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Futuro incerto para a Chaminé da fábrica de briquetes de Rio Maior

Autarquia não sabe o que fazer com marca história do concelho
Edição de 04.04.2007 | Sociedade
São precisos dois milhões de euros só para tornar visitável a antiga fábrica de briquetes de Rio Maior. O complexo, propriedade municipal não está classificado. Ninguém arrisca uma solução.A Câmara Municipal de Rio Maior ainda não decidiu o que fazer com a antiga Fábrica de Briquetes da Mina de Lignite do Espadanal, da qual sobressai uma enorme chaminé, visível a vários quilómetros de distância, e que se tornou no símbolo da vivência mineira daquele concelho, sobretudo durante as décadas de 60 e 70 do século passado. Há oito anos a autarquia adquiriu todo o antigo couto mineiro, numa extensão de 11 hectares, mas ainda não existe uma decisão sobre o que fazer à antiga fábrica e seus anexos.O assunto tomou maior relevância nos últimos tempos, muito pela acção da Comissão para o Estudo, Defesa e Valorização do Património Cultural e Natural do Concelho de Rio Maior, que tem apresentado várias sugestões de preservação e recuperação do local. Entre elas está a instalação de um complexo cultural polivalente, com arquivo e museu municipal, salas para exposições, anfiteatro, constituindo-se, em simultâneo, um pólo museológico da actividade mineira com um centro interpretativo da geologia do concelho.Questionado pelo nosso jornal, o presidente da Câmara de Rio Maior, Silvino Sequeira (PS), esclareceu que já foram equacionadas algumas situações mas ainda não há uma decisão definitiva. A venda de parte dos terrenos foi incluída no orçamento municipal para 2007 e nos últimos tempos foi discutida a sua venda à cadeia de hipermercados E. Leclerc, que ali pretendia instalar uma superfície comercial e um parque de estacionamento para 400 lugares. O autarca refere que essa “foi apenas uma das hipóteses”. Garante também que qualquer solução terá de ter em conta a preservação do património histórico, nomeadamente as grandes referências que são a chaminé e a entrada da mina.Esta preservação histórica não pode no entanto impedir outros investimentos na zona, nomeadamente ao nível do estacionamento. A antiga mina fica na Avenida Mário Soares, junto ao pavilhão multiusos, onde, entre outras actividades, se realiza a Feira das Tasquinhas. A partir de Outubro, aquele espaço funcionará também como sala de aula para cerca de 700 alunos da Escola Superior de Desporto, pelo que é necessário reforçar a capacidade de estacionamento. Os terrenos da antiga fábrica são uma das poucas hipóteses para criar lugares de parqueamento naquela zona da cidade.Silvino Sequeira adverte ainda para os custos de recuperação do antigo imóvel. Segundo um levantamento feito pelos serviços da autarquia, só para tornar o espaço visitável em condições de segurança, é necessário investir cerca de dois milhões de euros. É por isso que embora aceite a sugestão de transformar a antiga mina num espaço cultural, diz que é preciso agir com bom senso.O presidente da câmara confirma que o assunto está a ser estudado em colaboração com o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), cujo responsável máximo já se deslocou a Rio Maior para constatar presencialmente as condições do espaço. Ainda assim lembra que o que o IPPAR sugeriu foi a possível classificação do edifício como imóvel de interesse municipal, uma decisão que cabe à câmara e à assembleia municipal de Rio Maior.Em declarações a O MIRANTE, Nuno Rocha, um dos membros da Comissão para o Estudo, Defesa e Valorização do Património Cultural e Natural do Concelho de Rio Maior, referiu que o principal desejo da comissão é cooperar civicamente com os órgãos de decisão locais, pelo que têm trazido ao local vários especialistas nacionais e internacionais. Segundo o arquitecto, todas as opiniões vão no sentido de preservar aquele património, opinião partilhada pelo menos por um milhar de riomaiorenses que já subscreveu a petição que solicita a classificação do edifício como imóvel de interesse municipal.

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