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Azinhaga cumpre tradição com mais uma festa do Bodo nas ruas

Azinhaga cumpre tradição com mais uma festa do Bodo nas ruas

O juiz da próxima festa é Manuel Tavares Veiga, proprietário agrícola da Quinta da Broa
Edição de 30.05.2007 | Cultura e Lazer
“Dá-me licença que leve a moça?”. A frase foi na sexta-feira repetida 30 vezes por Vítor Guia, o juiz da Festa do Divino Espírito Santo da Azinhaga, Golegã, durante as cerca de duas horas que durou o cortejo do bodo. Era a Vítor Guia, também presidente da junta de freguesia, que cabia a responsabilidade de ir a casa de cada mordomo buscar as jovens e os respectivos acompanhantes. Este ano houve 30 mordomos que se disponibilizaram para vestir as moças, obviamente não no sentido literal do termo. Vestir as moças significa ficarem responsáveis pelos gastos com os seus trajes. São necessários três vestidos criados por costureiras da região - um cor-de-rosa, um azul e outro branco, além dos sapatos e das fitas de seda para a rodilha. A “festa” nunca fica por menos de 200 euros. O cortejo começa à porta do próprio juiz, que coloca à cabeça da filha Andreia o pequeno tabuleiro ornamentado de flores e pães, símbolos da Festa do Divino Espírito Santo – a maior festa da terra, que acontece de quatro em quatro anos. À frente do cortejo do bodo, o juiz pára à porta da casa de cada mordomo participante, onde já é esperado pelo par. O rapaz pega no cesto de pão – o bodo – coloca-o sobre a cabeça da rapariga e juntos tomam o seu lugar no cortejo.A passagem pelas ruas é outro dos pontos altos do cortejo. São milhares e milhares de flores, feitas em papel e plástico, numa explosão de cores difícil de descrever. Durante os últimos dois meses os moradores de cada rua passaram os serões a fazer as flores para as colocarem no terreno um dia antes da festa se iniciar. Cada um espera que a sua seja a mais bonita, numa competição a que o juiz chama de “bairrismo sadio”.“Olha, ali vai o meu neto, tenho de tirar uma fotografia com ele”, diz uma idosa que vê passar o cortejo encostada à ombreira da porta. Praticamente todos os familiares dos pares levam com eles máquinas fotográficas, para a foto da praxe. Quem não tem usa o telemóvel. Ao fim de mais de uma hora de caminhada, algumas jovens já dão sinais de cansaço, descansando os braços à vez, mas mantendo sempre o sorriso nos lábios. No final do cortejo os pães foram colocados na capela do Divino Espírito Santo, que ficou todo o dia aberta. No Domingo é distribuído o bodo por toda a comunidade. Como manda a tradição. A mesma que faz com que Vítor Guia passe o testemunho – a coroa do Espírito Santo – ao novo juiz. A comissão da festa de 2007 endereçou o convite, já aceite, a Manuel Tavares Veiga, proprietário agrícola da Quinta da Broa.
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