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Uma mulher de armas

Edição de 10.01.2007 | Entrevista
O gabinete da directora do Estabelecimento Prisional de Alcoentre tem janelas vidradas com vista para o torreão, a ala central do estabelecimento, uma unidade que acolhe 600 reclusos. O espaço de trabalho, repleto de documentação na secretária, não foi escolhido ao acaso. Joana Patuleia, 43 anos, gosta de controlar mesmo ao longe o ambiente do pátio do EPA.Conhece todos os reclusos do estabelecimento. Sempre que vem um novo elemento cumprir pena Joana Patuleia chama-o ao gabinete. Para explicar as regras da casa. Com a mesma frontalidade e naturalidade com que acolhe um jornalista no espaço. Deixa de lado a secretária imponente para começar a conversa. Prefere sentar-se mais próxima da sua interlocutora. A mulher de figura aparentemente frágil tem uma postura firme e determinada. Temperada com humanismo e boa disposição. É respeitada em todo o estabelecimento. Conhece como a palma das suas mãos os corredores e os portões sob o arame farpado que delimitam o espaço da prisão. Pelo menos uma vez por mês faz questão de fazer um périplo pelo estabelecimento acompanhada do chefe de guardas. Gosta de tomar o pulso da casa que gere. Teima em entrar nas celas. Participar nas actividades dos reclusos. Para conhecer bem as condições habitacionais e de higiene em que vivem. O estado das coisas não é perfeito, mas tem melhorado. O ambiente está mais calmo desde que uma mulher tomou as rédeas da instituição. Na parte mais degradada da prisão, o pavilhão complementar, ainda se usa o balde higiénico, mas Joana Patuleia tem esperança de que as novas condições cheguem já no próximo ano. A família, o marido e os três filhos, já se habituaram a ter a mãe presa no trabalho. O companheiro, que é também o cozinheiro oficial lá de casa, é o maior suporte de Joana Patuleia que de vez em quando tem que ouvir as recomendações dos filhos quando chega atrasada para o jantar ou fala de trabalho em casa. Já trabalhou na Caixa de Crédito Agrícola e deu aulas de geografia, mas foi o bichinho dos serviços prisionais que ficou. Os dias de trabalho nunca são iguais.

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