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Cana-de-açúcar substitui beterraba e salva empregos em Coruche

Cana-de-açúcar substitui beterraba e salva empregos em Coruche

Fábrica da DAI manteve-se graças a autorização especial

Redução dos preços de referência do açúcar imposta pela União Europeia provocou desinteresse dos agricultores pela beterraba.

Edição de 04.04.2007 | Economia
A fábrica da DAI Sociedade de Desenvolvimento Agro-Industrial, um dos maiores projectos agro-industriais dos últimos anos conseguiu uma autorização especial para refinar açúcar de cana. A única forma e salvar a unidade de Coruche que nasceu da grande esperança que representava a transformação de beterraba em açúcar. Desde Dezembro que a empresa com capitais espanhóis está a fabricar açúcar de cana numa quota até 65 mil toneladas ano. Isto depois da produção de beterraba na região ter caído para metade devido a reformas no sector impostas pela União Europeia que fez baixar os preços de referência deste produto. Em 2006 pairou o fantasma do fecho da unidade fabril, mas esta conseguiu dar a volta por cima. O presidente do conselho de administração da empresa recorda que “a reforma do sector do açúcar, colocou em risco alguns produtores de beterraba, sobretudo os que tinham solos mais pobres e que tinham os terrenos mais afastados da zona da fábrica”. José Cabrita lembra que a fábrica fez uma análise à situação que se colocava e concluiu que iria haver uma redução para metade da produção de beterraba. Admitindo que se não fosse autorizada a refinação de cana, que importam do Brasil, países africanos e ex-colónias inglesas, “a fábrica não tinha viabilidade”. Até porque no ano passado a DAI já só conseguiu produzir 35 mil toneladas da quota total que lhe estava atribuída de 70 mil toneladas. Neste momento dos cerca de 700 produtores que produziam a planta herbácea, a empresa já só conta com um máximo de 350 agricultores. A fábrica, que emprega 130 pessoas, numa zona onde os empregos são escassos, investiu oito milhões de euros na reconversão da maquinaria para poder refinar açúcar de cana. Obteve também um aumento da quota total para 100 mil toneladas ano no conjunto, estando autorizada a produzir até 65 mil toneladas de açúcar de cana. A adaptação da indústria foi feita após a campanha da beterraba, em Setembro de 2006. José Cabrita estima que o número de produtores de beterraba na região desça ainda mais nos próximos anos já que há uma tendência para mais reduções no preço de referência. “Estamos a encarar o futuro com cautela”, diz o administrador, acrescentando no entanto que existem boas perspectivas no sector da cana, já que está previsto que a partir de 2009 a importação desta matéria-prima dos países mais pobres deixe de estar limitada. José Cabrita explica que com a transformação da cana a unidade pode trabalhar durante todo o ano, enquanto com a beterraba a refinação se faz entre Julho e Setembro, altura em que a planta é colhida. A DAI foi constituída em Março de 1993 e a unidade industrial começou a funcionar em 1997. A fábrica foi considerada um grande pólo de recuperação económica da região e está apta para refinar mil toneladas de açúcar por dia. Parte da produção da empresa vai para Espanha.
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