultura revela falta de solidariedade e concorrência desleal.

Edição de 20.12.2006 | Entrevista
Que utilidade tem actualmente a praça de toiros Celestino Graça?Para a Santa Casa a utilidade é angariar fundos para fazer face ao saldo negativo que temos na exploração operacional e continuar a proporcionar espectáculos. Infelizmente a praça está sobredimensionada e não tem tido a utilidade devida. Procurámos que os empresários fizessem no mínimo três corridas de toiros durante a Feira Nacional de Agricultura, mas os espectáculos não têm tido a aceitação que gostaríamos. Não sei se por culpa dos empresários, se pela festa brava não estar no melhor momento. É certo que a praça não tem condições de comodidade. Porque é que nunca avançaram com um projecto de remodelação do recinto?Desistimos de fazer obras de melhoramento porque os preços que nos pediram eram tão altos que mais valia fazer uma praça nova. Apesar de ser desagradável numa praça de 13 mil lugares estarem três ou quatro mil pessoas. A praça parece vazia. Tentámos ainda a possibilidade de colocar uma cobertura. Mas a estrutura não aguentava uma cúpula, que é pesadíssima, devido ao facto do recinto ter cem metros de diâmetro. Não equacionaram fazer uma de raiz, mais pequena, no mesmo local?A Misericórdia não tem dinheiro. Se alguém comprar o espaço e comprometer-se a fazer uma nova no local que a faça. Só derrubar a actual praça custa centenas de milhares de euros. E fazer uma nova ronda os 4 milhões de euros. Como é que temos capacidade para isso se o nosso orçamento para 2007, em relação a todas as valências, indica já um prejuízo de mais 300 mil euros. A hipótese de se construir uma nova praça começa a desvanecer-se?A esperança nunca morre. Se o CNEMA (Centro Nacional de Exposições) avançar com a ideia de instalar uma praça de toiros desmontável durante a Feira Nacional de Agricultura a Celestino Graça deixa de ser viável…Essa intenção do CNEMA é um absurdo. É uma pedrada no charco em relação à Misericórdia e à monumental Celestino Graça. Se quiser construir uma de raiz não nos vamos opor. Neste caso desistimos da nossa praça e vendemos o terreno.Não fica triste se outra entidade construir um recinto tauromáquico?Não me importo nada. Porque é que se opõe à existência de um recinto desmontável, quando o CNEMA tem legitimidade para o fazer?Não é uma questão de legitimidade, mas uma questão de urbanismo e de solidariedade para com Santarém. A praça Celestino Graça está em actividade, está a concurso e desta forma estão a fazer-nos concorrência desleal e a dar uma pedrada no charco à cultura de Santarém e do Ribatejo. A praça desmontável não traz mais gente à feira, aproveita é as pessoas que estão no certame para irem às corridas. Será que um recinto desse tipo tem capela, posto de socorros, casas de banho como nos é exigido a nós.Nesse caso não está a promover a tauromaquia junto dos visitantes da Feira da Agricultura?A praça desmontável leva três mil espectadores, esse é o número de pessoas que têm vindo à Celestino Graça. Portanto isso não traz benefícios a Santarém. Há que reconhecer que a praça da Misericórdia não tem tido praticamente actividade. A Misericórdia põe a praça a concurso e entrega-a a empresários tauromáquicos. Fazemos cadernos de encargos a exigir a realização de corridas de toiros com bons cartéis. Só que nos últimos três anos não tenho visto publicidade suficiente aos espectáculos. Chegava a perguntar se determinada corrida se mantinha porque não via qualquer cartaz a anunciá-la.Porque não promove a Misericórdia os espectáculos?Se for contratar os artistas para uma corrida de toiros em Santarém pedem-me um dinheirão. Mas se tiver cinco recintos já é diferente. Como é que vou fazer espectáculos se não sou empresário. Não temos vocação para isso. Sente que a comunidade escalabitana se interessa pela praça?A população de Santarém devia discutir estes assuntos, ter mais interferência. A praça poderia ser rentabilizada de outra forma, por exemplo alugando-se os espaços por baixo das bancadas…Fizemos um projecto para a criação de lojas à volta da praça, mas enquanto o campo Emílio Infante da Câmara estiver naquele estado ninguém vai para lá. E actualmente esta ideia já não faz sentido porque, por exemplo, existe um centro comercial. Ou seja, a Celestino Graça está condenada.Pelo facto do tamanho que tem, por estar naquele sítio, por não ter as comodidades que hoje são exigíveis, tenho muita dificuldade em dizer que ainda se possa salvar.
Provedor da Misericórdia de Santarém diz que praça de toiros está condenada

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