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Quarteto de Tomar quer chegar ao Lago Rosa

Objectivo é terminar a prova para dedicar à memória do mecânico falecido
Edição de 10.01.2007 | Desporto
Nuno Ferreira e Nascimento Costa partilham há vários anos a paixão pelo desporto automóvel e já participaram juntos em várias corridas e passeios todo-o-terreno. Mas nunca, até hoje, tinham participado em algo tão duro com o rali Lisboa – Dakar. A ideia nasceu há uns anos de uma conversa entre os dois e José Dias, outro dos companheiros de expedição, que ao lado do mecânico Luís Silva vai acompanhar a dupla principal no carro de assistência.A equipa nabantina, inscrita sob o nome TemplaSport, com o número 470, vai pilotar um Bowler Wild Cat 200, uma viatura equipada com um motor V8 de 4 litros, com a impressionante cilindrada de 3950 cm3 que desenvolve uma potência de 286 cavalos. Nuno Ferreira, 35 anos, será o piloto e Nascimento Costa, 45 anos, será o navegador. Em todo o mundo há pouco mais de meia centena destes carros produzidos especialmente para provas com a dureza do Dakar. O da dupla de Tomar foi adquirido em segunda mão ao francês Daniel Lucatelli que já participou duas vezes no Dakar.O carro foi preparado ao longo dos últimos meses. Foi desmontado peça por peça por Hugo Filipe, um mecânico de Tomar já com experiência no Dakar, que viria a falecer dois dias antes da prova partir de Lisboa. Na manhã em que o amigo ia a enterrar, Nascimento Costa, com a voz trémula de emoção, recordou os últimos dias de Hugo Filipe, dedicados praticamente a preparar os três carros de que ia ser responsável.“Era ele que estava por dentro de tudo. Ele ia dar assistência a outros dois carros e tínhamos um compromisso que ele organizava toda a nossa estrutura e se houvesse uma situação em que tivesse de haver uma intervenção maior íamos ter sempre o Hugo a trabalhar no nosso carro”, explica o navegador. Nuno e Nascimento Costa ainda pensaram em desistir mas cedo concluíram que essa seria a pior decisão.“A participação e um bom resultado é a melhor homenagem que lhe podemos fazer. Para ele chegarem os três carros ao final era o que mais desejava. Ele falava constantemente nisso e numa situação destas o que queremos é chegar lá em homenagem a ele. E se chegarem os três carros melhor ainda”, conclui Nascimento Costa, acrescentado que cada dia terminado já será uma vitória.Juntamente com o Bowler, a equipa de Tomar leva uma outra bomba como carro de assistência. É um Land-Rover Defender 130, com motor de 5 cilindros em linha turbo-alimentado e uma cilindrada: de 2500 centímetros cúbicos que desenvolve uma potência de 172 cavalos. Este era para ser o carro de corrida mas cedo perceberam que tinha algumas limitações e decidiram comprar outro.A “brincadeira” de participar no Dakar custa perto de 300 mil euros. Só a inscrição do carro de corrida são 10 mil euros por pessoa e 2.800 euros pelo carro. Como os valores para o carro de assistência não são muito diferentes, só a inscrição custa quase 10 mil contos em moeda antiga. Verbas suportadas na sua maioria pelos próprios e com o apoio das empresas de que são proprietários. O principal receio com que partem é que aconteça alguma falha mecânica que possa comprometer a corrida. “Uma falha mecânica faz com que as coisas comecem a complicar-se tipo bola de neve. Dormimos menos, vamos menos frescos e mais atritos a poder ter outro problema. É por isso que o nosso lema é poupar, poupar”, revela Nascimento Costa. Além do carro de apoio, a TemplaSport tem ainda um acordo com outra equipa portuguesa que leva um camião onde segue mais algum material, nomeadamente pneus.

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