uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

O limpa-chaminés

Manuel Augusto Oliveira tem uma profissão pouco comum, que iniciou “por brincadeira” e que hoje exerce em exclusivo. É limpa-chaminés e garante que o seu trabalho não é tão sujo como se imagina. Bem pior era o trabalho de pedreiro, profissão que teve antes da actual.

Edição de 04.04.2007 | Identidade Profissional
Foi um tio que incutiu em Manuel Augusto Oliveira o gosto pela profissão de limpa-chaminés quando o então pedreiro regressou de França no final da década de 80. “O meu tio, que veio de França na mesma altura que eu, montou cá um negócio de construção de lareiras, mas nunca deixou o trabalho de limpa chaminés e eu comecei a ajudá-lo nas horas vagas”, conta. Há quatro anos uma empírica avaliação de mercado fê-lo decidir-se pela dedicação em exclusivo à actividade. “Um dia, vinha de Lisboa, e comecei a olhar para o número de chaminés que via pelo caminho. Eram tantas que decidi avançar para esta profissão”, explica. E não está arrependido. Residente em Santarém, tem solicitações em todo o Ribatejo e faz também “uma perninha” em Lisboa e no Alentejo. Mas no início não foi fácil. Chaminés há muitas mas nem todos os proprietários têm o hábito de as mandar limpar com regularidade. “Mesmo os que decidem limpar começam por tentar fazer eles mesmo o trabalho. Só depois, quando a coisa não dá resultado, é que chamam um entendido”, conta.“Passei muitos domingos a percorrer a região para colocar publicidade em tudo o que era sítio”, confidencia o limpa-chaminés, adiantando que ainda hoje está a colher os dividendos dessa atitude. “As pessoas vêm os anúncios e acabaram por tirar o número de telefone”. A publicidade em alguns jornais e o site na Internet fazem o resto. Mas, como salienta, a melhor publicidade continua a ser feita pelos clientes. “Os clientes ficam satisfeitos e vão passando a mensagem a pessoas conhecidas”.O trabalho de Manuel Augusto Oliveira estende-se num raio de 100 quilómetros a partir de Santarém. Nos meses de Outono e Inverno não tem descanso, já chegou a limpar 14 chaminés num único dia. Diz que a melhor altura para limpar chaminés é na Primavera e no Verão mas as pessoas, como boas portuguesas que são, deixam tudo para a última hora. O limpa- chaminés diz que o grosso da sua actividade é desenvolvida em cinco meses do ano. Por isso tem que fazer como as formigas: amealhar nessa altura para gastar quando o trabalho começa a escassear. Na “época baixa” das chaminés dedica-se ao desentupimento de esgotos. Por cada limpeza de chaminés Manuel Augusto Oliveira recebe 60 euros, um valor que tem de pagar o combustível e o desgaste do carro e do equipamento que usa. O trabalho não requer grandes máquinas, apenas um aspirador específico, varas de aço maleáveis e uma escova também de aço. A escova é colocada numa vara extensível que depois é enfiada lareira acima. A fuligem e outros detritos são sugados então para o aspirador. “Ao contrário do que algumas pessoas pensam a limpeza de uma lareira não deixa praticamente vestígios. Não é preciso andar a tapar móveis nem arredar sofás”. Quem faz o serviço também pouco se suja. Manuel Augusto usa apenas uma bata por cima da roupa, umas luvas até ao cotovelo e uma máscara, por causa da fuligem.Normalmente costuma limpar uma chaminé em meia-hora mas já houve situações em que demorou o dobro, devido aos detritos acumulados por anos e anos de uso sem nunca terem sido limpas. “Sei sempre quando uma chaminé se incendiou, por exemplo, porque a fuligem é diferente”, refere Manuel Augusto, que não tem horário de trabalho. “Geralmente marco a primeira limpeza para as 9h30, para dar tempo de chegar a casa da pessoa, mas nunca sei a que horas acabo o dia porque podem surgir marcações na hora. De manhã posso estar em Abrantes e à tarde em Marinhais, por exemplo”, diz. A vila de Marinhais e a cidade de Almeirim são os locais onde tem tido mais trabalho. Quando entra no carro liga sempre o GPS, para não perder tempo à procura da morada do cliente. Mas nem tudo são rosas na profissão. Manuel Augusto diz mesmo que há muita falta de respeito pelo seu trabalho. E fica “passado” quando chega a uma residência no dia agendado e sem atrasos horários e o cliente simplesmente não está em casa. “Ainda há três semanas me aconteceu isso em Tomar”, refere. Há uns tempos, em Almeirim, uma idosa telefonou-lhe para lhe limpar a chaminé mas quando Manuel Augusto lá chegou a senhora já tinha o serviço feito por outra pessoa. “São dois prejuízos, é o serviço que não faço e outro que deixo de fazer por já ter aquela marcação”, queixa-se.

Mais Notícias

    A carregar...